O cálculo que decide não é a faturação anual. É o número de meses que produzem realmente faturas, e nunca são doze.
O cálculo completo
Três linhas, e a terceira é a que se esquece.
O rendimento bruto por trabalho, o da fatura. O que resta após contribuições, imposto e despesas profissionais. E o tempo real gasto por trabalho: rodagem, montagem, trocas, retoques, faturação, insistências.
Esse terceiro número transforma muitas vezes uma tarifa atraente numa tarifa horária desiludente. Meça-o em cinco trabalhos reais antes de qualquer decisão, não por estimativa.
As taxas, os limiares e as modalidades declarativas dependem do seu estatuto e evoluem: verificam-se junto da administração competente e com um contabilista.
A regra dos clientes recorrentes
Um cliente regular vale três clientes únicos.
O custo escondido deste ofício não é a produção, é a prospeção: encontrar, explicar, tranquilizar, negociar, insistir. Um cliente que volta elimina tudo isso e torna o mês previsível.
O marco antes de passar a tempo inteiro: pelo menos três clientes que encomendaram mais de uma vez nos últimos seis meses. Uma carteira feita só de primeiros trabalhos não é uma carteira.
O limiar de IVA, o número que se esquece
Não se descobre em junho, prepara-se no ano anterior.
Atravessá-lo muda as suas obrigações, as suas menções e por vezes o preço afixado consoante o tipo de cliente. Os limiares aplicáveis, os seus efeitos e o momento exato em que se aplicam dependem da sua situação e evoluem: verificam-se junto da administração competente e com um contabilista.
O gesto prático: siga o acumulado anual todos os meses, em cinco minutos, e classifique os clientes conforme recuperem ou não o imposto. Essa classificação diz se a passagem lhe vai custar alguma coisa.
Quando ainda não se despedir
Quatro sinais, e um só basta para esperar.
Não tem seis meses de encargos fixos de lado. Um só cliente representa mais de um terço dos seus rendimentos. Nunca recusou um trabalho por falta de tempo. Ou nunca atravessou um mês fraco como independente.
O mês fraco é o teste mais honesto. Enquanto não o tiver vivido mantendo a tesouraria e a calma, não sabe como vai reagir.
As quebras previsíveis
São conhecidas de antemão e surpreendem todos os anos.
Agosto para tudo. Dezembro para cedo e janeiro recomeça devagar. As férias escolares abrandam as validações, e os feriados de maio cortam semanas ao meio.
Antecipe ao contrário: fature os meses cheios como se tivessem de cobrir os vazios, porque é exatamente esse o seu papel. E use as quebras para o que não depende dos clientes: reserva de imagens sazonais, portefólio, prospeção.
O ano não é plano
| Período | O que as marcas pedem | O que se prepara |
|---|---|---|
| Janeiro a março | Poucos orçamentos, muitos rascunhos | O catálogo e o site |
| Setembro a novembro | As campanhas de fim de ano | As janelas reservadas com antecedência |
| Julho e agosto | Um ritmo fraco | As filmagens de reserva |
O que se planeia a doze meses
Dois meses fracos compensam-se se faturarmos adiantado nos meses cheios e se as filmagens de reserva já estiverem feitas.
O que se vigia todos os meses
O número de orçamentos enviados, a taxa de aceitação e o prazo médio de pagamento: os três degradam-se antes da faturação.
O que torna a atividade duradoura
Três hábitos, mais decisivos do que o nível da tarifa.
Faturar por entregável e nunca à hora. Vender os direitos de uso em separado, com duração, território e suportes escritos. E subir uma vez por ano nos clientes novos, sem justificação.
O bom momento para passar a tempo inteiro é aquele em que recusa trabalho por falta de tempo, não aquele em que o procura.



