O patamar de rendimento que torna a coisa vivível, o que se perde ao deixar um emprego, e o mês para dar o salto.

Os clientes recorrentes contam mais do que um bom mês

É a medida que prevê o ano seguinte, e ninguém a olha.

Um mês excecional é quase sempre um acidente: uma campanha de época, um cliente que gastou um orçamento de fim de exercício, uma encomenda agrupada.

Três perguntas a fazer à sua carteira.

Quantos clientes encomendaram pelo menos três vezes.

Que parte dos seus rendimentos vem do maior cliente, e o que acontece se ele desaparecer.

E quantos meses seguidos ultrapassou o seu patamar, sem exceção.

O patamar não é o seu salário atual: é aquilo de que precisa, mais os encargos que o empregador pagava no seu lugar.

Construa a almofada antes do salto

Seis meses de despesas, disponíveis, e não numa aplicação bloqueada.

Três razões, e acontecem todas.

Os prazos de pagamento: uma fatura emitida em janeiro é paga muitas vezes em março.

O equipamento que falha no pior momento, e que se substitui no próprio dia.

E o buraco do primeiro ano, quando os impostos e as contribuições de um bom ano chegam em plena época fraca.

Um hábito que salva: abra uma conta separada e deposite lá uma percentagem fixa de cada recebimento, desde o primeiro. O valor a pôr de parte depende da sua situação e calcula-se com um contabilista.

O inverno é o mau momento para começar

É a particularidade local do calendário, e decide o primeiro trimestre.

Os orçamentos congelam em janeiro, as decisões arrastam-se, e as rodagens no exterior tornam-se difíceis.

Três consequências práticas.

Saia em abril ou em setembro, quando os orçamentos abrem e as rodagens são fáceis.

Assine os seus dois ou três primeiros contratos antes de se despedir, com datas.

E guarde o inverno para o que não depende do tempo: a montagem, os formatos de interior, a prospeção.

O que perde além do rendimento

Quatro coisas, e substituem-se uma a uma.

O ritmo imposto, que passa a ser o seu trabalho a organizar.

As contribuições para a reforma pagas pelo empregador, que agora tem de provisionar sozinho.

As férias pagas, que deixam de existir: uma semana sem filmar é uma semana sem faturar.

E o coletivo: ninguém revê o seu trabalho, ninguém lhe diz que uma ideia é má.

O que é preciso ter antes de se despedir

ReferênciaLimiar de confortoPorquê
Clientes regularesTrês no mínimoUma saída não afunda o mês
Tesouraria adiantadaQuatro meses de encargosOs prazos de pagamento variam
Agenda visívelSeis semanas à frenteO trimestre está começado
CoberturaSeguro e regime escolhidosNenhum vazio entre os dois estatutos

O que se resolve no mês da saída

O estatuto, uma conta dedicada, um modelo de contrato e uma tabela de acompanhamento de faturas. Quatro peças que se preparam numa noite e evitam seis meses de desordem.

O que se pergunta a um profissional

O estatuto a escolher, as contribuições, a questão dos impostos e a cobertura social durante a transição, a confirmar com um contabilista.

O sinal que indica que é o momento

Um só, e é fácil de verificar.

Recusou trabalho rentável três meses seguidos, por falta de tempo, enquanto ainda era trabalhador por conta de outrem.

Dois complementos que tornam o sinal fiável. O trabalho recusado vinha de clientes diferentes, não de um só. E recusou-o por uma razão de capacidade, não de preço.

Quando estes três elementos se juntam, o salto não cria a carteira: liberta uma carteira que já existe, que é a única situação em que passar a tempo inteiro não é uma aposta.