São muitas vezes as mesmas pessoas. Nunca são as mesmas prestações, e a confusão custa dinheiro às duas partes.

Uma pessoa, dois produtos

A distinção não é uma questão de estatuto, é uma questão de objeto.

O criador de conteúdo vende ficheiros. A marca difunde-os onde quer, dentro dos limites escritos, e o número de seguidores do criador não tem importância nenhuma.

A influência vende uma audiência. O que se compra não é o vídeo, é o facto de ele aparecer a pessoas que o seguem, na sua conta, com o seu nome.

Uma mesma pessoa pode fazer as duas coisas, por vezes para a mesma marca, desde que as duas prestações estejam escritas em separado.

A publicação não lhe pertence

É o ponto que os dois lados esquecem.

Quando uma marca difunde um vídeo como publicidade a partir da sua conta, usa a sua identidade, não apenas o seu trabalho. Isso pressupõe um acordo distinto, uma duração precisa, categorias de produto autorizadas, e a possibilidade de retirada.

E quando vende ficheiros, não conserva o direito de os voltar a publicar livremente: a marca comprou um uso, você cedeu o seu. Esse ponto escreve-se, senão acaba em mal-entendido.

As obrigações aplicáveis à identificação do carácter comercial abrangem as duas prestações e dependem da sua situação: verificam-se com um jurista, antes da publicação.

Julgue o envolvimento, não os seguidores

É a parte técnica da escolha, do lado da marca.

Uma conta de tamanho médio com comentários escritos por pessoas reais vale mais do que uma conta grande e silenciosa. O que se olha: a proporção de comentários que fazem uma pergunta, a presença de respostas, a regularidade das publicações, e a coerência entre o conteúdo habitual e o produto proposto.

Junte uma verificação simples: recue três meses e veja quantas marcas diferentes apareceram. Uma conta que promove uma categoria diferente todas as semanas já não convence ninguém.

A micro influência tem valor real ali

E não está onde se procura.

Nesse mercado, a recomendação local pesa muito: um comércio de bairro, uma cidade média, uma comunidade profissional. Uma conta de dimensão modesta mas ancorada num lugar preciso faz vender produtos que uma campanha nacional não alcança.

É também o único caso em que o número de seguidores conta mesmo para a marca: quando esses seguidores vivem a menos de vinte minutos do ponto de venda.

O briefing pragmático

Cinco linhas, válidas nos dois casos.

O que é produzido: número de vídeos, formatos, retoques.

O que é publicado: onde, quando, durante quanto tempo.

O que a marca pode fazer com os ficheiros, e durante quanto tempo.

O que deve aparecer como menção, e como.

E o preço, em duas linhas, como descrito na caixa.

Dois ofícios, dois entregáveis

PontoMicroinfluênciaCriação de conteúdo
O que se vendeUma audiênciaUm vídeo
Onde o vídeo passaNa conta do criadorNos canais da marca
O que se medeVisualizações, cliques, vendasA taxa de visualização do anúncio

O que muda no contrato

Uma publicação compromete a imagem do criador junto do seu público, uma entrega compromete um ficheiro. Não se pagam da mesma forma, nem se cedem da mesma forma.

O que permite fazer as duas

Uma tarifa à parte para a publicação, outra para o vídeo, e o direito de aceitar uma sem a outra. Vender as duas em bloco acaba sempre por saldar a publicação.

Como escolher, do lado da marca

Basta uma pergunta.

Procura material para difundir você mesmo, ou uma recomendação dirigida a uma audiência precisa?

Se for a primeira, compre ficheiros, compare pela qualidade de produção e pelo número de variantes, e ignore os seguidores. Se for a segunda, compre uma audiência, verifique o envolvimento e a ancoragem local, e aceite pagar a publicação à parte.

Querer as duas ao preço de uma é a maneira mais comum de não obter nenhuma.