Um número. Quando um criador diz quanto custa uma noite num vídeo para um hotel ou para um alojamento de férias nos Estados Unidos, a regra da Federal Trade Commission (a FTC, a autoridade federal da concorrência e do consumidor) sobre taxas abusivas ou enganosas exige que esse número seja o preço total, "inclusive of all mandatory fees" (com todas as taxas obrigatórias incluídas), e que seja apresentado com mais destaque do que a maior parte da restante informação de preços. A FTC anunciou a regra em dezembro de 2024 para dois setores, a live-event ticketing (a bilhética de eventos ao vivo) e o short-term lodging (o alojamento de curta duração), descreveu-a como uma regra para proibir o bait-and-switch (o preço isco seguido de troca) e outras táticas usadas para esconder os preços totais e enterrar as junk fees (as taxas parasitas), e fixou a sua entrada em vigor 120 dias depois da publicação no Federal Register (o jornal oficial federal). Um criador que diz "a partir de $149 por noite" sobre um plano da piscina, quando a taxa de resort e a taxa de limpeza levam o preço real para lá dos $220, pôs o número errado no lugar mais visível do anúncio.
O mercado hoteleiro em si, os dias no local, as estadias oferecidas, os espaços que autorizam a filmagem, é o assunto dos guias de Las Vegas e de Nashville desta série. O que se segue é a única regra que mudou o que um vídeo de criador para a hotelaria pode dizer sobre dinheiro, e a divulgação que rege a estadia oferecida por trás de tantos deles.
A regra do preço total
O que a regra exige
O anúncio da FTC descreve três exigências. As empresas têm de divulgar de forma clara e visível o verdadeiro preço total, com todas as taxas obrigatórias incluídas, sempre que oferecem, apresentam ou anunciam qualquer preço de bilhetes para eventos ao vivo ou de short-term lodging. Não podem deturpar nenhuma taxa ou encargo em nenhuma oferta, apresentação ou anúncio. E têm de apresentar o preço total com mais destaque do que a maior parte da restante informação de preços, o que a FTC explica assim: o preço mais visível num anúncio tem de ser o total com tudo incluído, e uma discriminação verdadeira das parcelas é aceitável desde que não ofusque o total real. As empresas que excluem à partida taxas admissíveis, os exemplos da FTC são os portes e os impostos, têm de divulgar de forma clara e visível a natureza, a finalidade, a identidade e o montante dessas taxas antes de o consumidor consentir em pagar.
Porque é que um vídeo de criador é um anúncio de um preço
A regra alcança qualquer oferta, apresentação ou anúncio de um preço de short-term lodging. Um vídeo de criador que diz uma tarifa por noite, mostra uma no ecrã, ou lê um preço promocional a partir do briefing da marca está a anunciar um preço, e a marca que o encomendou é a empresa a quem a regra se dirige. Ao contrário do preço de um anúncio impresso, que é escrito pela equipa de receitas, o preço de um criador é muitas vezes improvisado a partir da página de reservas que o criador consultou nessa manhã, antes de as taxas serem acrescentadas. O briefing tem de fornecer o número, e o número tem de ser o total.
O que a regra não faz
A regra não limita as taxas, não as proíbe, nem decide quanto deve custar uma noite; decide o que o número anunciado tem de incluir. O anúncio da FTC também nota que os setores para lá da bilhética e do alojamento continuam sujeitos à proibição geral de preços enganosos, aplicada caso a caso, o que significa que um operador turístico, um restaurante ou um spa no mesmo vídeo não está sob a regra do alojamento, mas está sob a regra comum contra as taxas enganosas. E este guia não enuncia a data de entrada em vigor da regra nem a sua história posterior: o anúncio diz 120 dias depois da publicação, e uma marca deve ler o texto em vigor antes de dar um preço num briefing.
| O que o criador diz | O que a regra faz com isso | O que o briefing fornece |
|---|---|---|
| "A partir de $149 por noite" com as taxas obrigatórias excluídas | Um preço que não é o total, no lugar mais visível | O total por noite com tudo incluído, e o mesmo número no ecrã |
| "$220 por noite, impostos à parte" | Um total com uma exclusão admissível nomeada no anúncio; a divulgação da natureza, finalidade, identidade e montante dessa exclusão é devida antes de o consumidor introduzir os dados de pagamento, trabalho do checkout e não do vídeo | A exclusão nomeada ao lado do preço, e um checkout que a divulga |
| "Sem taxas escondidas" | Uma alegação sobre taxas que tem de ser verdadeira no checkout | A verificação de que nada de obrigatório aparece mais tarde |
| Uma captura de ecrã de uma tarifa num site de reservas | Um preço apresentado | O total que o site cobra de facto, não a tarifa de chamada |
Bilhetes e eventos, a outra metade da regra
A regra cobre a live-event ticketing com as mesmas palavras que o alojamento, e os criadores da hotelaria encontram-na muitas vezes: um espetáculo, um festival, um concerto, uma festa na piscina com bilhete; o que conta como evento ao vivo é uma questão do texto da regra, que este guia não enuncia. Um criador que diz "os bilhetes custam $40" para um evento cuja taxa de serviço e taxa de instalação levam o preço real para lá dos $55 anunciou um preço que não é o total, e um espaço ou um promotor que deu esse número no briefing é a empresa a quem a regra se dirige. O guia de Las Vegas descreve a economia das convenções e dos espetáculos do lado do criador; sobre o dinheiro, aplicam-se as mesmas três exigências, o preço total com as taxas obrigatórias incluídas, nenhuma taxa deturpada, e o total apresentado com mais destaque do que a maior parte da restante informação de preços, pelo que um briefing para um vídeo de evento fornece o preço do bilhete com tudo incluído e nada mais.
A estadia oferecida, e a divulgação que a acompanha
Muito conteúdo de criadores na hotelaria começa com um quarto gratuito, uma refeição gratuita ou um bilhete gratuito. As orientações da Federal Trade Commission para influencers tratam uma estadia ou uma regalia gratuita recebida para que o criador publique sobre ela como uma material connection (uma ligação material), pedem que a divulgação seja clara, colocada junto da recomendação e difícil de não ver, e, num vídeo, no próprio vídeo e não apenas na descrição. Acrescentam que a divulgação é devida mesmo quando a marca nunca pediu uma menção: uma oferta é uma ligação, quer uma publicação tenha sido pedida quer não. O guia de Las Vegas descreve o lado comercial, quartos, refeições e bilhetes oferecidos como a moeda corrente do mercado; o lado da conformidade é que a oferta é divulgada em cada vídeo que ela produziu, incluindo o filmado na última manhã.
O que o vídeo diz sobre o quarto
O resto de um vídeo de hotelaria são alegações sobre o lugar, e elas caem sob o padrão comum: a vista, a distância à praia, as comodidades, o que está incluído. Cada uma tem de ser verdadeira para o quarto que o espectador vai receber, não apenas para a suíte que foi dada ao criador. Uma marca que faz um upgrade do criador para o melhor quarto da casa e deixa o vídeo dar a entender que todos os hóspedes o recebem fez uma alegação sobre uma experiência típica que o quarto standard não sustenta. O briefing honesto nomeia a categoria do quarto no ecrã, ou filma o quarto a que o preço se refere.
O briefing, linha a linha
- Fornecer o preço que o criador pode dizer, como total com tudo incluído para a categoria de quarto mostrada, e proibir qualquer outro número.
- Se uma taxa admissível for excluída, os exemplos da FTC sendo os portes e os impostos, nomear a exclusão no guião ao lado do preço, e verificar que o checkout divulga a sua natureza, finalidade, identidade e montante antes do passo de pagamento, que é onde a regra coloca essa divulgação.
- Nomear a categoria do quarto no ecrã quando o quarto do criador não é aquele a que o preço se refere.
- Escrever a divulgação da oferta no briefing e verificá-la em cada vídeo, as orientações da FTC aplicando-se quer uma publicação tenha sido pedida quer não.
- Pedir à equipa de receitas, e não apenas ao marketing, que veja a versão final: é a equipa que sabe o que o checkout cobra de facto.
Fontes
- Federal Trade Commission, Federal Trade Commission Announces Bipartisan Rule Banning Junk Ticket and Hotel Fees (December 17, 2024)
- Federal Trade Commission, Disclosures 101 for Social Media Influencers
Verificado a 20 de setembro de 2026. Este guia não é aconselhamento jurídico. Em caso de divergência entre este guia e a fonte oficial, prevalece a fonte oficial.



