A primeira pergunta de um criador que começa em Portugal é quase sempre a mesma: quantos seguidores são precisos antes de ousar propor os seus serviços. A resposta cabe numa palavra, e surpreende: nenhum.

O que a marca compra, e o que não compra

Uma marca que encomenda UGC compra um ficheiro de vídeo que vai difundir ela própria, a partir da sua conta ou como anúncio. A sua audiência não faz parte da transação, e é exatamente isso que separa este ofício da parceria de influência.

Porque a sua conta serve na mesma

Não serve de canal, serve de prova. Uma marca verifica ali três coisas em trinta segundos: como enquadra, que som obtém, e se sabe terminar uma frase diante da objetiva. Três vídeos respondem a isso, trezentos seguidores não respondem a nada.

O que substitui a audiência

O que a marca olhaComo prová-lo sem audiência
A qualidade da imagemUm vídeo filmado junto a uma janela, sem filtro
A qualidade do somUm microfone de lapela e uma sala com cortinas
A capacidade de seguir um briefingUm vídeo que respeita um formato anunciado
A fiabilidadeUm prazo anunciado, e depois cumprido

Os três vídeos que chegam

Uma demonstração de um produto que já tem em casa, uma opinião honesta sobre um objeto do dia a dia, e um grande plano filmado com limpeza. Esses três formatos cobrem o essencial do que uma marca encomenda, e filmam-se numa tarde.

O que Portugal muda neste arranque

O mercado é pequeno, por isso a reputação circula depressa nos dois sentidos. Uma entrega limpa para uma marca do Porto sabe-se em Lisboa em poucas semanas, e um atraso também. É uma desvantagem quando se falha e uma vantagem considerável quando se cumprem os prazos, porque são precisos muito menos clientes do que noutros sítios para ser conhecido na sua categoria.

O que não fazer para compensar

Comprar seguidores não serve de nada, já que ninguém lhos compra. Trabalhar de graça para montar um portefólio atrai sobretudo as marcas que nunca pagam. E anunciar uma tarifa muito baixa não tranquiliza: numa categoria onde a marca procura fiabilidade, um preço anormalmente baixo lê-se como um risco.

O que escrever no perfil quando não há nada para mostrar

Um perfil vazio não é um perfil sem audiência, é um perfil sem respostas. A marca que o lê quer saber o que filma, em quanto tempo e em que língua entrega. Essas três informações substituem todos os números que não tem.

A frase que substitui um número

Basta uma linha, e diz o que faz em vez de quem é: o tipo de produtos que filma, o formato que entrega e o prazo que cumpre. Quem compra com pressa lê essa linha, vê um vídeo e decide. Em nenhum momento procura um número de seguidores, porque não vai publicar a partir da sua conta.

O que não deve lá estar

Nem promessa de resultados, nem lista de logótipos que nunca serviu, nem uma disponibilidade permanente que não aguenta o primeiro mês cheio. Uma marca verifica o que é verificável, e uma afirmação que não se verifica custa mais do que rende.