Bruxelas tem uma camada de agências densa, e a maioria dos criadores na Bélgica acaba por passar por uma. Paga razoavelmente, chega em rajadas, e funciona com regras que ninguém explica no início.

A primeira regra reorganiza todas as outras: a marca não é o seu cliente. O produtor, o diretor criativo ou o gestor de conta que o reservou é o seu cliente, e essa pessoa é julgada por lhe ter facilitado a semana.

Você não trabalha para a marca

Quem o avalia mesmo

Alguém com outras onze coisas a decorrer. Comprometeu-se com uma data de entrega diante de um cliente, escolheu-o a si em vez de outros dois nomes, e a exposição é pessoal.

O que precisa de si não é génio. É que nada descarrile, que responda às mensagens, que os ficheiros cheguem bem nomeados, e que quando algo descarrilar saiba por si antes de saber pelo cliente.

Um criador simplesmente bom e absolutamente fiável é chamado mais vezes do que um criador excelente e vago. Não é cinismo sobre o ofício, é o que quem paga está mesmo a comprar.

O que uma agência compra e o que não paga

O que está a comprarO que isso quer dizer na prática
PrevisibilidadeDatas confirmadas, sem renegociação de última hora
A execução da ideia de outra pessoaO conceito está fechado, o seu trabalho é torná-lo real
Ficheiros que entram no fluxo delaFormatos, codecs e nomes como foi pedido
DiscriçãoNão contacta a marca diretamente
CapacidadeÉ a razão pela qual ela pôde dizer que sim
O que não está a pagarO que fazer com isso
A sua opinião estratégica não pedidaDá-la uma vez, breve, e depois executar
Alterações sem fimCombinar um número por escrito antes de começar
Direitos que não especificouPerguntar qual é o uso, e orçamentá-lo
A sua visibilidadeNegociar o crédito à parte, sem afeto

A quinta linha da primeira tabela é a importante. As agências subcontratam muitas vezes por estarem saturadas, o que significa que a sua disponibilidade é uma grande parte do seu valor, e é uma coisa legítima de cobrar.

O preço de agência não é o preço de cliente

Uma agência tem de ter margem consigo. Não é exploração, é como o modelo funciona, e fingir o contrário leva a más conversas.

Como o colocar

Tenha um preço por dia e faça variar o pacote, nunca o número. Se a agência precisa de um valor mais baixo, reduza o âmbito: menos entregas, menos alterações, sem deslocação, sem urgência.

O que não se faz é anunciar o preço de cliente direto e depois descobrir que a agência esperava menos trinta por cento. Pergunte cedo e com franqueza qual é o orçamento deles para aquele papel. Os produtores respondem a essa pergunta, porque quem a faz é alguém com quem é fácil planear.

Duas coisas justificam um valor mais alto e quase nunca são pedidas: o prazo curto, e tudo o que o põe à frente do cliente. Se precisam de si na filmagem para falar com a marca, está a fazer parte do trabalho deles.

Três cláusulas que aparecem sempre

A exclusividade

Uma agência pode pedir que não trabalhe com uma marca concorrente durante um período. Pode ser razoável, e tem um preço, porque elimina rendimento que poderia ter tido.

Peça duas coisas: uma duração definida e uma lista definida. Uma exclusividade sem data de fim sobre um setor inteiro não é uma cláusula, é uma promessa de ficar parado.

O crédito e o portefólio

Não presuma nada. Muitos projetos de agência não podem ser mostrados, às vezes durante muito tempo, e saber disso depois da entrega é o pior momento possível.

Pergunte antes de começar: posso mostrar isto, quando, e como deve ser descrito. Um sim por escrito com data vale mais do que uma suposição simpática, e a maioria dos produtores dá-o se se perguntar antes em vez de depois.

As condições de pagamento

As agências pagam no ciclo delas, muitas vezes depois de receberem do cliente. Peça as condições por escrito, fature assim que o trabalho for aceite em vez de no fim do mês, e trate um atraso como um facto de planeamento e não como um insulto.

Se um projeto se estende por vários meses, peça para o dividir em etapas com uma fatura em cada uma. Os produtores estão habituados e é muito mais fácil combinar no início do que reclamar a meio.

A vantagem de que ninguém fala

O trabalho de agência ensina como os projetos grandes são realmente conduzidos: como um briefing se torna um calendário, como circulam as aprovações, o que preocupa mesmo um cliente e porque existe um prazo.

Esse conhecimento torna-o bastante melhor com os seus próprios clientes diretos, e é a razão pela qual muitos criadores mantêm uma ou duas relações de agência mesmo quando já não precisam do rendimento. É uma formação em produção que mais ninguém lhe vai pagar para receber.