O que é um gancho, porque os primeiros segundos decidem tudo, e modelos que funcionam com o público brasileiro.

O que é um gancho e porque os 3 primeiros segundos decidem tudo

Cinco mecanismos, válidos em todas as plataformas.

O espetador não decide ver, decide não sair, e essa decisão toma-se antes de ter percebido o assunto.

A plataforma observa essa saída e tira uma conclusão sobre o vídeo, independentemente da qualidade a seguir.

Em publicidade paga, o gancho determina o custo por visualização, logo diretamente o orçamento da marca.

O gancho não é o resumo do vídeo, é o que torna custoso sair.

E funciona em três níveis simultâneos: o que se diz, o que se mostra, o que se escreve no ecrã.

Os tipos de gancho que travam a rolagem no Brasil

Sete famílias, com o que desencadeiam.

O problema nomeado: enuncia-se a dificuldade exata do espetador, sem rodeios nem preâmbulo.

A contradição: anuncia-se o contrário do que toda a gente acredita sobre o produto ou a categoria.

A demonstração imediata: o resultado aparece antes de qualquer explicação.

O preço anunciado logo à partida, particularmente eficaz num mercado em que é a primeira pergunta.

A confissão: começar pelo que se falhou, o que desarma a desconfiança perante um vídeo encomendado.

A pergunta fechada, a que se responde mentalmente num segundo.

E a interpelação direta a um perfil preciso: nomear a pessoa em causa faz mais do que descrever o produto.

Escrever ganchos em português brasileiro natural

Seis regras de língua, muitas vezes descuradas.

Escrever como se fala, e depois dizer a frase em voz alta: se não sai de um fôlego, é longa demais.

Evitar o vocabulário do site da marca, imediatamente reconhecível e imediatamente ignorado.

Usar a palavra que o público emprega para procurar o produto, não o nome oficial da categoria.

Assumir o registo regional quando a campanha visa uma região, neutralizá-lo quando visa o país.

Não traduzir um gancho vindo de outra língua: traduzi-lo produz uma frase correta e sem efeito.

E verificar que a frase continua compreensível sem o som, porque grande parte das primeiras visualizações é muda.

Exemplos de ganchos adaptados ao público brasileiro

Seis modelos a preencher, em vez de frases a copiar.

O preço: nomear o valor e o que substitui, numa frase.

O prazo: dizer quantos dias o produto demorou a chegar, informação que o público reclama.

A escala: anunciar um tamanho ou uma quantidade precisa, e depois mostrá-la de imediato.

A dúvida: formular a objeção principal no lugar do espetador, e depois respondê-la.

O uso inesperado: mostrar para que serve realmente o produto em sua casa, e não o que diz a ficha.

E a comparação: nomear o objeto do dia a dia que o produto substitui, nunca um concorrente.

Uma observação de método: o melhor gancho é quase sempre uma frase que já existia a meio do seu guião. Escreva primeiro o corpo, e depois suba a frase mais forte.

Os erros que matam um gancho brasileiro

Sete erros, ordenados por frequência.

A saudação de abertura, tratada acima.

O anúncio do que se vai fazer em vez de o fazer: dizer que se vai mostrar, em vez de mostrar.

A música alta nos dois primeiros segundos, que tapa a voz no momento em que conta.

O superlativo genérico, que sinaliza imediatamente uma publicidade.

A promessa que o resto não cumpre: a queda chega então ao oitavo segundo, e o algoritmo lê-a ainda pior.

O texto no ecrã colocado debaixo da interface da plataforma, portanto invisível.

E o gancho traduzido de outra língua, que não soa bem em nenhuma.

Quatro aberturas que prendem

A aberturaO que fazA sua duração
O problema nomeadoQuem vê reconhece-se2 s
O resultado mostradoA curiosidade de saber como2 s
O gesto sem palavraA atenção antes do som3 s
A contradiçãoA vontade de verificar2 s

O que se suprime na montagem sem hesitar

A saudação, o logótipo, a frase de introdução e o silêncio antes da primeira palavra. Cada um custa um segundo, e quem vê decide nos três primeiros.

Como se encontra a boa

Filmam-se cinco seguidas, guarda-se o mesmo corpo de vídeo, e vê-se qual prende mais tempo. É o único teste que custa vinte minutos e decide mesmo.

Como testar e guardar os seus ganchos

Cinco hábitos que transformam um talento em método.

Filmar três aberturas diferentes sobre o mesmo corpo de vídeo, na mesma sessão.

Difundi-las separadamente, nunca misturadas, sem o que a medição nada quer dizer.

Ler a retenção entre o primeiro e o quinto segundo, não o número de visualizações.

Reutilizar a abertura vencedora noutro assunto, para verificar que é mesmo ela que funciona.

E manter uma lista escrita dos ganchos que resultaram, com o produto, o formato e o resultado: é o único ativo que se capitaliza nesta profissão, e revende-se a cada novo cliente.

Uma última referência: no Brasil, um gancho eficaz não é brilhante nem engraçado, é útil em três segundos. Diga o preço, o tamanho, o prazo ou o problema, mostre-o ao mesmo tempo, e guarde a cortesia para o resto do vídeo.