O portfólio é o único ativo que conta no início. Ninguém vai contratar você por uma intenção, e ninguém vai pedir o seu número de seguidores: olha-se o que você já gravou.

Na Espanha é preciso acrescentar uma pergunta que os guias esquecem: quem vai olhar.

Quem vai ler é uma agência, não uma marca

Uma parte importante das encomendas passa por um intermediário. Uma agência recebe uma necessidade de um cliente, precisa propor uma seleção de perfis em quarenta e oito horas, e portanto percorre dezenas de portfólios com uma grade na cabeça.

Ela não procura uma história, procura marcar caixas: esta categoria, este formato, este idioma, este prazo. Um portfólio construído como um relato pessoal é difícil de encaixar nessa grade, então não é retido, mesmo quando o trabalho é bom.

A consequência é simples de aplicar. Organize as suas peças por categoria e etiquete-as. Beleza, alimentação, casa. Depoimento, demonstração, unboxing. Vertical, quadrado. Castelhano, e se for o caso a língua cooficial em que você entrega. Um intermediário apressado precisa encontrar em dez segundos a prova de que você sabe fazer o que ele procura.

Isso não significa escrever só para intermediários. Uma marca que encontra você diretamente lê a mesma coisa, apenas com menos pressa.

Seis peças, não trinta

Seis vídeos bem escolhidos valem mais que um acúmulo. Além disso ninguém assiste, e uma peça fraca puxa o conjunto para baixo porque o leitor julga pelo que vê primeiro.

Escolha dois universos e mostre três peças em cada um. Isso diz o que você cobre e mostra que não foi sorte.

Elas não precisam vir de clientes

É o bloqueio mais difundido, e não tem fundamento. Grave produtos que você já usa, em casa, com o seu telefone. Ninguém vai perguntar se foi uma encomenda, porque o que se julga é a sua capacidade de filmar, não a sua agenda de contatos.

Uma peça de treino bem feita ganha de uma encomenda real mal gravada, e o leitor não distingue as duas.

O que precisa aparecer em cada peça

Uma abertura que fisgue nos três primeiros segundos. Um produto segurado, usado, mostrado em movimento. Um som limpo, que importa mais que a qualidade de imagem. Legendas revisadas. E uma duração curta, entre quinze e trinta segundos.

Acrescente, ao lado de cada vídeo, uma linha que diga o que ele demonstra: o formato, o universo, o idioma. Essa linha faz metade do trabalho de quem está lendo você.

O que não tem nada a fazer ali

Os montagens de demonstração técnica, as transições elaboradas, a música alta. Um portfólio de UGC não prova que você sabe montar, prova que você sabe parecer real.

As capturas de estatísticas também não têm lugar: pertencem a outro ofício.

O formato de entrega

Um link que abre sem download e carrega rápido num telefone. Uma pasta compartilhada funciona, um perfil público funciona melhor, porque não envelhece e continua encontrável quando ninguém procura você.

Um arquivo enviado como anexo é aberto uma vez e depois se perde.

Quantos exemplos são mesmo precisos

Seis regras que poupam tempo.

Três exemplos fortes ganham a dez quaisquer.

Cada exemplo mostra um tipo de produto diferente.

Um deles percebe-se sem falar.

Um mostra um produto em uso real.

Um está cortado para um formato que a marca publica.

E nenhum tem mais de um ano.

O que cada exemplo deve demonstrar

ExemploCompetência provadaFormato
Demonstração de produtoO gesto e a clarezaVertical, 30 s
Opinião à câmaraA credibilidadeVertical, 20 s
Uso sem palavrasA montagem e o somQuadrado, 15 s

O que acompanha cada exemplo

A categoria do produto, a língua, o formato entregue e a menção do que fez você mesmo.

O que se retira ao fim de um ano

Um exemplo datado, uma categoria abandonada, um vídeo cujos direitos expiraram.

O ritmo de atualização

Uma peça nova por mês, a mais antiga retirada. Em seis meses você tem um portfólio inteiramente renovado sem nunca ter dedicado um dia inteiro a ele, e constata que as primeiras peças já não se parecem com você.