Isto é o que ninguém avisa a um criador que começa em Lisboa: boa parte das empresas que o vão contratar não quer português. Quer inglês, porque a equipa é internacional, os clientes estão noutro sítio e Portugal é apenas onde calha ficar o escritório.
Só esse facto muda toda a forma de se posicionar cá.
Quem compra, e em que língua
| Quem contrata em Lisboa | A língua que quer mesmo |
|---|---|
| Startups internacionais com escritório em Lisboa | Inglês, quase sempre |
| Comércio eletrónico português que vende cá dentro | Português europeu |
| Hotéis e alojamento de curta duração | Inglês primeiro, depois alemão ou francês |
| Comércio, clínicas e serviços locais | Português, e mais nada |
| Exportadores com base em Lisboa | Português mais uma língua de exportação |
Um criador à vontade em frente à câmara nas duas línguas não fica um pouco mais contratável cá, muda de categoria. É a subida de competência mais barata que esta cidade oferece e quase ninguém a anuncia.
O que a cidade lhe custa
A renda faz parte da sua tarifa
Lisboa é o sítio mais caro do país para viver, e uma tarifa que resulta em Braga não resulta cá. Não é razão para cobrar a mais, é razão para conhecer o seu mínimo antes de um cliente o perguntar, para não o descobrir a meio de uma negociação.
Os cenários gratuitos continuam gratuitos
Fachadas de azulejo, miradouros, a luz que sobe do rio ao fim da tarde. As marcas do norte da Europa pagam dinheiro a sério por esse fundo e você tem-no a pé. Não custa nada e é a principal compensação daquilo que a renda leva.
A armadilha do turismo
O turismo é o cliente mais barulhento de Lisboa e o que come em silêncio o ano de um criador. O trabalho é sazonal, concentra-se em poucos meses e treina-o para estar disponível em vez de ser específico.
Os criadores a quem corre bem cá mantêm o turismo como um tipo de cliente entre vários, não como o negócio. Uma clínica, uma empresa de software e uma marca de comércio eletrónico pagam durante o inverno, quando os hotéis já deixaram de responder.
Por onde começar
Pegue primeiro no ângulo internacional. Escreva duas linhas em inglês no seu perfil, filme uma amostra em inglês e diga com clareza que entrega nas duas línguas.
Só esse gesto o coloca à frente de um conjunto de clientes lisboetas que hoje procuram lá fora, por assumirem que cá ninguém faz o que precisam.
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Perguntas frequentes
É preciso inglês para trabalhar em Lisboa?
Para trabalhar não, mas duplica mais ou menos a base de clientes ao seu alcance.
O turismo é bom cliente?
Como um tipo de cliente, sim. Como negócio inteiro, deixa-o parado meio ano.
As tarifas de Lisboa são mais altas do que no resto do país?
Tendem a ser, e o custo de vida também. Conheça o seu mínimo antes de negociar.
O que deve mostrar a minha primeira amostra?
O que o distingue localmente. Neste momento, é quase sempre uma versão em inglês.