Um vídeo volta do criador. Uma pessoa vê-o e ele vai para o ar. Duas pessoas veem-no e há uma discussão curta. Três pessoas veem-no e há uma semana de mensagens, uma versão de compromisso, e um resultado que ninguém teria escolhido sozinho.
Não é um problema português, mas a forma como aparece cá é própria, porque a maioria das empresas deste mercado é pequena o suficiente para o evitar por completo e não o faz.
Duas configurações, dois defeitos diferentes
O fundador que decide tudo
Frequente neste mercado e no geral bom. As decisões são instantâneas, não há comissão, e um vídeo aprova-se numa tarde.
O defeito é o briefing que falta. Quando uma só pessoa tem a imagem toda na cabeça, nada fica escrito, e o criador trabalha a partir de uma conversa em vez de um documento. O resultado são rondas de alterações causadas por expectativas que ninguém enunciou, ou seja o mesmo atraso a chegar por outro caminho.
A comissão que se formou sozinha
Ninguém a organizou. Mostrou-se o vídeo a um colega, depois a outro, depois alguém de cima ouviu falar, e agora quatro pessoas têm opinião e nenhuma é dona do resultado.
O defeito aqui é aritmético. Cada revisor acrescenta o seu próprio tempo de resposta, e as respostas não são paralelas, porque a segunda pessoa espera para ver o que disse a primeira.
A regra que resolve as duas
Um aprovador com nome, que leu o briefing antes da filmagem.
As duas metades contam. Com nome, para o criador saber de quem vem a resposta final. Que leu o briefing antes da filmagem, porque um aprovador que descobre o conceito na entrega não está a aprovar, está a fazer um novo briefing com o dinheiro já gasto.
| Configuração | Tempo até uma decisão | O defeito típico |
|---|---|---|
| Uma pessoa que escreveu o briefing | Horas | Muito poucos |
| Uma pessoa que nunca viu o briefing | Dias | Um novo briefing disfarçado de retorno |
| Duas pessoas de acordo à partida | Um dia | Gerível |
| Três ou mais, reunidas informalmente | Uma semana ou mais | Um compromisso que ninguém queria |
| Um grupo sem decisor nomeado | Sem fim | O projeto encalha em silêncio |
A última linha merece ser nomeada porque acontece sem ninguém a decidir. Um vídeo que ninguém recusou e ninguém publicou é o resultado mais caro desta tabela, e esse custo não aparece em relatório nenhum.
O que o aprovador tem de ter visto
Três coisas, nenhuma delas demorada: o briefing, a lista do que vai ser entregue, e a data prevista. Envie-as no dia em que a filmagem é marcada, não no dia em que o ficheiro chega.
Um aprovador com essas três coisas responde sobre um vídeo em dez minutos. Um que não tem nenhuma responde com perguntas, e são as perguntas que fazem o atraso.
O que dizer ao criador
Diga quem aprova, e diga-o na primeira mensagem. Os criadores organizam a semana à volta da velocidade de aprovação, e quem anda nisto há algum tempo mete uma cadeia lenta no orçamento, mencione ou não.
Diga também se o retorno vai vir consolidado. Uma mensagem com tudo lá dentro vale mais do que quatro opiniões soltas, e ao cliente só custa a disciplina de esperar um dia.
Quando mais gente tem mesmo de ver
Há material que precisa mesmo de um segundo par de olhos: tudo o que contenha uma afirmação, tudo o que toque numa atividade regulada, tudo aquilo em que apareça alguém que não o criador.
Isso é uma revisão e não uma aprovação, e a distinção é útil. Um revisor verifica uma coisa concreta e diz sim ou assinala. Um aprovador decide se o vídeo sai. Confundir os dois é como um controlo jurídico se transforma numa opinião sobre a música.



