Filmar UGC com o telemóvel: luz, enquadramento, som e montagem no telemóvel, conselhos acessíveis para o Brasil.

O seu telemóvel chega para começar

Seis razões, todas verificáveis.

As marcas compram uma prova de uso, não uma imagem de estúdio: um resultado demasiado cuidado reduz até a eficácia.

As plataformas comprimem muito o vídeo, o que apaga boa parte da diferença entre aparelhos.

O formato vertical a toda a imagem é nativo no telemóvel.

A montagem faz-se no mesmo aparelho, o que suprime a transferência de ficheiros.

Um telemóvel segura-se, pousa-se e desloca-se num segundo, o que multiplica os ângulos.

E o dinheiro não gasto em equipamento financia os produtos que filma para construir o portefólio.

Use a luz brasileira a seu favor

Seis regras adaptadas ao clima.

Evitar o sol a pique do meio-dia: cava os olhos e queima os brancos.

Filmar ao fim da manhã ou a meio da tarde, quando a luz chega de lado.

Colocar-se de frente para uma janela, nunca de costas.

Usar a sombra de uma parede ou de uma porta como difusor natural, aí a luz é suave e constante.

Fechar as cortinas brancas em vez de acrescentar um candeeiro: fazem o mesmo trabalho.

E evitar a mistura de luz do dia com lâmpada amarela, que dá um tom esverdeado impossível de corrigir.

Enquadramento e fundos

Seis ajustes que fazem o vídeo parecer profissional.

O telemóvel à altura dos olhos, nunca em contrapicado.

Espaço acima da cabeça, mas não demasiado: o rosto ocupa o terço superior.

Um fundo real mas arrumado, com um ou dois objetos que situem o lugar.

Profundidade atrás de si: uma parede colada às costas achata a imagem.

O produto seguro à altura do rosto quando o mostra, não mais abaixo.

E o enquadramento verificado antes de cada tomada, porque um objeto incómodo nota-se sempre na montagem.

O som: a metade que toda a gente esquece

Seis gestos que resolvem o som sem microfone.

Filmar numa divisão com tecido: cortinas, cama, sofá, roupa.

Desligar a ventoinha e o ar condicionado durante a tomada, mesmo que seja preciso filmar em sequências curtas.

Aproximar-se: a um metro, o microfone do telemóvel é aceitável, a três metros já não.

Fechar a janela do lado da rua, e filmar fora das horas de trânsito.

Gravar três segundos de silêncio antes de falar, o que permite limpar o fundo na montagem.

E ouvir a primeira tomada com auscultadores antes de continuar, porque um defeito de som não se recupera.

Montar diretamente no telemóvel

Seis etapas, vinte minutos por vídeo.

Cortar o princípio e o fim, muitas vezes um segundo a mais de cada lado.

Tirar as hesitações pondo um plano de corte por cima.

Acrescentar as legendas automáticas, e depois corrigi-las à mão, em particular os nomes de produtos.

Colocar o texto longe das zonas de interface, em cima e em baixo, onde os botões da plataforma o tapam.

Exportar na vertical, numa definição razoável em vez do máximo, o que acelera o envio.

E nomear o ficheiro com a marca, o formato e a data, porque é o primeiro que o cliente verá.

Os ajustes que mudam o resultado

AjusteO que escolherPorquê
A definição1080p a 30 imagensFicheiros leves, um aspeto natural
A focagemBloqueada no sujeitoDeixa de saltar durante a tomada
A exposiçãoBloqueada tambémAcabaram as variações de luminosidade

O que conta mais do que o telemóvel

A distância ao microfone. Trinta centímetros e uma divisão mobilada valem mais do que um aparelho mais caro num corredor vazio, e não custa nada.

O que se verifica antes de cada sessão

O espaço de armazenamento, a bateria, a limpeza da objetiva, e o modo avião. Quatro pontos em vinte segundos que salvam uma manhã de filmagem.

A prática é o verdadeiro equipamento

Cinco hábitos que fazem progredir mais depressa do que qualquer compra.

Filmar um vídeo por dia durante um mês, mesmo sem cliente.

Repetir três vezes a mesma tomada e ficar com a terceira, nunca com a primeira.

Ver os próprios vídeos sem som, para ver o que vê um espetador que passa a rolar.

Comparar um dos seus vídeos com uma publicidade que funciona, plano a plano.

E comprar, quando uma compra se torna útil, por esta ordem: um suporte estável, depois um microfone de lapela, depois uma luz. Nunca um telemóvel novo primeiro.

Uma última referência: no Brasil como noutro lado, o que distingue um vídeo utilizável de um vídeo recusado quase nunca é o aparelho. É uma imagem que não mexe sozinha, um som limpo e um enquadramento escolhido. Essas três coisas são gratuitas.