Um grupo de recursos de Performance Max aceita até 15 vídeos por orientação, exige pelo menos um de cada uma das três, e nenhum pode ficar abaixo dos 10 segundos. E se não carregar nenhum, o Google pode gerar um por sua conta a partir dos restantes recursos. É esta última frase que decide a qualidade da maioria das campanhas espanholas, porque quase ninguém a lê a tempo.
O vídeo que o Google fabrica no seu lugar
Quando o grupo de recursos não tem vídeo, o sistema monta um automaticamente combinando as imagens, o texto e, se existir, a informação do feed. Tecnicamente funciona: a campanha é publicada e serve impressões.
O problema é o que esse vídeo é. Uma montagem de fotografias de produto com legendas sobrepostas e uma transição genérica não mostra ninguém a usar nada, e compete em superfícies onde os restantes anúncios mostram.
Porque se deteta tarde
Porque nada falha. Não há erro, não há aviso, a campanha gasta normalmente, e o relatório mostra um desempenho medíocre que se atribui ao orçamento ou à licitação. O vídeo automático é o suspeito que ninguém interroga.
A verificação leva dois minutos: abrir o grupo de recursos e ver se os vídeos que lá estão são os que carregou.
O que pede um grupo de recursos
| Orientação | Proporção | Resolução recomendada | Mínimo exigido |
|---|---|---|---|
| Horizontal | 16:9 | 1920 x 1080 | 1 vídeo |
| Quadrada | 1:1 | 1080 x 1080 | 1 vídeo |
| Vertical | 9:16 | 1080 x 1920 | 1 vídeo |
Três orientações, não três recortes do mesmo plano. Um vídeo horizontal recortado para vertical deixa a cabeça fora de campo ou o produto na margem, e esse detalhe nota-se mais no formato pequeno do que no grande.
A documentação recomenda ainda que pelo menos um dos verticais dure entre 10 e 60 segundos, porque é essa a duração que encaixa no inventário de Shorts.
A consequência para a filmagem
Grava-se uma só sessão pensada desde o início para as três. Na prática significa enquadrar com ar à volta do sujeito, não colar o produto à margem, e evitar legendas nos cantos, que desaparecem em pelo menos uma das três versões.
Um criador avisado com antecedência resolve isto sem custo adicional. Um criador avisado depois tem de ser pago por uma segunda sessão.
Onde é realmente emitido
Aqui está o motivo pelo qual tantos briefings estão mal escritos. O Performance Max não é uma campanha do YouTube: reparte o mesmo grupo de recursos por várias superfícies da Google, e o vídeo pode aparecer em contextos muito diferentes entre si.
Isso obriga a uma peça que funcione sem contexto prévio. Não pode partir do princípio de que o espectador procurava a categoria, nem que viu um anúncio anterior da marca, nem que o som está ligado.
O que isso muda nos primeiros segundos
O produto e o problema têm de ficar claros sem áudio, com texto no ecrã, nos primeiros segundos. Não é uma preferência estética: é a única forma de a peça servir em todas as superfícies onde o sistema decidir colocá-la.
O que o vídeo tem de mostrar
O conteúdo muda face a uma peça orgânica, e não pelo tom mas pelo que o espectador não tem.
O produto em uso desde o primeiro plano. Sem introdução, sem apresentação de quem fala, sem logótipo inicial. O espectador não pediu para ver isto e não concede a margem que concede num feed que escolheu.
O motivo de compra em palavras simples. Que problema resolve, numa frase que se entenda sem conhecer a categoria.
O preço ou a promoção se forem argumento. Aqui sim, ao contrário de uma peça orgânica pensada para durar meses, porque uma campanha desliga-se e volta a montar-se quando a oferta muda.
A marca no fim e também em pequeno no início. Muitos espectadores não chegam ao fim, e quem chega já sabe quem fala.
O que não funciona
O vídeo que começa com uma pergunta retórica, o que demora oito segundos a mostrar o produto, e o que depende de uma voz off que ninguém vai ouvir. Os três funcionam em superfícies escolhidas pelo espectador e falham onde o anúncio interrompe.
O feed muda a equação
Se a campanha estiver ligada a um feed de produtos, o sistema já dispõe de imagens, preços e disponibilidade de cada referência. O vídeo deixa então de ter de descrever o catálogo e passa a ter outra função: dar a prova que uma ficha não consegue dar.
Isso significa mostrar o produto num contexto real, nas mãos de alguém, a resolver alguma coisa. A ficha encarrega-se de dizer o que é e quanto custa; o vídeo encarrega-se de que alguém acredite.
A consequência sobre quantos vídeos são precisos
Com feed, um punhado de peças genéricas de categoria rende mais do que um vídeo por referência, inviável em catálogos grandes. Produz-se por família de produto, não por referência.
Como se prepara a sessão
Três tomadas por mensagem, não três montagens. Cada ideia grava-se nas três orientações durante a sessão, em vez de gravar na horizontal e reenquadrar depois.
Uma mensagem por vídeo. O sistema testa combinações; dar-lhe cinco vídeos que dizem o mesmo desperdiça a única alavanca que a marca controla.
Durações diferentes. Uma peça curta e outra mais desenvolvida da mesma mensagem dão ao sistema material para superfícies diferentes.
O ficheiro limpo. Sem marcas de água de outras redes e sem legendas queimadas se a peça for reutilizada noutro sítio.
O que se pode medir e o que fica opaco
Convém dizê-lo antes de alguém pedir o relatório que não existe. O Performance Max não detalha o desempenho por posicionamento com a granularidade de uma campanha tradicional, por isso a pergunta «como correu o vídeo em cada sítio?» não tem resposta completa.
O que se consegue ler é o desempenho ao nível do recurso dentro do grupo, que indica que peças o sistema usa mais e quais ignora. É sinal suficiente para decidir o que gravar da próxima vez, ainda que não seja o detalhe que se gostaria de ter.
A leitura honesta
Se o objetivo é perceber que criatividade funciona e porquê, esta campanha não é o instrumento adequado e convém reservar parte do orçamento a um formato que o permita. Se o objetivo é vender com o mínimo de gestão, a opacidade é o preço, e é um preço que muitas marcas aceitam conscientemente.
Fontes
- Google Ads, campanhas Performance Max
- Google Ads, recursos de vídeo para Performance Max
- Google Ads, como funcionam os grupos de recursos
- Lei 34/2002, dos serviços da sociedade da informação e do comércio eletrónico
Verificado a 8 de setembro de 2026. Se este guia e a documentação oficial divergirem, prevalece a documentação.



