Quase todos os briefings de marca deste país são escritos por alguém em Lisboa ou no Porto, e quase todos os criadores de fora concluem que estão em desvantagem.
Uma parte disso é verdade e a maior parte não é, e a diferença merece rigor, porque a conclusão errada leva a uma decisão cara.
O que a distância bloqueia mesmo
Bloqueia as filmagens que precisam de um sítio: uma loja, um restaurante, uma clínica, um showroom, um evento. Se a marca precisa do espaço dela em câmara, a geografia decide, e nada do que faça altera isso.
É uma parte do trabalho mais pequena do que parece. Quase tudo o que as marcas compram é um produto, duas mãos, uma cara e uma superfície com luz decente. Uma mesa de cozinha em Viseu é a mesma mesa que em Lisboa, e o ficheiro chega da mesma maneira.
O que muda de facto
As encomendas demoram mais, e a data de filmagem anda com elas
Esta é a restrição a sério, e é logística e não profissional. A entrega no interior e nas ilhas é mais lenta e menos previsível, portanto uma filmagem marcada para quinta porque o produto saiu na segunda é uma filmagem que pode não acontecer.
Diga-o uma vez, ao início: a filmagem começa um determinado número de dias depois da receção física do produto. Essa única frase transforma um problema recorrente num facto de calendário.
Menos clientes que querem encontrar-se
Algumas marcas querem um café antes de um primeiro trabalho. Se estiver a três horas, esse filtro existe e retira algumas oportunidades.
Retira menos do que se pensa. A parte do trabalho que se briefa, se filma e se entrega sem ninguém se encontrar cresceu ao ponto de a maioria dos criadores nunca ver um cliente.
A vantagem que ninguém nomeia
Todos os criadores das duas grandes cidades filmam à frente dos mesmos fundos. O mesmo tipo de apartamento, os mesmos azulejos, a mesma varanda, a mesma luz.
Uma marca que já viu quarenta vídeos filmados em salas parecidas repara de imediato no quadragésimo primeiro se não se parecer com os outros. Viver noutro sítio é um trunfo visual, e é gratuito.
| O que se presume | O que é verdade |
|---|---|
| O trabalho está nas duas grandes cidades | Os briefings estão, a filmagem raramente |
| É preciso um estúdio | É precisa uma janela e uma sala em silêncio |
| A distância custa clientes | As encomendas lentas custam datas, o que é diferente |
| O seu cenário é uma limitação | É o que o torna reconhecível |
| Mudar de casa resolve | Mudar aumenta os custos e não muda como o trabalho chega |
A última linha é a decisão que conta. Instalar-se em Lisboa para estar perto da procura aumenta bastante a renda e não muda quase nada na forma como uma marca o encontra, porque encontra-o por um perfil e um portefólio.
Onde investir em vez disso
Duas coisas, e nenhuma é uma câmara.
A primeira é a fiabilidade do envio. Um criador que não consegue mandar quatro gigabytes na noite da filmagem tem um problema a sério, e é a única restrição técnica onde a localização morde mesmo.
A segunda é um hábito de expedição. Saiba qual é o ponto de recolha mais próximo, a que horas passa a recolha, e quanto tempo uma encomenda demora a chegar ao continente a partir de onde está. Esse conhecimento permite prometer datas que vai cumprir, e é isso que faz com que o contratem duas vezes.
Diga onde está
Não como desculpa, como informação. Uma marca que planeia uma filmagem na sua região vai encontrá-lo, e uma marca que precisa de alguém em Lisboa vai excluí-lo antes de lhe fazer perder tempo.
Ser encontrável para o primeiro caso vale mais do que estar vagamente disponível para o segundo.



