Uma rotina filmada julga-se num segundo: ou se acredita que a pessoa faz aquilo todos os dias, ou não se acredita.

Coloque o produto, não o exponha

É a regra de base do formato.

O produto entra no enquadramento porque está a ser usado, não porque está a ser apresentado. Não está virado para a objetiva, não é segurado à altura do rosto, e o rótulo não está orientado para ser lido.

Uma só exceção: um plano curto, limpo, onde se vê o nome, colocado no momento em que a pessoa pega no objeto. Esse plano serve a marca e não parte a cena, desde que dure um segundo e não se repita.

O horário espanhol muda tudo

É a particularidade local, e os briefings vindos de fora ignoram-na muitas vezes.

Os dias não se dividem como noutros sítios: a refeição do meio-dia chega tarde, a da noite ainda mais tarde, e uma saída que começa às dez da noite é uma saída normal.

Duas consequências. Uma rotina de noite filmada com luz de dia não corresponde a nada, e uma rotina de manhã que pressupõe um pequeno-almoço farto às sete também não.

A regra: filme à hora que anuncia, ou não anuncie hora. A luz atrás da janela é o primeiro elemento que o espectador verifica.

Menos planos gerais, mais gestos

Um plano geral mostra uma divisão, um grande plano mostra uma ação.

Este formato vive de gestos: abrir, doseá, aplicar, fechar, arrumar. São eles que dão a textura, o som, a matéria, e são eles que provam o uso.

O ritmo útil é simples: um plano geral para situar, depois uma série de planos próximos. Muitos criadores fazem o contrário e perdem a atenção em dez segundos.

Junte o som direto. O barulho de uma tampa, de um doseador, de um tecido vale mais do que qualquer música.

Fale pouco e concretamente

O comentário não é uma explicação, é uma informação.

O que há a dizer são três coisas: o que faz, porque o faz assim, e o que notou ao fim de vários dias.

O que não se deve dizer: os adjetivos, as promessas de resultado e as frases de marca. Qualquer afirmação sobre um efeito, uma composição ou um benefício é uma alegação, e compromete a marca; o que pode ser dito depende do produto e verifica-se com um jurista, antes da rodagem.

Junte o silêncio. Uma rotina que fala sem parar parece uma publicidade, uma rotina em que se ouve um gesto parece uma rotina.

O que as marcas pedem ali

Quatro expectativas concretas.

Uma versão com a menção publicitária visível desde o início, conforme às obrigações aplicáveis à sua situação, verificadas com um jurista antes da publicação.

Um master sem texto incrustado, para poder declinar.

Um plano de produto limpo, isolado, utilizável numa ficha.

E uma duração real: a rotina não é acelerada na parte que conta, senão o gesto torna-se inverificável.

O que cada etapa tem de provar

EtapaO planoO que demonstra
O inícioA mesa preparada, vista de cimaQuantos produtos se usam
O meioO gesto, numa só tomadaO tempo real que leva
O fimO resultado, sem corteO que mudou

O que se filma numa só sessão

Toda a rotina seguida, pela ordem real. Filmar cada produto num dia diferente dá luzes que não ligam.

O que se diz sem exagerar

A frequência real, a duração de uso antes de julgar, e a ausência de resultado garantido, a confirmar com um jurista se o produto toca na saúde.

O teste antes de entregar

Veja o seu vídeo sem som, num telemóvel, com brilho médio.

Se se percebe o que faz, se o produto é identificável e se nada no cenário soa falso, o vídeo está pronto. Se não, o problema quase nunca é a montagem: está no enquadramento, e corrige-se antes da próxima tomada.

Fontes

Verificado em 4 de setembro de 2026. Limites e alíquotas mudam: se este guia e a fonte oficial divergirem, vale a fonte oficial.