Quando um criador tem de anunciar que um vídeo é pago, com que clareza, e porque é que enterrá-lo numa legenda não conta.

O teste é simples

Uma só pergunta, e resolve quase todos os casos.

Uma pessoa razoável, ao ver este vídeo, perceberia de imediato que existe uma ligação entre o criador e a marca.

Três consequências.

Se a resposta for não, a menção é insuficiente, seja qual for a sua presença noutro lado.

A menção tem de ser visível sem ação de quem vê: sem precisar de deslizar, abrir a descrição ou tocar em mais.

E tem de aparecer desde o início, não no fim, porque parte do público nunca verá o fim.

O produto gratuito conta como pagamento

É o ponto que os criadores descobrem mais tarde.

A ligação a divulgar não é só o dinheiro: é qualquer vantagem recebida, sob qualquer forma.

Quatro exemplos frequentes. Um produto enviado e ficado. Uma estadia, uma refeição, um acesso oferecido. Um desconto reservado. E uma relação de trabalho, presente ou passada, com a marca.

Uma regra simples de reter: se hesita em dizê-lo, é exatamente isso que tem de ser divulgado.

Presume-se que a marca dá a instrução

É uma responsabilidade partilhada, e pende para o lado de quem encomenda.

Uma marca que paga um conteúdo deve fornecer a formulação esperada, verificar que consta da publicação, e guardar a prova dessa verificação.

Três elementos a pedir antes de filmar. A formulação exata, palavra por palavra. A sua posição e o seu tempo no ecrã. E o nome de quem controla antes da colocação em linha.

Uma consequência para o criador: se a marca não fornecer nada, aplique a regra mais estrita que conhece, e guarde o registo escrito do que pediu.

Fazer bem não custa nada

É o que torna esta obrigação fácil de cumprir.

Quatro gestos, dez segundos cada.

Uma menção dita na primeira frase, com palavras comuns.

A mesma menção incrustada no ecrã, legível num telemóvel, durante vários segundos.

A ferramenta de parceria paga da plataforma, ativada antes da publicação e não depois.

E a menção repetida no início da legenda, não a meio de uma série de etiquetas.

Uma observação útil: os criadores que divulgam com clareza não perdem audiência. O que faz perder a confiança é a descoberta tardia de uma ligação escondida, nunca o seu anúncio franco.

Quando uma menção se torna obrigatória

SituaçãoMenção necessáriaPorquê
Um vídeo pagoSimUma contrapartida financeira
Um produto oferecidoSimUma contrapartida em espécie
Uma ligação com comissãoSimUm interesse económico
Um produto comprado pelo próprioNãoNenhuma contrapartida

Onde a menção deve aparecer

No início, legível sem parar a leitura, e na língua do público. Uma menção no fim da descrição não cumpre a sua função.

O que se verifica num mercado bilingue

A presença da menção nas duas línguas quando o vídeo é difundido em ambas. As exigências precisas são a confirmar com um jurista.

Na prática

Quatro situações e o seu tratamento.

Um vídeo entregue à marca e publicado por ela: a menção continua devida, e é a marca que a leva.

Um vídeo publicado pelo criador: a menção fica do lado dele, mesmo que a marca a tenha esquecido.

Um vídeo transformado em publicidade paga: a menção tem de existir na versão difundida, mesmo que a montagem tenha sido refeita.

E uma republicação vários meses depois: a menção continua necessária, porque depende da ligação, não da antiguidade.

Um último ponto, válido em todo o lado: guarde uma captura da publicação com a menção visível, datada. É a única prova útil no dia em que alguém fizer a pergunta, e leva três segundos a produzir.

As formas exatas esperadas e as regras aplicáveis verificam-se junto das autoridades competentes e com um jurista, antes da difusão.