Porque é que o UGC não é o ofício de influenciador, o que as marcas avaliam em vez disso, e como começar sem audiência.
O que as marcas avaliam em vez disso
Três coisas, e nenhuma é a audiência.
A semelhança: a pessoa no ecrã parece-se com o cliente da marca, na idade, na casa e na forma de falar.
A fiabilidade: o vídeo chega na data, no formato certo, com as menções pedidas.
E a legibilidade: a mensagem principal percebe-se em três segundos, sem som.
Uma consequência direta: a sua conta pode continuar pequena, mas a sua entrega tem de ser impecável. É o inverso do ofício de influenciador, e é o que torna este mercado acessível sem notoriedade.
Os primeiros trinta dias: produzir
Um único objetivo, dez vídeos.
Escolha produtos que já usa, em duas ou três categorias próximas. Um catálogo coerente vale mais do que uma montra variada.
Quatro formatos a cobrir pelo menos uma vez: a demonstração, a opinião a olhar para a câmara, a abertura da encomenda e o problema resolvido.
Uma restrição útil: cada vídeo tem de ser entregue numa pasta, bem nomeado, com a sua versão sem texto. Ganha o hábito de entregar, não apenas de filmar.
Os trinta dias seguintes: ser encontrável
Três sítios, não dez.
Um perfil numa ou duas marketplaces, completo, com exemplos e um preço indicado.
Uma pasta em linha acessível por uma única ligação, que abra num telemóvel.
E uma presença mínima numa rede, não pela audiência mas porque um comprador verifica muitas vezes se existe uma conta.
Um ponto local a não falhar: assim que a atividade se torna comercial, um perfil profissional tem de conter as menções legais exigidas, e o seu conteúdo exato verifica-se com um jurista antes da publicação.
Os últimos trinta dias: pedir
Quinze mensagens por semana, dirigidas, nunca em massa.
Escreva a marcas cujo produto já comprou, com o vídeo feito para elas em anexo ou em ligação direta.
Três linhas chegam: o que fez, o que propõe, a que preço e em que prazo.
E uma regra que muda tudo ali: escreva em alemão, mesmo imperfeitamente. Uma mensagem em inglês recebe uma resposta educada, uma mensagem na língua recebe um briefing.
O que acontece a seguir
Duas etapas, geralmente por esta ordem.
O primeiro cliente vem de uma marca pequena, muitas vezes local, com orçamento modesto e uma necessidade real.
O segundo vem do primeiro, por recomendação ou por repetição, e é esse que instala a atividade.
Um hábito a adotar logo na primeira missão: pedir uma avaliação escrita e a autorização para usar o vídeo no seu dossiê. Essas duas linhas valem mais do que a própria missão.
O que a marca olha de facto
| O que abre | O que procura ali | Peso |
|---|---|---|
| Os três primeiros exemplos | A nitidez, o som, o enquadramento | Decisivo |
| A ficha de perfil | Cidade, formatos, prazo, preço | Forte |
| O estatuto e os dados legais | A seriedade administrativa | Forte aqui |
| A conta pessoal | Nada, na maioria das vezes | Fraco |
O que substitui uma audiência
Um exemplo filmado com um produto comprado pelo próprio na categoria visada, mais um orçamento tipo pronto a enviar. Estas duas peças chegam para ser levado a sério.
O que se constrói num mês
Seis exemplos, dois formatos, um perfil completo com dados legais, e dez mensagens por semana a marcas realmente ativas.
O que não fazer
Três erros que custam meses.
Comprar seguidores: não engana ninguém neste ofício, e torna a estatística inútil.
Trabalhar de graça para uma marca conhecida à espera do que vem a seguir: o que vem a seguir não chega, e o preço de partida fica fixado em zero.
E esperar por ter equipamento: um telemóvel recente, uma janela e um microfone de lapela chegam para os primeiros três meses. O que falta no início nunca é o equipamento, é a prova de que se entrega a horas.



