Tudo o resto que filma tem uma vida útil incerta. Um vídeo de um sérum pode rodar dois anos ou duas semanas, consoante o desempenho.
Um vídeo de um imóvel acaba quando o imóvel se vende. Toda a gente sabe isso no dia da filmagem, e quase ninguém o leva à fatura.
Duas encomendas debaixo de uma só palavra
Uma agência diz que precisa de vídeo. São dois produtos diferentes e comportam-se ao contrário.
O imóvel, que é perecível
Um apartamento, filmado para ser vendido, útil até o ser. Se o mercado estiver a mexer, pode viver três semanas. A agência vê aquilo como um custo de venda, medido contra a comissão daquela unidade, e é por isso que parece apertado em comparação com o trabalho de marca.
Aceite-o pelo que é: rápido, repetível, faturado à unidade e não à ideia. A eficiência é o jogo todo. Um criador que filma e monta um apartamento numa manhã ganha dinheiro aqui, e quem trata cada um como projeto criativo não.
A agência, que não é
A pessoa, a maneira como trabalha, o bairro explicado, o que acontece depois de uma proposta. Isto sobrevive a todas as vendas da carteira, é o que faz um vendedor escolher aquele agente e não o agente idêntico do lado, e é encomendado muito menos porque ninguém pede.
É aí que está a abertura. Vender só vídeos de imóveis é recomeçar do zero todos os meses; vender a camada da agência cria a relação recorrente que torna este vertical interessante.
| O que está a filmar | Quanto tempo vive | Para quem é na verdade | Como faturar |
|---|---|---|---|
| Um imóvel | Até se vender | O comprador daquela unidade | À unidade, depressa, em série |
| O próprio agente | Anos | Futuros vendedores a escolher | Como uma encomenda a sério |
| O bairro | Anos, com retoques | Quem decide onde viver | Uma vez, reutilizado em tudo |
| Uma venda contada | Anos | Vendedores que hesitam | O maior valor dos quatro |
A terceira linha é a que rende em silêncio. Uma peça bem feita sobre um bairro concreto não expira quando um apartamento se vende, e uma agência pode pendurá-la em todos os anúncios daquela zona durante anos. É o mais parecido com um produto que um criador consegue vender a este setor.
O que não é seu para filmar
A agência encomendou-lhe, e a agência não é dona do apartamento.
Há um vendedor, às vezes um ocupante, às vezes inquilinos que não escolheram nada disto. As coisas deles, as fotografias deles, o correio em cima da mesa estão no seu enquadramento e nunca foram acordados. A regra que simplifica tudo: filme o espaço, não a vida lá dentro, e tire o que é pessoal do plano antes de começar em vez de o resolver na montagem.
Pergunte à agência quem aceitou o quê, e se o ocupante vai estar. Essa pergunta é normal, leva dez segundos, e evita a entrega que não pode sair porque as fotografias de família de alguém estão no plano.
A autorização para estar no prédio é outro assunto e é a agência que o trata, tal como em qualquer local privado.
As frases que não deve escrever
Tudo o que toca no preço, na rentabilidade, no potencial de investimento ou na rapidez de venda pertence à agência e ao enquadramento profissional em que ela opera.
Você filma, não aconselha, e a diferença conta aqui mais do que na maioria dos verticais porque os valores são grandes e o comprador está a tomar a maior decisão do ano dele. Recolha as afirmações junto da agência por escrito, use as palavras dela, e devolva tudo o que lhe pedirem para dizer que soe a promessa.
A versão segura é quase sempre descrição e não afirmação: o que é a divisão, de onde entra a luz, a que distância fica a estação. Nada disso envelhece mal nem precisa de ser aprovado duas vezes.
Transformar isto numa relação
As agências são compradores recorrentes por natureza, porque o stock delas se renova sem parar.
Orçamente o trabalho por imóvel a uma tarifa que consiga manter em volume, e proponha ao lado uma peça de agência e uma peça de bairro. O trabalho por imóvel paga este mês, as outras duas são o que fará a agência ligar-lhe antes de toda a gente no ano seguinte.
O agente muda de casa e leva-o consigo
Em Portugal isso pesa mais do que a conta sugere. Os agentes mudam de agência com frequência e levam os seus fornecedores, portanto a relação construída com uma pessoa sobrevive à insígnia do letreiro.
Também quer dizer que um mau mês com uma agência quase nunca é o fim de coisa nenhuma, e que um bom mês pode seguir alguém ao longo de duas ou três mudanças.
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Perguntas frequentes
Devo cobrar menos porque o vídeo vive pouco?
Não, cobre o trabalho e não a sobrevivência dele. O que a vida curta deve mudar é a sua velocidade, não a sua tarifa.
O agente quer aparecer em todos os vídeos. É um problema?
Só se substituir o imóvel. Uma passagem curta do agente no início funciona bem e constrói a camada que se repete, desde que o apartamento continue a ser o assunto.
E se o imóvel se vender antes da entrega?
Acontece, e é a razão para faturar na entrega e não na publicação. Diga-o no orçamento, porque a agência também não vai pensar nisso.
São precisas imagens diferentes para um arrendamento?
Mais curtas e mais práticas, em geral. Um comprador imagina uma vida, um inquilino verifica se aquilo funciona na segunda-feira de manhã.