Um portfólio não é uma galeria das suas imagens mais bonitas. É uma prova, e uma prova responde a uma pergunta precisa: esta pessoa consegue gravar o meu produto?
Na Costa Rica essa prova esbarra num obstáculo inesperado, e ele vem do que o país tem de mais bonito.
O cenário magnífico joga contra você
Você tem a poucos minutos de carro praias, floresta, uma luz que outros pagam caro para ir buscar. A tentação é evidente: gravar onde é bonito.
O problema é o que o comprador conclui. Ele vê conteúdo de viagem, não uma demonstração de produto. Fica se perguntando se você sabe gravar um creme numa bancada, um aplicativo num celular, uma roupa num quarto comum, e nada no seu portfólio diz isso a ele.
O cenário espetacular captura a atenção no lugar do produto. É exatamente o contrário do que uma marca compra.
O que um portfólio precisa provar, em ordem
Que o produto continua legível. Vê-se o rótulo, a textura, o gesto. Uma imagem bonita na qual não se distingue o produto não prova nada.
Que você domina um formato. Vertical, duração curta, um gancho nos primeiros segundos. Uma edição horizontal de dois minutos indica que você não trabalhou para este mercado.
Que você sabe falar. Pelo menos uma peça com a sua voz, em condições reais, sem música para tapar buracos.
Que você entrega limpo. O som é nítido, a imagem não está estourada, não há um corte brusco no fim.
A questão do idioma
Uma parte importante da demanda vem de fora do país. Um portfólio que contém um só idioma fecha portanto metade do mercado sem perceber.
Duas peças em espanhol, uma em inglês, e você responde aos dois tipos de comprador. Não é uma questão de nível perfeito, é uma questão de prova: quem vende em inglês precisa saber que você consegue.
Como construí-lo quando ninguém ainda pagou você
Grave produtos que você já tem, tratando-os exatamente como um pedido: uma orientação escrita, uma duração imposta, um prazo que você mesmo se dá.
Não minta sobre o estatuto dessas peças. Ninguém pergunta se foi pago; olha-se se é utilizável. Uma peça de treino bem feita vale mais que um pedido real mal editado.
Três peças bastam para começar a se candidatar. Seis bastam para não precisar mais se desculpar.
A manutenção, que conta mais que a construção
Uma peça acrescentada por mês, a mais antiga retirada. Um portfólio cuja última peça tem um ano diz que você parou, mesmo que seja falso.
E organize por categoria, não por data. Quem procura alguém para um produto de beleza quer ver as suas peças de beleza de imediato, não percorrer o seu histórico.
O que leva um exemplo que consegue trabalho aqui
Sete componentes.
Um produto que se vende mesmo no país.
Um ambiente que não pareça um estúdio.
Um gancho que entre em dois segundos.
Legendas que funcionem com o som desligado.
Um plano próximo que mostre como a coisa é feita.
Um final que diga o que fazer a seguir.
E uma duração inferior a trinta segundos.
O que cada exemplo deve cobrir
| Exemplo | O que demonstra | Formato |
|---|---|---|
| Um | Uma demonstração de produto clara | Vertical, 30 s |
| Dois | Uma opinião à câmara credível | Vertical, 20 s |
| Três | Um uso sem palavras | Quadrado, 15 s |
O que se atualiza a cada trimestre
O primeiro exemplo visível, a faixa de preços, a língua acrescentada e a data da última atualização.
O que se retira sem pena
Um exemplo com mais de um ano, uma categoria que já não visa, um vídeo cujos direitos já não tem.
O que faz fechar a página em três segundos
Um link que pede autorização de acesso. Um vídeo que demora a rodar porque o arquivo é pesado demais. Uma página que não diz nem o que você faz, nem onde está, nem quanto custa.
Teste o seu próprio link num celular que você nunca usa, fora da sua rede habitual. É a única forma de ver o que o comprador vê.



