O erro é trabalhar o Porto como uma cidade. Os clientes interessantes não estão no centro, estão a quarenta minutos, em pavilhões industriais sem placa, a fabricar objetos que acabam em lojas de toda a Europa com o nome de outra pessoa.

Lisboa vende serviços em inglês. O norte fabrica objetos e exporta-os. Essa diferença decide o que um criador faz cá.

O que o norte fabrica mesmo

O que se fabrica à volta do PortoO que a marca precisa de mostrar
Calçado e marroquinariaA costura, a sola, a mão a trabalhar
Têxtil e malhasO tecido de perto, o cair, como aguenta a lavagem
Cortiça e derivadosO material que ninguém percebe, explicado em sessenta segundos
Mobiliário e carpintariaO acabamento, os encaixes, a montagem numa divisão a sério
Vinho do Porto e quintas do DouroO sítio, o processo, a visita que se pode reservar
Alimentação e conservasA linha a trabalhar, e o produto aberto em cima de uma mesa

Nada disto é uma coreografia. São mãos, matéria e processo, filmados com limpeza, muitas vezes na língua que o comprador estrangeiro fala e não em português.

Porque é que estes clientes pagam bem

Vendem para fora

Uma fábrica que fornece marcas europeias precisa de material que um comprador estrangeiro perceba. É uma despesa de empresa com orçamento de exportação por trás, não um capricho de marketing, e cobra-se em conformidade.

Não têm mais ninguém

Quase nenhum criador quer passar uma manhã numa fábrica de calçado. Os que passam deixam de disputar preço, porque não há com quem os comparar.

O que isso lhe exige

Aprenda o vocabulário antes de chegar. Não precisa de ser técnico, precisa de não dizer um disparate à frente da câmara, e uma chamada de quinze minutos com quem dirige a linha evita isso por completo.

Combine por escrito o que pode filmar e quem aparece. As zonas de produção e o pessoal são temas sensíveis para estas empresas, e perguntar primeiro é o que faz com que o voltem a convidar.

E ofereça a versão legendada por omissão. É o acréscimo mais barato que existe e é a razão pela qual o seu vídeo viaja até ao mercado que compra de verdade.

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Perguntas frequentes

São precisos conhecimentos técnicos?

Não, mas é preciso perceber o produto o suficiente para não afirmar nada falso.

O Porto é mais barato do que Lisboa para trabalhar?

Viver custa menos, e os clientes industriais pagam acima das tarifas locais de consumo.

O que oferecer primeiro?

Um vídeo de processo com versão legendada para exportação. Quase ninguém o propõe.