Brinquedos, alimentação infantil, escolas, produtos de família e serviços pediátricos compram vídeo, e criadores à vontade com adultos vêem-se em dificuldades da primeira vez que há uma criança no plano.
A dificuldade quase nunca é técnica. Vem de uma criança não representar a pedido, de quem consentiu não ser quem está a ser filmado, e de as imagens de uma criança sobreviverem à campanha para a qual foram feitas.
Não é um problema de luz, é de tempo e de consentimento
A um adulto pode pedir-se mais uma tomada. A uma criança de quatro anos não, e insistir produz exatamente as imagens que ninguém quer: uma criança a obedecer, visivelmente cansada, a fazer algo que já não é uma brincadeira.
Toda a organização do dia decorre daí. Curto, cedo, um só local, sem mudanças de roupa, e uma disposição real para parar.
O que resolver antes do dia
O consentimento de quem o detém
Uma autorização escrita dos pais ou responsáveis, antes de se filmar seja o que for, a nomear o que vai ser filmado, onde vai aparecer e por quanto tempo. Pergunte se ambos os progenitores têm de concordar, porque em famílias separadas é uma questão real e resolve-se muito melhor com antecedência.
Combine também o que acontece ao material não utilizado, e diga com clareza que será apagado em vez de guardado para projetos futuros.
Se a situação for pouco comum, ou se houver uma escola, uma creche ou uma instituição envolvida, procure aconselhamento profissional sobre o enquadramento legal antes de se comprometer. É uma das poucas áreas em que um criador não deve improvisar a partir de uma resposta de fórum.
O direito de retirar mais tarde
Uma criança de seis anos vai ter dezasseis. Combine por escrito que a família pode pedir a retirada do material mais tarde, e fale dessa cláusula à marca antes de assinar, não depois.
As marcas raramente a recusam, e as que recusam estão a dizer-lhe algo útil sobre o uso que tencionam dar às imagens.
O dia real são quarenta minutos
Organize a filmagem em torno do ritmo da criança, não da lista de planos.
| O que planeia | O que acontece mesmo |
|---|---|
| Três horas no local | Quarenta minutos úteis, em duas rajadas |
| Dez ações escritas | Duas que resultam, uma que não esperava |
| Um enquadramento perfeito | O melhor plano é aquele em que ninguém estava pronto |
| Um conjunto de luzes completo | Uma janela, porque o equipamento assusta os pequenos |
| Repetir até sair bem | Uma repetição, e depois seguir em frente ou perdê-los |
Como conseguir esses quarenta minutos
Filme num sítio que a criança já conhece. Deixe-a mexer no produto antes de gravar seja o que for. Reduza a equipa a uma pessoa se puder, e deixe um dos pais ficar na sala mas fora de plano.
Depois filme primeiro o material aborrecido e seguro, as mãos, o produto, a divisão, para estar livre e apenas seguir a criança quando ela estiver no seu melhor.
O que não se filma, mesmo que peçam
O banho, a muda, as situações médicas, o choro, e tudo o que um adolescente teria vergonha de encontrar mais tarde. Uma marca pode pedi-lo porque parece terno num painel de inspiração, e a resposta é um não calmo acompanhado de uma alternativa.
Evite também os detalhes identificadores que sobrevivem a uma campanha: uma farda escolar com um nome, a placa da rua à frente da casa, um nome completo na porta de um quarto. Deslocar a câmara trinta centímetros não custa nada.
A última regra é a mais simples. Se a criança deixar de gostar, a filmagem acabou, e é você que o diz antes de o pai ou a mãe ter de o dizer.



