A Bélgica tem um dos calendários de festivais mais densos da Europa, e todos os organizadores vivem a mesma situação de conteúdo. Quatro dias produzem mais imagens do que alguém consegue usar, e depois o ano cala-se.
É aí que está o problema real deste setor. A ninguém faltam imagens de multidão. A toda a gente falta o que dizer em fevereiro, que é quando os bilhetes se decidem.
As imagens de evento não vendem bilhetes
Um vídeo de resumo é um cartão de agradecimento a quem lá esteve. Rende muito bem, é partilhado pelos participantes, e não converte quase ninguém que não estivesse.
A razão é simples. Quem decide gastar um fim de semana e um valor importante não se pergunta se o palco estava bonito. Faz uma série de perguntas práticas a que nenhum plano de multidão responde.
Como vou e como volto. Onde durmo. Quanto custa depois de somar tudo. Com quem vou, e vão gostar. O que acontece se chover três dias.
O comprador decide sobre um dia inteiro, não sobre um cartaz
É essa a deslocação que muda o que há para filmar. O cartaz é a razão para se interessar; a logística é a razão para comprar.
O conteúdo que responde às perguntas práticas converte, e quase nunca é feito porque não é entusiasmante de produzir.
Ir e voltar
A informação mais pedida e a que ninguém filma. O percurso desde a estação, onde para o transfer, quanto demora a última saída no domingo à noite. Filma-se uma vez e continua verdadeiro durante anos.
Dormir, comer, fazer fila
O campismo às oito da manhã em vez de à meia-noite. A comida, com os preços à vista. Uma fila a uma hora real em vez de uma entrada vazia. São as partes de que um participante se lembra e que um futuro comprador imagina.
O total, depois de somado tudo
Bilhete, viagem, campismo, comida, a coisa de que nos esquecemos. Ninguém publica isto e toda a gente o calcula. Uma versão honesta, filmada como o dia de uma pessoa, tira mais hesitação do que qualquer código de desconto.
| A pergunta do comprador | O que os organizadores publicam | O que responde a isso |
|---|---|---|
| Como chego lá | Um link para um mapa | O percurso desde a estação, filmado uma vez |
| Onde durmo | Uma fotografia de tenda | O campismo às oito, com honestidade |
| Quanto custa mesmo | O preço do bilhete | Um dia de despesa, discriminado |
| Vou passar mal se chover | Nada | No ano passado, à chuva, bem-dispostos |
| Isto é para gente como eu | O cartaz | Dez segundos de quem está mesmo lá |
A quarta linha é a que os organizadores evitam e a que os compradores pesam muito. Um festival que mostra um ano de chuva e como as pessoas se desenrascaram elimina uma objeção que o silêncio deixa inteira.
Filmar no verão para fevereiro
O hábito de produção mais útil deste setor é filmar o material aborrecido durante o evento, quando tudo existe e nada precisa de ser recriado.
Isso quer dizer mandar alguém gravar a chegada, o campismo, a fila, a comida, as casas de banho, o transfer e a saída, de propósito, enquanto o evento decorre. Nada disso sai nessa semana. Tudo sai entre janeiro e abril, quando as perguntas surgem e não há mais nada para mostrar.
Um organizador que faz isto tem um ano de conteúdo por mais um dia de filmagem. Quem não o faz passa fevereiro a republicar os planos de multidão do ano passado a um público que já os viu.
O pior momento para publicar
Durante o próprio evento, a apontar a gente que talvez compre. O público que conta já decidiu, e quem vê de casa vê precisamente porque este ano não vai.
Essas imagens valem a pena ser captadas e guardadas. Publicadas em novembro são um lembrete; publicadas em julho são uma montagem de melhores momentos a competir com a de toda a gente.
Os patrocinadores, que são um produto à parte
A maioria dos eventos tem obrigações contratuais com patrocinadores, e essas entregas são outro trabalho, diferente da venda de bilhetes: colocações concretas, quantidades concretas, entregues numa data.
Trate-os como um briefing à parte com orçamento à parte, porque tentar satisfazer um patrocinador dentro de uma peça pensada para vender bilhetes costuma produzir uma coisa que não faz nem uma nem outra. O material de patrocínio é também a parte mais fácil de planear deste setor, porque as exigências estão escritas antes de o evento existir.



