Setúbal fica perto o suficiente de Lisboa para uma filmagem lá ser uma manhã banal, e longe o suficiente para ninguém a considerar Lisboa. Parece o melhor dos dois mundos e produz um problema comercial concreto.
Dois clientes diferentes empurram o seu preço em direções opostas, usando o mesmo facto.
A dupla pressão
O cliente de Lisboa que quer desconto
Sabe que não está na cidade e faz disso razão para pagar menos, como se o seu trabalho fosse tarifado por código postal. Não é uma negociação sobre valor, é a suposição de que estar fora da capital significa ser mais barato.
A resposta não é discutir geografia. É faturar a entrega e as utilizações, e orçamentar a deslocação numa linha à parte quando há mesmo deslocação. Quando a fatura separa o trabalho da viagem, o código postal deixa de ser uma alavanca.
O cliente local que viu um preço de capital
A imagem invertida. Uma empresa de Setúbal recebe um orçamento que parece lisboeta e reage como se fosse um insulto, porque a referência dela é o mercado local.
Aqui o gesto útil é tornar a comparação explícita em vez de baixar o número. Aquilo com que o comparam costuma ser um fornecedor mais barato que entrega uma vez. O que precisam é de um fornecedor que entrega todos os meses, e essa conversa é sobre o ano, não sobre o vídeo.
A resposta que serve para os dois
Publique um preço e aplique-o nos dois sentidos. No momento em que o seu preço se mexe com o código postal de quem pergunta, os dois lados aprendem que se mexe, e a conversa seguinte começa ainda mais abaixo.
O que a economia local compra
Setúbal não é subúrbio de nada. Tem porto, tradição de pesca e conserva, produtores alimentares, um setor de serviços largo e uma costa protegida que atrai visitantes sem ser uma economia de resort à algarvia.
A consequência prática é que os briefings locais são alimentação, comércio, serviços e atividades ao ar livre, e são mais pequenos e mais regulares do que o trabalho de capital.
| De onde vem o briefing | O que costuma ser | A que estar atento |
|---|---|---|
| Uma marca de Lisboa | Uma filmagem com deslocação incluída | Orçamentar a deslocação à parte, sempre |
| Um produtor alimentar local | Produto e processo, orçamento pequeno, repetível | Vender o ano, não a peça |
| Um restaurante ou uma loja | Alcance local, prazo curto | Ser barato de produzir, senão não compensa |
| Um operador de atividades | Sazonal, dependente do tempo | Combinar o que acontece se o tempo cancelar |
| Um empregador portuário ou industrial | Recrutamento e processo | O mais lento a chegar e o mais bem pago |
A última linha é a que quase nenhum criador daqui aborda, e é a única categoria da cidade cujo orçamento não estremece.
O cacilheiro decide mais do que devia
Quem trabalha dos dois lados do estuário aprende depressa que a travessia dá forma ao dia. Uma filmagem de manhã do outro lado e outra à tarde cá é possível; ao contrário e com um prazo, em geral não.
Meta isso no que promete. Um criador que anuncia um ficheiro nessa mesma noite e depois perde noventa minutos numa travessia fabricou um problema de fiabilidade a partir de uma geografia que não tinha culpa.
A vantagem que ninguém usa
Estar cá é poder servir clientes da capital sem os custos da capital, e ter a costa, o porto e a serra como cenários disponíveis com pouca antecedência.
Uma marca de Lisboa que precisa de um sítio que não pareça Lisboa está a quarenta minutos de si e a três horas da maioria das outras opções dela. Dizê-lo com clareza num perfil transforma a sua posição de argumento de desconto em razão para lhe telefonarem.



