Filmar à noite e aos fins de semana estando por conta de outrem é comum aqui. O que trava quase nunca é a papelada.
O lado administrativo é o mais simples
Ao contrário do que se julga, é a parte sinalizada.
Exercer uma atividade independente estando por conta de outrem é possível na maioria dos casos, com uma inscrição e obrigações próprias. O que varia é o regime, o limiar, a frequência das declarações e a articulação com a sua condição de trabalhador.
Estes elementos dependem da sua situação e evoluem: verificam-se junto da administração competente e com um contabilista, antes de faturar o primeiro trabalho.
O princípio a reter: faturar sem estar inscrito expõe-o muito mais do que ganhar pouco.
Releia o seu contrato de trabalho
Três cláusulas decidem tudo.
A exclusividade, que por vezes proíbe qualquer outra atividade remunerada durante a vigência do contrato.
A lealdade e a não concorrência, tratadas na caixa acima.
E a confidencialidade, que o impede de mostrar seja o que for proveniente da empresa: um processo, um ecrã, umas instalações, um colega, um cliente.
Se uma só dessas cláusulas for ambígua, mande lê-la antes de começar, não no momento em que chega um trabalho.
Não toque nos recursos do trabalho
A regra é simples e sem exceções úteis.
Nada de computador, telemóvel, ligação, software, impressora, instalações nem tempo de trabalho do empregador. Nada de rodagem durante as horas pelas quais é pago, mesmo em teletrabalho, mesmo à hora de almoço.
Não é uma questão de valor: é o que transforma uma atividade paralela tolerada numa falta censurável.
Organizar a semana a sério
Um ritmo que se aguenta, mais do que um ritmo ambicioso.
Agrupe as rodagens numa única faixa, de dia ao fim de semana, quando a luz serve. Filmar à noite durante a semana custa equipamento e cansaço.
Prepare durante a semana o que não pede luz: ler os briefings, escrever os guiões, responder, faturar, preparar os produtos.
E fixe um limite de carga: um número de trabalhos por mês que sabe aguentar, mais do que um teto de rendimentos. Uma entrega atrasada custa um cliente, uma noite em claro custa o emprego.
Onde colocar as horas numa semana carregada
| Janela | O que se faz ali | Duração |
|---|---|---|
| Uma noite de semana | Montagem e exportações | 2 horas |
| Sábado de manhã | A filmagem, com luz do dia | 3 horas |
| Vinte minutos ao almoço | Orçamentos e respostas | Todos os dias |
O que se diz ao cliente logo na primeira troca
O prazo real, não o ideal. Anunciar sete dias e entregar em cinco vale mais do que prometer dois e entregar em seis.
O que se verifica do lado do empregador
O contrato de trabalho, uma eventual cláusula de exclusividade e as obrigações declarativas, a confirmar com um jurista.
Quando dar o passo
Três condições, não uma só.
Um rendimento regular durante vários meses, com pelo menos três clientes que encomendaram mais de uma vez.
Um ciclo de recebimento que conhece e que não excede o que a sua tesouraria suporta.
E o facto de ter recusado trabalhos por falta de tempo, várias vezes, que é o único sinal fiável de que a procura ultrapassa a sua capacidade atual.
Enquanto essas três condições não estiverem reunidas, o emprego não é um travão: é o que financia a construção do portefólio.



