Se você cria conteúdo UGC pra marcas no Brasil e quer receber como profissional, o caminho mais comum é abrir um MEI (Microempreendedor Individual). O MEI te dá um CNPJ gratuito, permite emitir nota fiscal pras marcas, custa um valor fixo por mês (o DAS) e mantém sua contribuição ao INSS em dia. O cadastro é 100% online, no Portal do Empreendedor, e leva menos de uma hora. Este guia explica quem pode usar o MEI, como abrir o seu, qual CNAE escolher, quanto custa manter e o que fazer quando o faturamento cresce. Aviso honesto: isto é informação geral, não consultoria contábil. Valores de DAS e teto de faturamento são reajustados periodicamente, então confirme os números vigentes com um contador ou no portal oficial.

Por que se formalizar se você faz UGC?

Dá pra gravar os primeiros vídeos como pessoa física, e muita gente começa assim. Mas quando o UGC vira renda recorrente, a formalização deixa de ser burocracia e vira ferramenta de venda:

  • Marcas maiores exigem nota fiscal. O financeiro de uma empresa média ou grande não paga fornecedor sem nota. Sem CNPJ, você fica limitado a marcas pequenas e acordos informais.
  • Você passa imagem de fornecedor profissional, e isso muda a forma como a marca te trata na negociação.
  • Sua renda fica organizada pro Imposto de Renda, em vez de valores recorrentes caindo na conta de pessoa física sem origem formalizada.
  • Você mantém cobertura do INSS. O DAS inclui sua contribuição previdenciária, com acesso a aposentadoria, auxílio por incapacidade e salário-maternidade.

Se você ainda está montando portfólio e buscando os primeiros pedidos, comece pelo nosso guia de como ser criador UGC. A formalização faz mais sentido quando os pedidos chegam com regularidade.

O que é o MEI e quem pode usar?

O MEI é um regime simplificado que te transforma numa microempresa de uma pessoa só, com o mínimo possível de obrigações. As condições gerais:

  • Faturamento anual dentro do teto do MEI. Existe um limite de receita bruta por ano, reajustado de tempos em tempos; confira o valor vigente no Portal do Empreendedor.
  • Não ser sócio ou titular de outra empresa.
  • Ter no máximo um empregado.
  • Exercer uma atividade da lista de ocupações permitidas ao MEI, o ponto que mais pega pra quem trabalha com internet (ver a seção sobre CNAE).

Se alguma condição não se aplica ao seu caso, o caminho costuma ser abrir uma ME (microempresa) no Simples Nacional, com ajuda de um contador.

Como abrir um MEI passo a passo

  1. Crie ou atualize sua conta gov.br, de preferência com nível prata ou ouro.
  2. Acesse o Portal do Empreendedor e clique na opção de formalização.
  3. Preencha dados pessoais e endereço, incluindo o local de trabalho (pode ser sua casa).
  4. Escolha a ocupação principal e as secundárias, que definem os CNAE do seu CNPJ.
  5. Emita o CCMEI. Seu CNPJ sai na hora, sem custo.

Atenção a um golpe comum: o cadastro do MEI é gratuito e feito só no portal oficial. Sites que cobram "taxa de abertura" ou mensalidade pra "gerenciar seu MEI" vendem algo que você não precisa. Depois da abertura, verifique se a sua prefeitura exige cadastro municipal pra emitir nota de serviço e considere uma conta bancária PJ gratuita pra separar as finanças.

Qual CNAE escolher como criador UGC?

Não existe um código CNAE chamado "criador UGC". Você escolhe o código que descreve o serviço que realmente entrega às marcas: produção de conteúdo audiovisual, fotografia, serviços de apoio a marketing e publicidade ou design são os caminhos mais comuns, combinando principal e secundários.

Dois cuidados. Primeiro, nem toda atividade digital está na lista permitida ao MEI, e a lista muda; confirme no portal (ou com um contador) que o código escolhido é aceito antes de finalizar. Segundo, o CNAE aparece nas suas notas fiscais, então precisa refletir o serviço prestado de verdade: pra vídeos de demonstração de produto, um código de produção de conteúdo ou serviços de marketing faz sentido, enquanto um código sem relação pode gerar problema fiscal depois.

Quanto custa manter um MEI? O DAS mensal

O custo fixo do MEI é o DAS, um boleto mensal de valor fixo, pago independente de quanto você faturou. Ele é calculado como um percentual pequeno do salário mínimo, mais um acréscimo simbólico conforme a atividade, então muda quando o salário mínimo muda: confira o valor atual no aplicativo MEI em vez de confiar em números antigos.

Além do DAS, a rotina se resume a manter um registro mensal simples do faturamento (uma planilha resolve) e entregar uma vez por ano a DASN-SIMEI, a declaração anual de faturamento, gratuita. Atrasar o DAS gera juros, interrompe a cobertura do INSS e pode levar ao cancelamento do CNPJ.

Esses custos fixos precisam caber na sua precificação. Pra decidir quanto cobrar por vídeo e montar pacotes que cubram impostos e equipamento com folga, veja nosso guia de preços de UGC e como receber.

Como emitir nota fiscal pras marcas

Como prestador de serviço, você emite NFS-e (nota fiscal de serviço eletrônica). O emissor nacional de NFS-e cobre a maioria dos municípios, pelo site ou aplicativo; algumas prefeituras usam sistema próprio, então confirme como funciona na sua cidade. O cadastro é feito uma vez; depois, emitir leva minutos: CNPJ da marca, descrição do serviço e valor. Pra marcas de fora do Brasil, a emissão entra como exportação de serviço, com regras próprias, exatamente o tipo de detalhe que justifica uma conversa com um contador se clientes internacionais pesam na sua renda.

Quando o MEI deixa de ser suficiente

O MEI é um ponto de partida, não um teto de carreira. Os sinais de que chegou a hora de migrar: faturamento anual se aproximando do limite, vontade de contratar mais de uma pessoa ou de ter sócios. O caminho natural é a migração pra ME no Simples Nacional, onde o imposto vira um percentual do faturamento em vez de um valor fixo. Ultrapassar o teto é sinal de crescimento, não punição; o importante é planejar a transição com um contador antes de estourar o limite.

E se você é criador brasileiro morando na Europa, o raciocínio é o mesmo mas o regime muda: na França, o equivalente funcional do MEI é o micro-entrepreneur, explicado no nosso guia sobre ser criador UGC na França.

Como receber com segurança: pagamento em garantia

Formalizar resolve o lado fiscal; falta resolver o risco de calote. A forma mais segura de trabalhar com marcas, principalmente as que você nunca atendeu, é um marketplace com pagamento em garantia. No UGC MATCH, o perfil e os pacotes são gratuitos: a marca paga no momento do pedido, o valor fica retido em garantia (escrow via Stripe) e é liberado quando o vídeo é aprovado. Você fica com 90% do valor; a comissão de 10% só existe em pedido concluído, sem mensalidade nem taxa de listagem. Pagamento garantido de um lado, nota fiscal do seu MEI do outro: profissional dos dois lados da transação.

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Perguntas frequentes

Preciso de MEI pra começar a fazer UGC? Não. Dá pra fazer os primeiros vídeos como pessoa física enquanto testa a atividade. O MEI passa a valer a pena quando o UGC vira renda regular ou quando uma marca exige nota fiscal pra fechar o pedido.

Quanto custa abrir e manter um MEI? Abrir é gratuito, no Portal do Empreendedor. Manter custa o DAS mensal, um valor fixo calculado sobre o salário mínimo, mais a declaração anual DASN-SIMEI, também gratuita. Confira o valor vigente do DAS no aplicativo MEI.

Posso emitir nota fiscal pra uma marca de fora do Brasil? Sim. A emissão pra cliente estrangeiro entra como exportação de serviço e tem regras específicas. Se clientes internacionais forem parte relevante da sua renda, confirme os detalhes com um contador.

O que acontece se eu ultrapassar o teto de faturamento do MEI? Você precisa se desenquadrar e migrar pra outra categoria, normalmente ME no Simples Nacional, onde o imposto vira um percentual do faturamento. Acompanhe seu faturamento ao longo do ano e planeje a migração com um contador antes de estourar o limite.