É a pergunta que chega antes de qualquer inscrição. Posso fazer isto sem aparecer nos vídeos?

Pode. Mas a resposta útil não é sim, é o que acontece a seguir, porque a versão honesta custa-lhe alguma coisa e ninguém diz qual parte.

O que uma marca compra ao pedir uma cara

Nem beleza nem carisma. Compra uma coisa concreta: uma pessoa a dizer que isto lhe aconteceu.

Essa frase funciona porque tem um humano agarrado a ela. Tire o humano e a frase deixa de ser um testemunho e passa a ser uma demonstração. Uma demonstração é uma coisa perfeitamente comprável, apenas faz outro trabalho dentro do funil, e concorre com o conteúdo de estúdio da própria marca em vez de concorrer com a opinião de um desconhecido.

Portanto a pergunta verdadeira não é se consegue esconder a cara. É qual dos dois produtos está a vender, e se está a ser pago pelo certo.

Quatro maneiras de trabalhar sem ela

Não são intercambiáveis.

Mãos e produto

O formato de base. Enquadramento fechado, o produto a fazer o que faz, as suas mãos a conduzir o olhar. Aguenta tudo o que se demonstra: a textura, a abertura, a montagem, o antes e o depois, a forma como um creme se espalha de verdade.

Não aguenta uma opinião, e os briefings que pedem uma vão parecer magros.

Voz sobre as suas próprias imagens

A sua voz, o seu ritmo, imagens do produto e do uso. Isto aproxima-se do testemunho mais do que se pensa, porque a confiança viaja pela voz mais do que pela cara.

Convém saber antes de escolher: num país deste tamanho, uma voz reconhece-se. Anonimato e sem cara não são a mesma decisão.

Câmara à altura do olhar

O aparelho está onde estão os seus olhos. Quem vê vê o que você vê, as suas mãos entram no plano, você nunca. Serve para tudo o que é espacial: cozinhar, uma oficina, entrar numa loja, usar um aparelho numa divisão.

A sua produção, a cara de outra pessoa

Você escreve, filma, dirige e monta, e aparece um conhecido ou um ator pago. Deixa de ser o talento para passar a ser quem faz, o que é outro ofício, com outra economia e, muitas vezes, mais trabalho disponível.

FormatoO que aguentaO que a marca já não pode fazer com isso
Mãos e produtoDemonstração, textura, passosPassá-lo como recomendação pessoal
Voz sobre imagensUma opinião, um tom, um critérioMostrar quem fala, exigido por alguns briefings
Câmara à altura do olharO contexto, o espaço, uma situaçãoCortar um grande plano de reação
A cara de outra pessoaTudo o que um vídeo normal aguentaTratá-lo como a pessoa no ecrã

A última coluna é a que se lê a uma marca. Não é uma lista de limites, é uma conversa de âmbito, e as marcas reagem bem a um criador que nomeia a fronteira antes da filmagem em vez de depois.

O que isso fecha, dito às claras

Os briefings do tipo testemunho são a maior metade deste mercado. Escolher ficar fora de câmara retira uma parte real do que está disponível, e qualquer artigo que diga o contrário está a vender otimismo.

O que volta no sentido inverso também merece ser nomeado. O trabalho sem cara envelhece melhor, porque não está preso ao seu aspeto de há dois anos nem ao facto de a sua conta continuar a crescer. As marcas repetem-no com mais facilidade, e quem filma e monta bem é mais raro do que quem está disposto a aparecer.

A parte portuguesa da decisão

Portugal é pequeno. A entidade patronal vê, os vizinhos veem, e um nicho onde o conhecem é uma sala com pouca gente lá dentro. É uma razão legítima para ficar fora de câmara, e é a razão que a maioria dos criadores aqui tem mesmo.

Mas decida o que está a proteger. Um nome identifica, uma voz identifica, uma cozinha com uma vista reconhecível identifica. Se o objetivo é que um patrão concreto não dê com os vídeos, isso não é o mesmo dispositivo que ser anónimo, e é bastante mais fácil de conseguir. Escolha um e mantenha-o, porque metade de cada um é a versão que falha.

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Perguntas frequentes

Devo dizê-lo logo no perfil?

Sim, numa linha e sem pedir desculpa. As marcas filtram por isso, e as que o excluem nunca iriam encaixar. Dizê-lo tarde custa-lhe um dia de filmagem.

Paga menos?

Por vídeo, muitas vezes um pouco, porque a marca não o pode usar como recomendação pessoal. Ao ano, não necessariamente, já que este tipo de trabalho repete-se mais.

Que categorias funcionam melhor sem cara?

Tudo aquilo em que o produto faz algo visível: alimentar, limpeza, ferramentas, embalagem, aplicações no ecrã, tudo o que se monta ou se aplica. A moda e tudo aquilo em que o caimento é o assunto são os casos difíceis.

Posso começar sem cara e aparecer mais tarde?

Pode, e muita gente faz isso. O contrário é mais difícil, por isso na dúvida, começar fora de câmara mantém as duas portas abertas.