Muitos criadores iniciantes no Brasil nunca enviam a primeira proposta por causa de um único número: a quantidade de seguidores. Parece lógico que as marcas só contratem quem já tem audiência. No UGC, essa lógica é simplesmente falsa. O conteúdo gerado por usuários é comprado pelo que ele é, um vídeo ou uma foto, e não por quantas pessoas o veem no seu perfil pessoal.

Se você está começando do zero no Brasil, essa é a coisa mais importante a entender antes de qualquer outra. Aqui está o porquê de os seguidores não importarem, como criadores brasileiros de verdade começam sem audiência nenhuma e o que as marcas avaliam de fato antes de contratar você.

UGC não é marketing de influência

A confusão entre UGC e marketing de influência é o principal motivo pelo qual as pessoas acham que precisam primeiro de uma audiência. Um influenciador publica conteúdo no próprio perfil e cobra pelo alcance daquela publicação. Um criador UGC entrega o conteúdo para a marca, e é a marca que publica nos canais dela: anúncios pagos no Instagram, TikTok e YouTube, o feed da própria marca, páginas de produto em marketplaces, páginas de venda.

Como o vídeo roda na conta da marca, a sua audiência nunca entra na conta. O time de mídia por trás da campanha se importa com uma única pergunta: esse vídeo performa? Ele para o scroll, parece autêntico e faz alguém considerar o produto? Um criador com 80 seguidores consegue produzir esse vídeo tão bem quanto um criador com 80 mil. Em muitos casos, até melhor, porque UGC precisa parecer um cliente de verdade falando, não uma propaganda polida com celebridade.

Por que o Brasil é um bom lugar para começar do zero

O brasileiro passa boa parte do dia assistindo a vídeo vertical curto, e empresas de todos os tamanhos foram atrás dele. Lojas de e-commerce, apps de delivery, fintechs, marcas de beleza e moda, suplementos: todas rodam anúncios de performance em português e precisam constantemente de criativos novos, porque anúncio satura e precisa ser trocado.

Essa demanda é recorrente por natureza. Uma marca que encontra um criador confiável volta mês após mês, o que significa que o segundo e o terceiro trabalho costumam ser mais fáceis de conseguir do que o primeiro.

Existe ainda outra vantagem que não tem nada a ver com tamanho de audiência. A maior parte dessa demanda é por conteúdo em português brasileiro natural, gravado por alguém que fala como o cliente de verdade. Um criador local já fala a língua do comprador, com o sotaque, as gírias e as referências culturais que fazem um anúncio parecer real. Nenhuma agência estrangeira consegue imitar isso.

O que as marcas avaliam de verdade

Quando uma marca brasileira analisa um novo criador UGC, o checklist não tem nada a ver com alcance. O que faz você ser contratado:

  • Qualidade do portfólio: de dois a cinco vídeos de exemplo que mostrem que você sabe filmar, falar e estruturar um conteúdo.
  • Presença diante da câmera: você soa natural, não decorado, e sua energia combina com o produto.
  • Domínio do formato: um gancho nos primeiros segundos, uma demonstração clara, uma chamada para ação no final.
  • Confiabilidade: você entrega na data combinada, no formato combinado, com revisões tratadas de forma profissional.
  • Comunicação: você lê o briefing com atenção e faz boas perguntas antes de gravar.

Cada item dessa lista pode ser construído em casa, com um celular, antes de você ter um único cliente.

Como montar um portfólio com zero seguidores e zero clientes

Você não precisa de clientes para ter portfólio. Precisa de exemplos, e pode criá-los sozinho:

  1. Escolha duas ou três categorias de produtos que você já tem em casa: skincare, um utensílio de cozinha, um app que você usa, um suplemento.
  2. Assista a anúncios UGC reais de marcas brasileiras no TikTok e no Instagram e anote como eles abrem, quanto duram e como terminam.
  3. Grave de três a cinco vídeos spec, ou seja, anúncios de treino para produtos que ninguém pagou para você divulgar. Apresente-os exatamente como se a marca tivesse contratado você.
  4. Edite na vertical 9:16, adicione legendas em português e mantenha cada vídeo abaixo de 60 segundos.
  5. Reúna tudo em um link ou perfil simples que uma marca consiga abrir em dez segundos.

Vídeo spec é uma prática totalmente aceita no UGC. As marcas sabem que iniciantes usam esse recurso, e elas julgam a habilidade, não a lista de clientes.

Do portfólio ao primeiro trabalho pago

Com o portfólio pronto, vá aonde estão os compradores. Crie um perfil em um marketplace de UGC, responda a briefings abertos e envie propostas diretas e curtas para marcas brasileiras pequenas cujos produtos você realmente usa. Marcas pequenas de e-commerce costumam ser os primeiros clientes mais acessíveis: precisam de conteúdo, têm orçamentos modestos e quase nunca perguntam quantos seguidores você tem.

Seu número de seguidores nunca vai fechar um contrato por você, e também nunca vai fazer você perder um. Seus vídeos, sim. Para o passo a passo completo, do equipamento e precificação até a primeira proposta, leia nosso guia sobre como ser criador UGC.

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