O formato Prepara-te comigo em UGC: estrutura, falar natural, integração do produto e como os criadores brasileiros conseguem.

Porque as marcas adoram este formato

Seis razões, todas mensuráveis.

O tempo de visionamento é elevado, porque o espetador quer ver o resultado.

O produto aparece em situação de uso, não em apresentação.

O formato suporta vários produtos sem se tornar uma lista, o que é raro.

Funciona em todas as categorias: beleza, moda, casa, alimentação, desporto.

Declina-se com facilidade: manhã, noite, saída, trabalho, acontecimento.

E cria uma relação de proximidade que prolonga a vida do conteúdo muito depois da campanha.

Estruturar o seu vídeo

Sete etapas, com a sua função.

O ponto de partida visível: o estado inicial, sem encenação.

A restrição anunciada: o tempo disponível, o destino, o tempo que faz, o que cria a tensão.

A progressão, por gestos sucessivos, na ordem real.

O produto, colocado no seu momento, tratado acima.

O contratempo: algo não corre como previsto, o que torna a sequência verdadeira.

O resultado, mostrado uma vez e sem insistência.

E o fecho, que diz para onde se vai, o que dá sentido a todo o vídeo.

Falar frente à câmara de forma natural

Sete técnicas que suprimem o efeito decorado.

Falar enquanto se faz, nunca a olhar fixamente para a objetiva entre dois gestos.

Aceitar as hesitações: provam que nada está a ser lido.

Usar frases curtas, como se dizem a alguém na divisão.

Fazer uma pergunta em voz alta e responder-lhe, o que cria um ritmo de conversa.

Conservar os ruídos reais: água, gaveta, escova, portas, que instalam o lugar.

Evitar a saudação de abertura, que consome a janela de atenção.

E repetir a primeira frase três vezes na rodagem, ficando com a terceira tomada.

Integrar o produto sem quebrar o ambiente

Seis regras práticas.

Colocá-lo no seu momento lógico, tratado acima.

Nomeá-lo uma só vez, com clareza, em vez de três vezes de forma insistente.

Mostrar o gesto real: a quantidade, a textura, a forma como se aplica ou se veste.

Dizer uma coisa precisa e verificável: o cheiro, a sensação, a duração ao fim de umas horas.

Não interromper a rotina para fazer uma demonstração: a demonstração é a rotina.

E manter a menção comercial obrigatória, cujas modalidades se verificam junto da autoridade competente, sem fazer dela uma quebra de tom.

Ritmo e luz que prendem a atenção

Sete ajustes que mudam a retenção.

Uma só posição de câmara para o conjunto, mais um ou dois planos fechados apenas.

O telemóvel apoiado, nunca segurado à mão para uma sequência longa.

A luz natural de uma janela, a mesma do princípio ao fim, o que evita quebras visuais.

Cortes secos entre os gestos, sem transições trabalhadas.

Uma aceleração nas passagens longas, mantendo o som real por cima.

Um plano de corte preparado para cada supressão prevista.

E uma duração total adaptada ao suporte: trinta a quarenta e cinco segundos para a publicidade, dois a quatro minutos para o orgânico.

O que o formato permite mostrar

MomentoO que vendeDuração
A escolha da roupa ou do produtoA hesitação, logo a credibilidade6 s
A aplicação ou o vestirO gesto real12 s
O resultado de corpo inteiro ou de frenteComo fica6 s

O que torna eficaz este formato

O tempo real. Vê-se alguém a preparar-se, por isso o produto aparece dentro de um uso, nunca apresentado de frente. É o que o distingue de uma publicidade e o que o torna visível até ao fim.

O que o faz falhar

Uma montagem demasiado rápida, uma luz perfeita, e um texto decorado. Esses três defeitos transformam uma preparação num anúncio, e quem vê passa à frente.

O que faz recusar uma entrega neste formato

Cinco erros frequentes.

O produto apresentado logo no primeiro segundo.

Uma rotina visivelmente reencenada, com um cenário demasiado arrumado e uma luz demasiado perfeita.

Três marcas diferentes citadas na mesma sequência, o que anula o efeito.

Uma duração que ultrapassa o encomendado, obrigando a marca a cortar ela própria.

E a ausência de planos de corte, que torna impossível qualquer redução limpa.

Uma última referência: neste formato a marca não compra uma demonstração, compra um lugar numa rotina real. O produto que chega no momento certo nota-se sem ser mostrado; o que chega cedo demais vê-se e salta-se.