O banco de imagens custa menos por ficheiro e não prova nada. Eis onde passa a linha e como saber do que uma campanha precisa.

Para que serve mesmo o banco

Quatro usos, todos legítimos.

Os planos de corte: uma estrada, um céu, uma rua, uma mão que empurra uma porta.

Os cenários impossíveis de filmar: uma paisagem distante, uma estação que não é a certa, um lugar inacessível.

As ilustrações abstratas: o tempo que passa, um percurso, uma ideia sem produto.

E os fundos para texto animado, quando nenhuma demonstração é necessária.

Uma nota de custo: esses quatro usos representam muitas vezes metade das imagens de uma campanha, e não há razão nenhuma para as filmar.

O indício canadiano

É o detalhe que denuncia uma imagem comprada neste mercado, e o público deteta-o sem pensar.

Quatro elementos que não enganam.

A tomada e o interruptor, cuja forma difere de país para país.

A sinalização rodoviária, as placas de rua e as matrículas.

A neve, a verdadeira: a textura, o vapor da respiração, a roupa sobreposta, a ausência de reflexos de verão.

E o bilinguismo visível num espaço público, ausente da maioria dos bancos de imagens.

Uma consequência direta: uma campanha que diz falar daqui com imagens filmadas noutro sítio perde credibilidade por um detalhe que ninguém nomeia mas toda a gente vê.

A repartição honesta do orçamento

Três regras, fáceis de manter.

A prova filma-se: demonstração, uso, resultado, antes e depois, testemunho.

O contexto compra-se: cenário, transição, ambiente, ilustração.

E o rosto também se filma, assim que fala do produto: um rosto comprado não pode recomendar o que nunca usou, e isso vai além de uma questão de estilo.

Dois pontos a verificar antes de comprar uma imagem: o que a licença permite realmente, nomeadamente em publicidade paga e no tempo, e as condições particulares aplicáveis quando uma pessoa é reconhecível. Ambos se verificam com um jurista.

O teste que decide em dez segundos

Uma pergunta, feita diante de cada plano da montagem.

Este plano afirma algo que alguém possa contestar.

Se sim, tem de ser filmado com o produto, nas condições anunciadas.

Se não, pode vir de um banco, e o orçamento fica melhor noutro sítio.

Um segundo teste, útil para campanhas locais: corte o som e pergunte a alguém daqui se a cena se passa aqui. Se a resposta hesitar, a imagem não vai carregar a mensagem.

O que cada fonte custa realmente

RubricaBanco de imagensVídeo encomendado
Custo diretoUma assinatura ou uma compraUm orçamento por vídeo
Custo ocultoO tempo a procurar um plano que sirvaO prazo de produção
RiscoVê-la num concorrenteNenhum
Ajuste localRaroImediato

O que nunca se substitui por uma imagem de catálogo

O próprio produto, a embalagem, o tamanho na mão, e uma pessoa que explica porque o escolheu. Nenhum banco contém esses planos.

O que se combina com inteligência

Os planos de ambiente vêm do catálogo, os planos de produto filmam-se. Mesmo formato, mesma temperatura de cor, e a junção não se nota.

O que muda no custo real

Três cálculos, e o primeiro engana.

O custo por ficheiro favorece o banco, e por larga margem.

O custo por campanha aproxima-se, porque um vídeo filmado serve vários formatos e várias épocas.

E o custo por resultado inverte muitas vezes a ordem: uma demonstração real converte melhor, o que baixa o valor gasto por venda.

Um método de decisão que evita debates: liste as afirmações da campanha antes de escolher as imagens. O que sobra depois dessa triagem é exatamente o que é preciso filmar, e todo o resto pode comprar-se.

Uma última referência, própria deste mercado: nas campanhas dirigidas aos dois públicos linguísticos, a rodagem faz-se em cada língua com pessoas de lá, e as menções comerciais obedecem a regras precisas consoante a província, a verificar com um jurista antes da difusão.