Janeiro esvazia as cidades e enche a costa. Eis onde está realmente o público, e o que compra durante esse mês.

Onde está o público

Não desaparece, muda de lugar e de horário.

As grandes cidades esvaziam-se, a costa e as zonas de serra enchem-se, e as horas de consulta deslocam-se: menos de manhã, muito mais ao fim da tarde e tarde à noite.

Duas consequências para a difusão. Desloque as publicações duas a três horas em relação ao resto do ano. E aceite que o alcance local de uma grande cidade baixe, sem concluir que a campanha não funciona.

O consumo muda de categoria

Não é o orçamento que se mexe, é aquilo que se compra.

Sobem: tudo o que se transporta, se partilha, se consome fora, se repara depressa, ou substitui algo esquecido em casa.

Descem: o mobiliário, o equipamento pesado, tudo o que exige instalação, e tudo o que supõe estar em casa para receber.

Uma marca que mantém o catálogo habitual em janeiro trabalha contra o mês.

Criadores no local

É a decisão que mais muda o resultado.

Um criador que já está na costa filma no cenário real, com a luz e as pessoas da época, pelo preço de uma deslocação a menos.

Dois critérios de escolha. Alguém que ali passa várias semanas, não três dias: poderá refilmar um plano em falta. E alguém que aceite filmar de manhã cedo, único momento em que os locais não estão nem cheios nem esmagados de luz.

O conteúdo vale a dobrar

É o argumento que justifica o orçamento de janeiro.

As imagens filmadas agora vão servir outra vez no verão seguinte, desde que nada as date: nenhum cartaz de evento, nenhum preço, nenhuma menção de ano.

Duas regras de produção. Compre direitos longos, pelo menos dezoito meses. E peça sempre uma versão sem texto incrustado, reutilizável noutra língua e noutra campanha.

Voltar em março com material

É o que quase ninguém planeia.

O recomeço de março é um segundo pico comercial, e prepara-se com o que foi filmado em janeiro: uso real, produto já gasto, opinião ao fim de um mês.

Um plano simples: filme em janeiro, publique metade de imediato, guarde a outra metade para o fim de fevereiro, quando toda a gente parou de produzir.

O que a estação abre, mês a mês

PeríodoO que as marcas empurramO plano que o serve
Antes das fériasPreparação, malas, proteçãoUm comparativo filmado
Em plena épocaUso exterior, praia, esplanadaUma tomada de uma só vez
Fim de épocaManutenção, arrumação, saldosUm antes e depois

O que a luz impõe nesta altura

Filmar antes das dez ou depois das cinco. Em pleno sol as sombras são duras, os olhos apertam-se e nenhum retoque salva o plano.

O que se prepara durante o inverno

Os guiões, as listas de planos e os acordos com os locais. Quando a época chega, só falta filmar, e as janelas já estão tomadas.

O erro a evitar

Duas armadilhas, e saem caras.

A primeira: tratar janeiro como um mês fraco e suspender a produção. O público está disponível e atento, e é até o momento em que mais assiste.

A segunda: filmar uma cena de verão improvável, mesa posta numa praia deserta ao meio-dia. O público da época reconhece instantaneamente um cenário falso, precisamente porque está dentro dele enquanto assiste.