Passar de dois vídeos por mês para vinte não exige mais talento: exige regras escritas uma vez, e depois respeitadas sem pensar.

Resolva primeiro o modelo de briefing

É o que quebra primeiro quando o volume sobe.

Um briefing diferente em cada encomenda produz vídeos diferentes, revisões, e uma carga de coordenação que devora a equipa.

Um modelo único, preenchido em dez minutos, contém sempre os mesmos campos: o produto e a referência, a pergunta a que o vídeo responde, os formatos entregues, a lista de afirmações autorizadas, a lista de palavras proibidas, a data de entrega, e os direitos.

Esse documento deixa de mudar. Só muda o conteúdo.

Construa um viveiro, não uma lista

É a diferença entre procurar alguém e telefonar a alguém.

Um viveiro são dez a quinze criadores já testados, com para cada um: a categoria que filmam bem, o prazo habitual, a tarifa, o local, e a língua das versões.

Construa-o num período calmo, com um pequeno trabalho pago para cada um, em vez de à pressa no momento de um lançamento.

O ganho não é o preço: é o tempo. Uma encomenda feita a quem já conhece o seu modelo de briefing sai no próprio dia.

Padronize a entrega

Quatro exigências, escritas de uma vez por todas.

Um master sem texto incrustado e sem música.

Os formatos entregues em separado, verticais e quadrados, a partir das mesmas tomadas.

O material bruto, ou pelo menos as tomadas não usadas dos três primeiros planos.

E o respeito pela convenção de nomes descrita acima.

Essas quatro linhas eliminam metade das idas e voltas de uma produção em volume.

Agrupe as rodagens, escalone as publicações

É o princípio que faz descer o custo sem tocar na qualidade.

Dez produtos filmados no mesmo dia, no mesmo cenário, com a mesma pessoa, custam muito menos do que dez rodagens separadas. A publicação, essa, estende-se por dois meses.

Duas regras práticas. Evite filmar tudo com uma só pessoa: três rostos diferentes num lote dão uma variedade que o público perceciona.

E guarde um dia de rodagem livre por mês, para as urgências e os produtos que chegam atrasados.

Aquilo em que a validação tem de se tornar

Um horário fixo, não uma conversa permanente.

Uma pessoa nomeada, um momento fixo na semana, uma resposta em três opções: validado, a corrigir com a lista de correções, ou recusado com o motivo.

Sem isso, a produção acelera e a validação torna-se o muro contra o qual tudo se acumula.

O que se fixa e o que fica livre

ElementoFixadoLivre
O cenárioDois fundos em rotaçãoO objeto pousado neles
A montagemUm modelo de cortes e títulosO texto dito
As exportaçõesUm conjunto de formatos com o mesmo nomeNada

O que produz um dia bem preparado

Seis a oito vídeos curtos, desde que os produtos sejam preparados na véspera, o cenário montado uma só vez e os guiões escritos antes de ligar a câmara.

O que quebra a cadência sem se ver

Procurar um acessório durante a filmagem, mudar de divisão entre duas tomadas, refazer a colorimetria em cada montagem. Três hábitos que custam meio dia por semana.

O sinal de que a industrialização aguenta

É simples e verifica-se com uma pergunta.

Consegue encomendar um vídeo, recebê-lo, validá-lo e colocá-lo em linha sem que seja preciso tomar qualquer decisão nova.

Se cada encomenda ainda exige um arbítrio, não é um problema de volume: é que o modelo de briefing, a convenção de nomes ou o horário de validação ainda não existe.

Verifique por fim, uma vez por trimestre, a data de fim dos direitos de cada lote. A vinte vídeos por mês, é a única maneira de saber o que ainda pode ser difundido, e o que tem de ser retirado.