Charleroi tem uma fama que chegou antes da maior parte das pessoas e que não acompanhou a cidade. O que conta comercialmente é mais simples: há empresas aqui, compram vídeo, e quase ninguém lho oferece como deve ser.

É uma posição pouco comum para um criador. Em Bruxelas ou em Antuérpia concorre-se em qualidade e preço. Aqui concorre-se sobretudo com o silêncio.

O mercado que ninguém serve

A maioria dos criadores constrói-se à volta da capital ou da Flandres, e quem está na Valónia gravita para Liège ou Namur. Charleroi é saltada, e as empresas daqui estão habituadas a que a saltem.

O que isso quer dizer na prática

Um comerciante, uma oficina, uma clínica ou um produtor alimentar manda três pedidos e recebe uma resposta, tarde. Se for a resposta que chega no próprio dia e diz algo concreto, já ganhou quase tudo o que há para ganhar.

Também quer dizer que as expectativas são baixas de uma forma útil: ninguém o compara ao reel de uma agência, porque ninguém lhes mostrou nenhum.

Os orçamentos são reais, apenas mais pequenos

Mais pequenos não quer dizer nulos, e é aqui que os criadores vindos de uma cidade maior erram duas vezes: primeiro dando um preço de Bruxelas a um cliente que nunca o pagará, e depois entrando em pânico e dando metade do que o trabalho vale.

Tipo de clienteAquilo a que consegue comprometer-seA oferta que encaixa
Uma loja ou uma oficinaUm valor mensal pequenoTrês clips curtos por mês, no mesmo dia de cada mês
Uma clínica ou um consultórioUm projeto ocasionalUma filmagem por ano, com material de sobra
Um produtor localUm orçamento por lançamentoConteúdo de produto colado ao que lança
Um organismo público ou associativoUm orçamento de projeto definidoUm projeto orçamentado com âmbito escrito
Uma empresa da zona do aeroportoUm orçamento de fornecedor a sérioRecrutamento e processos, faturados normalmente

Como fixar preços sem se desvalorizar

Fixe o seu preço por dia e faça variar o tamanho do pacote, nunca o preço em si. Um cliente que não pode pagar um dia pode pagar meio dia, e essa conversa mantém o seu número intacto para o próximo. Descontar o preço ensina a todo o mercado quanto custa.

A cidade filma melhor do que a sua fama

Não é um prémio de consolação, é um argumento de produção. Arquitetura industrial, céus grandes, tijolo, água, e uma reconversão que pôs edifícios novos ao lado de antigos: dá fundos que Gante e Bruges não têm.

As marcas que querem parecer enraizadas e não bonitas filmam bem aqui, e também tudo o que fale de trabalho, de fabricar, de reparar ou de obra. O erro é filmar Charleroi como quem pede desculpa por ela.

Para onde apontar a câmara

A cidade alta, as margens do Sambre, as franjas industriais e os edifícios recentes junto à estação dão cada um um registo diferente, e os quatro ficam a poucos minutos a pé uns dos outros. É raro, e poupa um dia: um cliente que quer três fundos que não se pareçam em nada não precisa de três locais, precisa de uma tarde e de um mapa.

O melhor canal é responder

Esqueça a prospeção elaborada. Nesta cidade as duas coisas que produzem trabalho são responder depressa e estar fisicamente presente, por essa ordem.

Responda no próprio dia, com um intervalo de preço e uma pergunta. Vá aos pequenos-almoços de empresas e ao mercado. Cultive boas relações com um contabilista e uma gráfica, porque num mercado deste tamanho são eles o motor de recomendação, e uma só menção viaja mais longe do que um mês de publicações.