Uma marca que olha para o seu perfil abre o seu melhor vídeo, vê o início, e depois desce para contar quantos mais existem.

A segunda metade desta frase é o problema todo, e quase ninguém constrói a pensar nela. Quem começa gasta a energia a tornar um vídeo o melhor possível, quando o que está a ser avaliado é a quantidade e a constância por baixo.

O que um primeiro portefólio tem de provar

Não que tem talento. Que contratá-lo não é um risco.

Ninguém compra gosto, compra-se repetibilidade

Uma marca que encomenda UGC tem uma data, um produto e alguém a quem mostrar qualquer coisa. O que a assusta não é receber um vídeo medíocre. É não receber nada, ou receber algo inaproveitável, sem tempo para refazer.

Portanto a pergunta que faz em silêncio ao seu perfil é se sabe repetir aquilo no mês seguinte. Um vídeo excecional não responde. Pode até levantar a pergunta, porque uma peça brilhante e sozinha lê-se como sorte ou como a montagem de outra pessoa.

Quatro vídeos vulgares ganham a um brilhante

Quatro peças claramente da mesma pessoa, claramente filmadas numa casa a sério, claramente terminadas e claramente diferentes entre si respondem a todas as perguntas de um comprador de primeira viagem.

Mostram que sabe enquadrar um produto, que o seu som aguenta, que acaba o que começa, e que tem mais do que uma ideia. Nada disso exige que os vídeos sejam memoráveis. Exige que existam, juntos, e que pareçam um conjunto e não uma série de tentativas.

O que está no seu portefólioO que a marca concluiIsso consegue-lhe trabalho?
Um vídeo muito bomTalvez sorte, ou talvez não seja seuRaramente, abre mais perguntas
Quatro vulgares e coerentesConsegue fazer isto quando é precisoSim, é todo o truque
Dez vídeos em dez estilosNão decidiu ao que se dedicaNão, lê-se como falta de foco
Vídeos sem produto no planoFaz conteúdo, não UGCNão, é outro ofício
Um vídeo para uma marca concorrentePercebe a categoria delesMuitas vezes, e mais depressa que tudo

A última linha é aquela à volta da qual convém construir, e em Portugal funciona melhor do que em quase qualquer outro sítio.

Aqui o trabalho por iniciativa própria é prospeção, não treino

O conselho habitual é fazer vídeos não pagos para grandes marcas internacionais, a título de exercício. Esse conselho vem de mercados maiores e desperdiça a principal vantagem deste.

Num mercado deste tamanho, a marca para quem faz um vídeo não encomendado vai muito provavelmente vê-lo. Alguém a identifica, alguém o faz circular lá dentro, ou envia-o você, e a distância entre a sua cozinha e a decisão de marketing deles é uma mensagem.

Escolha a marca como escolheria um cliente a angariar

Isso muda a seleção por completo. Não escolha a maior marca que admira. Escolha uma empresa com a dimensão certa para o poder contratar, que já publique conteúdo, que visivelmente não seja boa nisso, e que venda uma coisa que possa mesmo comprar e usar.

Depois faça o vídeo que teria feito se lhe tivessem dado um briefing, não o que se exibe. Fique no formato deles, no tipo de produto deles, respondendo à objeção que se repete nos comentários deles. Envie-o com duas frases e nada além do link.

A taxa de resposta disto não se compara a nada que um criador em início possa fazer, e o vídeo fica no portefólio de qualquer maneira. É por isso que é o primeiro passo certo e não apenas um passo esperto.

O que filmar esta semana

Compre três produtos que use mesmo, em três categorias que possam plausivelmente encomendar UGC: qualquer coisa de cozinha, qualquer coisa de casa de banho, qualquer coisa que ande consigo.

Filme cada um duas vezes, uma como demonstração simples e outra como problema e solução. São seis peças numa tarde, e as duas versões ensinam-lhe qual lhe sai melhor, o que é informação mesmo útil sobre o que deve vender.

Acrescente depois a peça por iniciativa própria para uma empresa local real, e pare. Sete vídeos chegam e sobram para começar, e o oitavo vale muito menos do que a primeira mensagem que enviar a uma marca.

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Perguntas frequentes

Devo dizer que não foram trabalhos pagos?

Não os apresente como trabalho de cliente, e também não peça desculpa por eles. Ninguém espera que um primeiro portefólio seja encomendado, e uma peça feita para uma marca de que gosta é uma coisa normal num criador.

Posso usar produtos que me ofereceram?

Pode, e se os publicar aplicam-se as regras de menção do costume. Num portefólio privado enviado a uma marca, é simplesmente um vídeo que fez.

Quão diferentes devem ser os quatro vídeos?

Diferentes de cenário, parecidos de acabamento. A constância é o que tranquiliza. A variedade é a prova de que não é um criador de uma ideia só.

Vale a pena investir primeiro em equipamento?

Não. Todos estes se filmam com o telemóvel ao pé de uma janela, e um primeiro portefólio bem iluminado no telemóvel ganha a um mal iluminado filmado com coisa cara.