Preços demasiado baixos, direitos oferecidos, contribuições esquecidas: os sete hábitos que esvaziam uma atividade de criador.

1. Faturar à hora em vez de por entregável

Três razões pelas quais esse hábito limita um rendimento.

Pune a experiência: quanto mais depressa for, menos ganha.

Torna a negociação impossível, porque o cliente compara horas e não resultados.

E ignora o valor dos direitos, que não tem qualquer relação com o tempo gasto.

A correção: um preço por entregável, com os direitos orçamentados à parte.

2. Assinar a cessão sem a faturar

Quatro situações em que os direitos saem de graça.

O contrato menciona uma duração ilimitada, não discutida.

Inclui a publicidade paga sem que a palavra apareça no orçamento.

Prevê a cessão a sociedades do mesmo grupo, o que multiplica os usos.

E impõe uma exclusividade de categoria, quase sempre obtida sem contrapartida.

A correção: duas linhas sistemáticas no orçamento, produção e direitos, e mais uma linha se a exclusividade for pedida.

3. Não escrever o âmbito

Cinco elementos que têm de constar, seja qual for o tamanho da encomenda.

O número de vídeos e a sua duração.

O número de retoques incluídos, e o preço dos seguintes.

Os prazos, do lado do criador e do lado do cliente.

Os formatos entregues.

E o que acontece se o produto chegar atrasado.

4. Não vigiar os limiares

Três limiares a seguir todo o ano, não em dezembro.

O limiar de mudança de regime de imposto, que altera as suas faturas e as suas obrigações.

O teto do seu regime, cuja saída se prepara vários meses antes.

E o limiar a partir do qual uma conta bancária dedicada se torna obrigatória.

Um método simples: uma tabela de receitas atualizada todas as semanas, e uma reunião com um contabilista assim que a trajetória anual se aproxima de um limiar.

5. Depender de uma só agência

Quatro riscos concretos.

A perda do cliente único, que elimina a totalidade do rendimento num mês.

A pressão sobre os preços, impossível de recusar quando não há alternativa.

A ausência de relação direta com as marcas finais, que impede faturar o valor real.

E o risco de requalificação da relação, a examinar com um jurista quando o trabalho é diário, exclusivo e enquadrado.

A correção: nunca ultrapassar de forma duradoura metade do volume de negócios com um só cliente.

6. Subestimar os vazios do calendário

Três vazios previsíveis todos os anos.

O mês seguinte às grandes campanhas de fim de ano, quando os orçamentos estão gastos.

O meio do verão, quando os decisores estão ausentes.

E o início da primavera, entre dois exercícios orçamentais.

A correção: prospetar durante os picos, não durante os vazios, e guardar uma reserva de tesouraria que cubra dois meses.

Os erros que custam uma encomenda

O erroO que produzA correção
Entregar um só formatoA marca tem de reenquadrarEntregar vertical e quadrado
Responder em três diasA encomenda vai para outroUma resposta em 24 h
Não anunciar preçoUma ida e volta a maisUma tarifa de partida visível

O erro que sai mais caro

Aceitar um uso publicitário ao preço de um vídeo simples. Essa diferença nunca se recupera depois, coloca-se no orçamento.

O que se corrige numa única sessão

O som, quase sempre. Um microfone decente e trinta centímetros de distância mudam mais a perceção do que qualquer compra de objetiva.

Três erros de partida e a sua correção

O erroO que provocaA correção
Uma tarifa fixada pela duração do vídeoUm trabalho pago a um terço do seu tempoFaturar a preparação e a montagem
Uma cedência de direitos ilimitadaUm valor dado sem contrapartidaUma duração e uns suportes nomeados
Uma entrega sem adiantamentoUm risco de não pagamento completoUm adiantamento ou um pagamento enquadrado

O que se corrige facilmente no início e mal depois

O preço. Um cliente habituado a uma tarifa baixa contesta qualquer aumento, ao passo que uma tarifa justa com um desconto pontual deixa a porta aberta, e essa diferença joga-se logo no primeiro orçamento.

O que transforma um erro em método

A linha acrescentada ao orçamento tipo. Uma encomenda que corre mal só ensina alguma coisa se o documento mudar depois; sem isso, o mesmo problema volta com o terceiro cliente seguinte.

O erro silencioso

Aquele que nunca se vê nas contas: não pôr de parte a cada recebimento. As contribuições e o imposto chegam um trimestre depois, quando o dinheiro já foi usado, e essa dívida silenciosa é o que põe fim à maioria das atividades independentes que param no segundo ano.

Uma última referência: nenhum desses sete erros é um erro de talento. São todos erros de administração, o que é uma boa notícia, porque se corrigem numa tarde e uma só vez.

Fontes

Verificado em 4 de setembro de 2026. Limites e alíquotas mudam: se este guia e a fonte oficial divergirem, vale a fonte oficial.