Três dias que financiam um ano de conteúdo, desde que alguém prepare o plano de rodagem antes da abertura.

Planear antes, não improvisar no local

É a diferença entre uma feira rentável e três dias de cansaço.

Cinco decisões a tomar antes da abertura.

A lista de pessoas a entrevistar, contactadas com antecedência, com uma janela proposta.

O sítio de rodagem: um canto identificado, longe dos corredores barulhentos, com um fundo neutro.

O equipamento mínimo: um microfone de lapela, um suporte, uma bateria externa, e mais nada.

O calendário do dia, em janelas de quinze minutos.

E a pessoa que recebe e faz esperar, porque ninguém consegue entrevistar e organizar ao mesmo tempo.

Uma regra que salva o segundo dia: filme de manhã. À tarde toda a gente está cansada, o ruído sobe, e a qualidade cai.

A entrevista curta é o que mais rende

Três razões, e vêm do formato.

Uma resposta de quarenta segundos publica-se sozinha, remonta-se num filme mais longo, e reutiliza-se numa ficha de produto.

Não exige preparação a quem é entrevistado, o que permite obter muitas.

E envelhece devagar, porque fala de um ofício e não de um evento.

Duas regras de rodagem. Enquadramento vertical, à altura dos olhos, com uma parede atrás. E microfone de lapela sempre: o som ambiente de uma feira torna inutilizável metade das captações feitas sem ele.

As autorizações e os rostos

É a parte que decide o que vai poder difundir.

Três níveis a distinguir.

As pessoas entrevistadas, que dão uma autorização escrita, por suporte e por duração, assinada no local.

As pessoas visíveis ao fundo, que não aceitaram nada: prefira um enquadramento fechado, e evite rostos identificáveis.

E os stands, os logótipos e as obras expostas, que pertencem a alguém e cuja aparição se trata com o mesmo cuidado.

Duas precauções. O regulamento do evento indica muitas vezes o que é permitido, e lê-se antes de chegar. E o alcance exato dessas autorizações verifica-se com um jurista, sobretudo se os vídeos forem difundidos em publicidade paga.

Distribuir o material ao longo do ano

É o erro mais frequente: publicar tudo na mesma semana.

Quatro usos escalonados no tempo.

A semana do evento: duas ou três peças curtas, para estar presente enquanto o assunto existe.

O mês seguinte: as entrevistas, uma por semana, cada uma com a sua pergunta.

O trimestre: as sequências explicativas, montadas com as imagens filmadas no local.

E o ano seguinte, antes da mesma feira: o filme que mostra o que lá se vê, exatamente quando as pessoas decidem se vão.

O que se filma numa feira

MomentoO que se filmaJanela
Antes da aberturaO stand vazio, limpoTrinta minutos
DuranteAs demonstrações, as mãosTodo o dia
Depois do fechoAs entrevistas em calmaUma hora

O que se prepara na véspera

Duas baterias, um micro de lapela, uma lista de seis planos e uma autorização escrita do organizador. Numa feira, o ruído e a multidão não se negoceiam no local.

O que se desfoca na montagem

Os rostos de visitantes sem acordo, os crachás com nome, os documentos pousados nas mesas e os ecrãs que mostram dados. Um plano não limpo retira-se.

O que filmar e que ninguém filma

Quatro sequências, gratuitas já que está lá.

A montagem do stand, na véspera, e a desmontagem no fim: é o que veem as empresas que ponderam expor.

O percurso real: entrada, crachá, planta, distância até ao stand.

O que se passa entre dois visitantes, quando ninguém está a representar.

E a demonstração técnica feita por quem a faz todos os dias, filmada numa tomada, sem comentário.

Um último ponto prático: nomeie e arrume os ficheiros na mesma noite, no local, com o nome da pessoa e a pergunta. Uma pasta de três dias por arrumar torna-se inutilizável em duas semanas, e é essa a única perda real deste tipo de operação.