O que filmar sem cliente, porque é que as legendas alemãs decidem a impressão, e como filmar as três numa tarde.
A legenda decide a impressão antes do conteúdo
É o ponto deste mercado, e elimina metade dos dossiês.
Um erro numa legenda, uma palavra composta cortada no sítio errado, um trema substituído por um sinal aproximado: vê-se em dois segundos e diz a quem lê que o trabalho não foi revisto.
Três verificações, por esta ordem.
Reveja à mão cada linha: o reconhecimento de voz falha nos nomes de produto e nas palavras compostas.
Verifique se o tipo de letra mostra corretamente os caracteres próprios da língua.
E mande ler a versão final por alguém cuja língua seja essa, mesmo para trinta segundos de texto.
Os três formatos a ter
Três peças, e respondem a três perguntas diferentes.
A demonstração: um produto, um gesto, uma prova, sem corte durante o manuseamento.
A opinião a olhar para a câmara: dois minutos no máximo, uma posição clara, incluindo um defeito assumido.
E o problema resolvido: primeiro a situação, depois o produto, a verificação no fim.
Uma quarta peça, facultativa mas eficaz: a versão curta da demonstração, montada em quinze segundos, que mostra que sabe declinar.
Como filmá-las numa tarde
Cinco etapas, por ordem.
Escreva os três textos antes de tirar a câmara, e leia-os em voz alta.
Prepare os três produtos, comprados por si, com as embalagens.
Filme primeiro o que depende da luz do dia.
Encadeie as tomadas sem rever cada plano: a revisão faz-se na montagem, não entre tomadas.
E guarde dez minutos no fim para refazer as aberturas, que são sempre os planos mais fracos.
Como nomeá-las
Quatro regras, válidas para toda a pasta.
Um nome de ficheiro sem acentos, sem espaços, com o formato e a data.
Uma pasta por tipo de peça, não uma pasta única.
Uma versão sem texto incrustado ao lado de cada versão montada.
E uma nota de três linhas a dizer o que cada exemplo demonstra.
Um ponto local: um exemplo não encomendado apresenta-se como tal, com clareza, e não usa o nome de uma marca de forma a fazer crer numa colaboração. Este ponto verifica-se com um jurista, e ali é mais sensível do que noutros sítios.
O que uma série de exemplos deve cobrir
| Exemplo | O que demonstra | Duração |
|---|---|---|
| 1 | Uma fala para a câmara | 20 s |
| 2 | Uma demonstração técnica sem voz | 15 s |
| 3 | Um desembalar ou um primeiro uso | 25 s |
O que se põe primeiro aqui
O plano mais nítido e mais informativo, nunca o mais espetacular. Neste mercado uma demonstração precisa convence mais depressa do que uma encenação cuidada.
O que se refaz de seis em seis meses
O exemplo de topo. Um excerto de há dois anos denuncia-se pela interface de uma aplicação, pelo formato e pelo estilo de montagem, e faz duvidar do resto.
O que faz descartar um dossiê
Quatro defeitos, por ordem de frequência.
O som: uma gravação numa divisão que ressoa descarta um dossiê antes do fim da primeira frase.
A legenda não revista, já referida, e que continua a ser o primeiro motivo de recusa.
O exemplo que parece conteúdo pessoal em vez de trabalho encomendado: sem briefing visível, sem formato definido, sem fim.
E o vídeo demasiado montado: cinco cortes em dez segundos provam que sabe cortar, não que sabe demonstrar.
Um último conselho, contraintuitivo: guarde o melhor exemplo para o fim do dossiê, não para o início. O comprador raramente vê uma só peça, e o que retém é o que viu por último.



