A Bélgica exporta uma quantidade extraordinária de medicamentos para o tamanho que tem, e as fábricas que os produzem ficam no meio de cidades banais. Essas empresas compram vídeo, e quase tudo o que compram é impossível de ver.
A razão não é incompetência. É que quase tudo o que se diria naturalmente sobre um medicamento é regulado, portanto a versão segura não diz nada, e um filme que não diz nada é silêncio caro.
O que está mesmo fora de jogo
O que uma empresa pode afirmar sobre um produto depende da classificação dele, da autorização e do público a quem se dirige, e nada disso é decidido por uma equipa de marketing nem por um fornecedor. É decidido pelos assuntos regulamentares, e um vídeo não é o sítio para testar o limite.
Aceitá-lo cedo é o que torna o resto possível. Um briefing que começa por não podemos falar do produto produz melhor conteúdo do que um que gasta três rondas a descobri-lo.
Três públicos onde o vídeo trabalha
O recrutamento, o maior orçamento que ninguém conta
Estas empresas disputam as mesmas poucas centenas de cientistas, técnicos e engenheiros que todas as outras fábricas do país, e cada vez mais que fábricas lá fora. Um lugar que fica seis meses por preencher custa mais do que um ano de conteúdo.
Nada num vídeo de recrutamento toca numa afirmação de produto. Mostra o edifício, o turno, o laboratório às oito da manhã, a pessoa que entrou o ano passado e o que a surpreendeu. É também o único conteúdo do setor onde um trabalhador real a falar com simplicidade tem permissão inequívoca para ser interessante.
O município onde a fábrica está
Uma unidade de produção tem vizinhos, uma câmara municipal, uma escola a duas ruas e pessoal vindo das localidades à volta. A aceitação local é um trunfo a sério e quase nunca é construída de propósito.
Um conteúdo que mostra o que se passa lá dentro, filmado para quem vive ao lado e não para um público do setor, faz uma coisa que nenhum comunicado faz. Responde à pergunta que os vizinhos fazem mesmo, que é o que se faz ali dentro, e essa pergunta não tem conteúdo regulamentar nenhum.
Os fornecedores que vendem ao setor
Metade da oportunidade de vídeo deste setor não é a farmacêutica, são as empresas à volta: equipamentos, serviços de sala limpa, logística, acondicionamento, fabrico por contrato, recrutamento especializado.
Essas empresas vendem de empresa para empresa, podem dizer o que fazem, e o comprador delas é um departamento de compras ou de engenharia dentro de um ambiente regulado. É um problema de conteúdo industrial clássico com um cliente invulgar, e está completamente por explorar.
| Público | O que o vídeo pode mostrar | O que não deve fazer |
|---|---|---|
| Um candidato | O edifício, o turno, as pessoas | Nada de restrito, é terreno livre |
| Um vizinho ou um eleito local | A fábrica, a escala, as rotinas de segurança | Discutir os efeitos de um produto |
| O comprador de um fornecedor | Processo, capacidades, referências | Falar pelas afirmações reguladas do cliente |
| Um profissional de saúde | É um público separado e estritamente regulado | Tudo o que se decide fora dos assuntos regulamentares |
| O público em geral | Quase nada sobre um produto concreto | Improvisar |
A quarta linha é onde os projetos descarrilam. Material dirigido a profissionais de saúde é outra disciplina, com regras e aprovações próprias, e nunca deveria ser acrescentado no fim a uma filmagem generalista.
Filmar numa fábrica onde não se entra
O acesso é a restrição que molda toda a produção aqui. Zonas limpas, procedimentos de fardamento, formação de segurança e confidencialidade fazem com que um criador não possa simplesmente entrar com uma câmara.
As respostas que resultam são conhecidas e nenhuma é entusiasmante. Filmar através de um vidro, que é como se faz a maior parte das imagens verdadeiras destes ambientes. Filmar as zonas não classificadas: os corredores, a sala de controlo, o refeitório, o cais de carga, as pessoas a chegar. E usar as imagens que a fábrica já tem, porque muitas destas empresas têm material que nunca usaram.
Conte com um dia mais longo do que as imagens sugerem. Só o fardamento pode levar uma hora, e acontece antes de se gravar seja o que for.
O equipamento que entra, e o que não entra
Tudo o que entra numa zona controlada está sujeito às regras da fábrica, e isso inclui uma câmara, um tripé, um microfone e um saco. Algumas fábricas permitem um telemóvel desinfetado e mais nada. Outras exigem equipamento dedicado à zona.
Pergunte antes da filmagem e não à porta, e prepare uma versão do dia que funcione só com um telemóvel. É muitas vezes essa a versão que acontece, e um criador que chega preparado para ela não perde nada.
A revisão faz parte do calendário
Todos os textos deste setor passam por uma revisão que nada tem a ver com gosto. Trate-a como uma etapa de produção com duração, tal como a montagem.
Dois hábitos tornam-na indolor. Enviar o guião antes da filmagem em vez da montagem depois, porque reescrever no papel não custa nada e voltar a filmar custa um dia. E pedir ao revisor a razão e não só a correção, porque a razão vale para os quatro vídeos seguintes e a correção vale para uma frase.
As empresas que fazem isto produzem a um ritmo normal. As que não fazem produzem um filme por ano e queixam-se do processo.



