Aqui a questão não é saber quanto se ganha nos bons meses. É saber o que resta quando a época para, porque para.

O cálculo de base

Três linhas, e a terceira é a que se esquece.

O rendimento bruto por trabalho. O que resta após contribuições, imposto e despesas. E o tempo real gasto por trabalho, trocas e insistências incluídas.

Esse terceiro número transforma muitas vezes uma tarifa atraente numa tarifa horária desiludente. Meça-o em cinco trabalhos reais antes de qualquer decisão.

As obrigações de inscrição, de faturação e as modalidades declarativas dependem da sua situação e verificam-se junto da administração competente e com um contabilista.

O verdadeiro problema: a época

É mais brutal aqui do que na maioria dos mercados.

O calendário turístico comanda os orçamentos: as rodagens concentram-se antes da época alta, depois tudo abranda. Um criador que descobre esse ritmo no primeiro ano vive-o como um fracasso pessoal; no segundo, prevê-o.

Conte quatro meses fracos por ano, não um. E saiba que caem ao mesmo tempo para todos, portanto a concorrência pelos raros trabalhos é máxima.

As três maneiras de aplanar o ano

Somam-se, e nenhuma chega sozinha.

As avenças mensais: um número fixo de vídeos por mês a um preço combinado, para um cliente que precisa de um fluxo. É o rendimento mais estável deste ofício e o menos pedido pelos criadores.

Os setores não sazonais: saúde, educação, serviços a empresas, tecnologia, alimentação local. Por vezes pagam menos por trabalho mas compram o ano inteiro.

Os clientes estrangeiros: não seguem o calendário local, muitas vezes pagam melhor, e exigem uma versão inglesa. É a alavanca mais rápida neste mercado.

A regra da poupança sazonal

Decide-se na época alta, nunca na baixa.

Durante os meses cheios, transfira uma percentagem fixa para uma conta separada, no dia de cada recebimento, além do que põe de lado para o imposto. Essa conta tem um só uso: pagar os encargos fixos durante os meses vazios.

O marco útil: fature os meses cheios como se tivessem de cobrir os fracos, porque é exatamente esse o seu papel.

Quando ainda não se despedir

Quatro sinais, e um só basta para esperar.

A sua parte de rendimentos fora de época é inferior a um terço. Um só cliente representa mais de um terço da sua faturação. Nunca recusou um trabalho por falta de tempo. Ou ainda não atravessou uma época verde completa como independente.

Esta última é o teste decisivo: enquanto não a tiver vivido, não sabe como vai reagir quando a caixa de entrada estiver vazia durante seis semanas.

O que é preciso ter antes de largar um rendimento

ReferênciaLimiar de confortoPorquê
Clientes regularesTrês no mínimoUma saída não afunda o mês
Tesouraria adiantadaTrês meses de encargosUm prazo de pagamento não gera pânico
Agenda visívelQuatro semanas à frenteO mês seguinte já começou

O que muda no dia

O tempo de filmagem baixa, o de orçamentar e insistir sobe. Reservar meio dia por semana para prospeção.

O que se guarda mesmo a tempo inteiro

Um cliente antigo, mesmo pequeno: é ele que amortece um mês fraco.

O que torna a atividade duradoura

Três hábitos, mais decisivos do que o nível da tarifa.

Faturar por entregável, vender os direitos de uso em separado, e entregar sempre uma versão inglesa para abrir o mercado que não depende da época local.

O bom momento para passar a tempo inteiro é aquele em que recusa trabalho em plena época verde, não aquele em que o procura em plena época seca.