Precificar UGC na Argentina traz uma complicação que não existe em outros lugares: o valor do seu trabalho muda entre o dia do orçamento e o dia do recebimento. Resolver isso é metade do trabalho. A outra metade é entender que você não vende um vídeo, vende um vídeo mais uma licença.

Orçar em dólares, faturar em pesos

É a prática mais difundida entre quem vive disso, por um motivo simples: protege os dois lados. Você não perde valor se o pagamento atrasar, e o cliente sabe exatamente o que está comprando.

A fórmula é direta: o preço é acordado em dólares, a fatura sai em pesos pelo câmbio do dia, e isso fica por escrito antes de começar. Não é preciso um contrato de dez páginas: uma mensagem com o escopo, o preço, a data de entrega e a regra de conversão basta.

Faixas de referência

Estes números são ponto de partida, não tabela fixa. Seu nicho, sua qualidade e sua capacidade de negociar movem o ponteiro.

ServiçoFaixa de referência
ComeçandoSem portfólio nem referências: o equivalente a 30 a 60 dólares por vídeo.
Com portfólio sólidoE clientes recorrentes: 80 a 200 dólares por vídeo.
Pacotes de três a cinco vídeosEntre 250 e 600 dólares.
Clientes internacionaisAcima dessas faixas, normalmente de 80 a 250 dólares por peça.

Clínicas, o setor de tecnologia e marcas de ticket alto pagam mais que o comércio de bairro, porque o que ganham com um cliente novo justifica o investimento.

O que se cobra à parte

Aqui está o dinheiro que a maioria deixa na mesa. Criar o vídeo é uma coisa. O direito de usá-lo é outra, e se orça separadamente.

  • Uso orgânico nas contas da marca: em geral incluído.
  • Mídia paga: cobrada à parte, normalmente de 30 a 100 por cento do valor base conforme duração e países.
  • Exclusividade na sua categoria: se paga, porque impede você de trabalhar com a concorrência.
  • Whitelisting, ou seja, anunciar a partir da sua conta: é outro produto, com preço próprio.
  • Material bruto: se pedirem, cobra-se.

Escrever essas linhas no orçamento muda a conversa. Você não está pedindo mais dinheiro: está vendendo mais coisas.

Erros caros de precificação

Cobrar por hora em vez de por entregável, porque o cliente não compra seu tempo. Aceitar permuta por produto num trabalho que vai para mídia paga, porque seu vídeo vai gerar vendas que valem muito mais que o produto. E baixar o preço na primeira objeção sem tirar nada do escopo: se o preço cai, o entregável cai.

Como subir de faixa

Três alavancas concretas. Especializar-se num nicho, porque um criador de skincare cobra mais que um generalista. Entregar variações em vez de uma versão única, já que a marca compra material para testar. E mirar no cliente internacional, que paga em dólares e para quem sua tarifa argentina continua competitiva.

Por onde continuar

O preço na Argentina se sustenta em duas coisas: uma regra de conversão clara e uma licença bem vendida. Nosso guia sobre como ser criador de UGC explica como montar o portfólio que justifica esses números.