Canais, território e duração, mais as duas cláusulas que contam quando uma campanha corre em duas línguas e duas províncias.
As três coisas que toda a licença deve nomear
Três, e são inseparáveis.
Os canais: publicação orgânica, publicidade paga, ficha de produto, site, ecrã em loja. Cada um se nomeia de forma explícita.
O território: as províncias ou o país inteiro, escrito preto no branco.
E a duração: uma data de fim, nunca uma fórmula aberta.
Uma quarta linha, quase tão importante: o que acontece no fim. Renovação ao mesmo preço, renegociação, ou retirada efetiva dos vídeos.
A cláusula de língua
Quatro situações a tratar de forma distinta.
A legendagem na outra língua, sem tocar na voz.
A dobragem, que substitui a voz mas conserva a imagem da pessoa.
A remontagem com uma nova voz off, que muda a natureza da peça.
E a produção de uma segunda versão filmada por outra pessoa, que já não é o mesmo vídeo e exige nova encomenda.
Uma prática que resolve tudo à partida: encomendar as duas línguas no mesmo dia, com dois criadores nativos, e duas licenças distintas. O custo marginal é baixo, e a questão deixa de se colocar.
A questão provincial
Três razões pelas quais «o Canadá» nem sempre chega como território.
Certas obrigações de afixação e de língua variam consoante a província, o que pode tornar uma versão inutilizável onde não foi pensada.
Uma campanha local não precisa de um território nacional, e pagá-lo custa mais sem trazer nada.
E uma extensão posterior negoceia-se melhor se estiver prevista à partida, com um preço acordado de antemão.
Uma formulação prática: nomear o território de partida, e acrescentar uma opção orçamentada de extensão, válida seis meses.
O que um criador pode razoavelmente recusar
Quatro pedidos frequentes, e legitimamente discutíveis.
A cessão total e perpétua, que elimina qualquer revenda futura do mesmo vídeo.
O uso ilimitado do seu rosto em montagens que nunca verá.
A cessão do direito de modificar livremente, incluindo pôr-lhe outra coisa na boca através de dobragem.
E a exclusividade setorial não orçamentada, que impede de trabalhar para um concorrente sem compensação.
Uma nota equilibrada: nenhum destes pedidos é ilegítimo em si. Têm simplesmente um preço, e esse preço discute-se antes da assinatura, não depois.
A linha que quase ninguém escreve
O direito de imagem das pessoas visíveis que não o criador.
Três casos frequentes: uma criança, um familiar, um cliente no enquadramento.
Cada um exige uma autorização escrita, assinada no dia da rodagem, com a mesma data de fim da licença principal. É uma segunda assinatura, distinta da do criador, e verifica-se com um jurista.
Os quatro parâmetros que fixam o preço
| Parâmetro | O que abre | O que o encarece |
|---|---|---|
| Os suportes | Redes, site, loja, televisão | Cada suporte acrescentado |
| A duração | De três meses a ilimitada | O ilimitado, sempre |
| O território | Uma província, um país, o mundo | A passagem ao mundo |
| As línguas | Uma ou duas versões difundidas | A segunda língua |
O que se lê antes de assinar
A renovação automática, a cedência a terceiros, o destino dos ficheiros de origem, e se ambas as versões linguísticas estão cobertas pela mesma cedência.
O que fica ao criador depois da cedência
A qualidade de autor e o direito de se opor a uma alteração que desvirtue a montagem, salvo acordo escrito em contrário, a confirmar com um jurista.
A maneira simples de resolver
Cinco linhas na nota de encomenda, e o essencial fica coberto.
Canais autorizados.
Território.
Duração, com data de fim.
Alterações permitidas, língua incluída.
E o destino dos ficheiros no fim.
Uma última referência, válida para qualquer campanha bilingue: nomeie os ficheiros com a data de fim dos direitos e a língua. No dia em que alguém quiser reutilizar um vídeo dezoito meses depois, a informação estará diante dos olhos, e ninguém precisará de reencontrar o contrato.
Fontes
Verificado em 4 de setembro de 2026. Limites e alíquotas mudam: se este guia e a fonte oficial divergirem, vale a fonte oficial.



