Combinam uma data. A marca diz que o produto já seguiu. Chega a data, a encomenda não, e é o criador que pede desculpa.

É uma das maneiras mais comuns de um trabalho correr mal, e não tem nada que ver com filmar. Acontece porque duas pessoas usaram a mesma palavra para duas coisas diferentes: a marca falava do dia do envio, e do outro lado ouviu-se o dia em que a teria.

Diga-o uma vez, por escrito

A frase que evita quase tudo é curta. A filmagem acontece um determinado número de dias depois da receção física do produto, não depois de ele ser enviado.

Escrito assim, um atraso deixa de ser culpa de alguém e passa a ser um facto que desloca o calendário. Escrito ao contrário, cada atraso cai em cima de quem segura a câmara.

O que emperra entre a encomenda e a caixa

Uma encomenda vinda de fora da UE

As marcas do Reino Unido, dos Estados Unidos ou do Brasil enviam a toda a hora, e essas encomendas não são tratadas como um envio vindo de Espanha ou da Alemanha. Pode haver uma formalidade a resolver e encargos a pagar, e a pessoa a quem a transportadora se dirige é a que está na morada, ou seja o criador.

Combinem antes quem os suporta e como voltam. Peça à marca a transportadora e o seguimento, e se aparecerem encargos, envie o comprovativo no próprio dia em vez de os absorver em silêncio.

Portugal fica no fim do mapa

Uma encomenda saída da Europa central demora mais a chegar a Lisboa do que a quase qualquer outro sítio da união, e fora das duas grandes cidades a janela de entrega torna-se mais vaga em vez de mais apertada. Se vive no interior ou numa ilha, diga-o quando a data for combinada. Não é uma complicação, é informação que a marca não tem.

O artigo errado, ou um artigo danificado

Chega e é a outra cor, o tamanho pequeno, ou a caixa vem amassada. Fotografe antes de abrir seja o que for, mande as fotografias de imediato, e não comece a filmar um produto que não lhe pediram para filmar. Um criador que improvisa aqui entrega uma coisa inútil e paga-a em alterações.

O que aconteceuQuem paga normalmenteA linha que resolve
Encargos à chegada da encomendaA marca, reembolsados com comprovativoOs encargos de importação são reembolsados com prova
Encomenda atrasadaNinguém, a data desloca-seA filmagem começa N dias após a receção
Referência errada enviadaA marca, com novo envioSó a referência combinada é filmada
Produto danificado no transporteA marca, com fotografiasOs danos são comunicados antes da abertura
Produto não devolvidoCombinado à partidaO produto fica com o criador, ou volta a expensas da marca

A última linha gera mais ressentimento do que todas as outras. Resolva-a antes da filmagem, numa frase, e nunca trate um produto como parte do pagamento.

Os primeiros dez minutos depois de chegar

Três coisas, por esta ordem, antes de tudo o resto.

Filme a caixa fechada durante vinte segundos. Não custa nada, é a única prova do estado em que a encomenda chegou, e muitas vezes é uma imagem que a marca quer de qualquer forma.

Confirme a referência contra o briefing e não contra a sua memória do briefing. Cor, tamanho, variante, quantidade. Quase todos os problemas de artigo errado deste ofício eram visíveis no primeiro minuto e foram notados ao terceiro dia.

Depois confirme a receção por escrito, com a data. Essa mensagem é o que arranca o prazo combinado, e sem ela a contagem começa na data de que a outra pessoa se lembrar.

Pergunte se pode ir buscá-lo

É a vantagem portuguesa e esquece-se. O mercado é pequeno e uma parte surpreendente dos clientes está a distância de carro, ou tem uma loja, um armazém ou um posto perto de si.

Ir buscar o produto elimina o problema todo, acrescenta uma hora à semana, e põe o criador uma vez frente ao cliente antes da filmagem. Essa conversa vale mais do que a hora, porque os briefings ficam claros quando as pessoas se viram.