Uma marca põe o vídeo de um criador no topo da sua página de produto, em reprodução automática, sem som, com todo o argumento dito em voz alta e nada no ecrã. Para um cliente surdo ou com dificuldades auditivas, essa página tem um buraco exatamente onde está o argumento de venda. A orientação do Department of Justice (o DOJ, o Departamento de Justiça) sobre acessibilidade web e o Americans with Disabilities Act (o ADA, a lei americana sobre a deficiência) nomeia o problema na sua lista de barreiras, com estas palavras: "No captions on videos" (vídeos sem legendas), porque as pessoas com deficiência auditiva podem não conseguir compreender a informação comunicada num vídeo se o vídeo não tiver legendas.

As legendas como questão de ofício, o estilo gravado na imagem, a velocidade de leitura, o gancho que tem de funcionar sem som, pertencem ao briefing e aos guias de filmagem; o guia do mercado deste cocoon descreve como um comprador americano julga o criativo. Este guia trata da camada americana que está por baixo: quando o ADA alcança o conteúdo web da própria marca, o que a orientação do Departamento diz que um negócio tem de conseguir, e o que isso significa para o vídeo de criador em concreto.

Quando o ADA alcança o vídeo de uma marca

O Title III, e os negócios abertos ao público

A orientação enuncia o âmbito numa linha: o Americans with Disabilities Act aplica-se aos governos estaduais e locais ao abrigo do Title II, e às "businesses that are open to the public" (empresas abertas ao público) ao abrigo do Title III. O site de uma marca é o sítio onde ela oferece os seus bens ao público, e a premissa da orientação é que os serviços que passaram para online levaram consigo a questão do acesso: um conteúdo web inacessível significa que as pessoas com deficiência ficam privadas de acesso igual à informação, e um site inacessível pode excluir pessoas tanto como degraus à entrada de um local físico.

Flexibilidade nos meios, não no resultado

A frase que a equipa jurídica de uma marca vai querer discutir é a do como, e a orientação é explícita nas duas metades. As empresas e os governos estaduais e locais têm "flexibility in how they comply" (flexibilidade na forma de cumprir) com as exigências gerais de não discriminação e de comunicação eficaz do ADA, e continuam a ter de assegurar que os programas, serviços e bens que prestam ao público, incluindo os prestados online, são acessíveis às pessoas com deficiência. A orientação aponta para normas técnicas existentes como referências úteis, as Web Content Accessibility Guidelines (WCAG, as diretrizes de acessibilidade de conteúdo web) e as Section 508 Standards que o governo federal usa nos seus próprios sites, e diz na mesma frase que o Department of Justice não tem um regulamento que estabeleça normas detalhadas, pelo que nenhuma delas se torna a medida da conformidade de um site privado.

As barreiras que a orientação nomeia

A lista é curta e concreta, e o vídeo de criador toca vários dos seus pontos. "No captions on videos" é o que nomeia o formato diretamente. Os outros alcançam a página onde o vídeo está: contraste de cor fraco, que impede quem tem visão limitada ou daltonismo de ler o texto; falta de alternativas textuais para as imagens, que transmitem a finalidade de uma fotografia, ilustração ou gráfico; formulários online inacessíveis, sem etiquetas que um screen reader (leitor de ecrã) consiga transmitir, sem instruções claras e sem indicação dos erros; e navegação só com rato, que exclui quem não pode usar rato nem trackpad. A orientação descreve também como as pessoas navegam: screen readers que dizem em voz alta o que está no ecrã, legendas para quem é surdo ou tem dificuldades auditivas, software de reconhecimento de voz para quem tem deficiências que afetam a capacidade de agarrar e usar um rato.

Onde o vídeo do criador é exibidoO que a lista da orientação tocaO que a marca faz quanto a isso
Destaque da página de produto, em reprodução automática e sem som"No captions on videos"Legendas para cada palavra dita, e a afirmação também escrita na página
Secção de testemunhos, vários clipesO mesmo, mais as alternativas textuais para as miniaturasLegendas por clipe, alt text que diz o que a imagem é
Landing page construída à volta de um vídeoContraste de cor do texto sobreposto, navegação do leitor por tecladoUm contraste que passa, um leitor que um teclado consegue operar
Vídeo incorporado por cima de um formulárioFormulários online inacessíveis: etiquetas, instruções, indicação dos errosEtiquetas que um screen reader lê, erros nomeados em texto
Anúncio social ou publicação do próprio criadorNão tratado por esta orientação, que é escrita sobre sites e conteúdo webO briefing continua a pedir legendas, porque o problema do som desligado é o mesmo

O que isto significa para um briefing de criador

A consequência prática é que as legendas deixam de ser uma escolha de performance e passam a fazer parte do entregável. Um briefing que pede uma versão com legendas gravadas na imagem, ou um ficheiro de legendas com a montagem, recebe um vídeo que a marca pode pôr na sua própria página sem um buraco a meio do argumento. Seguem-se dois hábitos. Primeiro, tudo o que o vídeo diz em voz alta, a página di-lo também em texto, que é também como o guia das avaliações e testemunhos deste cocoon descreve uma página de produto defensável: a afirmação existe numa forma que a marca controla. Segundo, uma divulgação que tem de ser clara e visível, a ligação material que as regras sobre endossos pedem, só é clara para quem a consegue percecionar; uma divulgação dita em voz alta e sem legenda é uma divulgação que um espetador surdo nunca recebe.

O que costuma travar uma marca na hora de pedir legendas no briefing é que o vídeo do criador já parece acabado; ao contrário, é a marca que decide onde ele é exibido, e a página é da marca.

O que este guia não decide

A orientação é escrita pelo Department of Justice como orientação, e diz quanto isso vale: os documentos de orientação publicados no site do Departamento não pretendem ser uma decisão final da agência, não têm efeito juridicamente vinculativo nem força de lei, e não estabelecem responsabilidades juridicamente exigíveis para além do que as leis, os regulamentos e a jurisprudência vinculativa já exigem. Traz também um limite de data, ao notar que não reflete as exigências para os governos estaduais e locais publicadas no Federal Register a 24 de abril de 2024. Saber se um site em concreto é suficientemente acessível, que norma um tribunal lhe aplicaria e o que uma marca em concreto deve são questões para um advogado, sobre os factos. O que uma marca pode fazer sem esperar por essa resposta é a lista acima, e as legendas são o primeiro item dela para quem quer que use vídeo.

O briefing para um vídeo de criador acessível

  1. Peça legendas no entregável, como texto gravado na imagem ou como ficheiro de legendas com a montagem, em todos os vídeos que a marca vai usar nas suas próprias páginas.
  2. Escreva na página o que o vídeo diz em voz alta, para que o argumento sobreviva sem som e sem visão.
  3. Legende também a divulgação, porque uma ligação material que só é dita não é comunicada a quem não a consegue ouvir.
  4. Verifique a página à volta do vídeo, contraste, alt text, navegação por teclado, etiquetas de formulário, contra as barreiras que a orientação enumera.
  5. Guarde a versão acessível como master, para que o vídeo acessível seja o que sai para todo o lado, em vez de uma segunda exportação que ninguém atualiza.

Fontes

Verificado a 22 de setembro de 2026. Este guia não é aconselhamento jurídico. Em caso de divergência entre este guia e a fonte oficial, prevalece a fonte oficial.