Um portefólio não serve para provar que sabe filmar. Serve para responder à única pergunta que inquieta um comprador: o que vou receber, exatamente.
Quantas peças, e quais
Poucas, mas diferentes.
Três universos que não se parecem valem mais do que seis variações do mesmo produto na mesma cozinha. Não o contratam pelo que fez, contratam-no porque imaginam o que faria.
Acrescente para cada peça o que fez exatamente, e o que tinha sido pedido: são duas informações diferentes.
Filme com produtos que já tem
Não precisa de esperar por um cliente.
Pegue em três objetos que já tem em casa, escreva um briefing como uma marca faria, imponha-se três planos obrigatórios, uma objeção a levantar e um prazo. O resultado é uma peça verdadeira, mesmo que ninguém a tenha pago.
Nunca minta sobre o estatuto: diga trabalho pessoal. A transparência tranquiliza mais do que um nome de cliente falso, e uma mentira dessas descobre-se logo na primeira encomenda.
Uma amostra bilingue duplica as suas hipóteses
É a particularidade desse mercado, e joga-se numa tomada a mais.
Filme o mesmo vídeo nas duas línguas, ou diga com clareza que trabalha só numa. As duas respostas são aceitáveis; a ausência de resposta manda a sua pasta para a pilha seguinte.
Se entrega nas duas línguas, não as misture no mesmo vídeo: dois ficheiros separados, duas tomadas separadas.
O que a marca procura verificar
Quatro coisas, e nenhuma é artística.
Se sabe falar para a câmara sem ler. Se o seu som está limpo. Se o seu ambiente se parece com o dos clientes deles. Se entrega os formatos esperados sem que seja preciso pedi-los.
Organize a sua pasta para responder a esses quatro pontos antes de tudo o resto.
Mantenha-o recente e curto
Uma peça com mais de dois anos prejudica o resto.
Os códigos visuais mudam depressa, e um vídeo datado põe em dúvida tudo o que o rodeia. Retire uma peça quando acrescentar uma melhor, e nunca guarde algo de que não gosta por simples apego.
O que faz retirar uma peça
Uma música que abafa a voz, um texto embutido impossível de tirar, um plano desfocado, um produto que já não existe, um logótipo de marca exibido sem autorização.
Este último ponto não é cosmético: usar a identidade de uma marca no seu portefólio supõe o acordo dela, e as regras aplicáveis verificam-se antes de publicar.
O que devem mostrar os três primeiros vídeos
| O vídeo | O que prova | O erro a evitar |
|---|---|---|
| A demonstração de produto | A nitidez e o enquadramento | Um plano demasiado aberto |
| O testemunho para a câmara | O som e a naturalidade | Um texto recitado |
| O plano de pormenor | A luz e a matéria | Uma imagem escura |
O que conta mais do que o número de vídeos
A coerência. Três vídeos do mesmo nível valem mais do que dez desiguais, porque o comprador supõe que o pior representa o que vai receber.
O que falta em quase todos os portefólios
O contexto de cada vídeo. Basta uma linha: o produto, a marca, o uso previsto e o prazo cumprido. Sem ela, o comprador vê uma imagem bonita sem saber o que custou produzi-la.
Onde o pôr
Uma ligação, uma página, um só sítio atualizado.
Uma pasta partilhada que pede acesso, um ficheiro pesado ou três endereços diferentes conforme as plataformas produzem o mesmo resultado: ninguém olha. Uma página que abre num segundo num telemóvel vale mais do que um site completo.



