Numa ficha de produto, o vídeo não tem de seduzir. Tem de responder, e as perguntas já estão escritas por baixo do anúncio.

O que se compra quando se paga em prestações

É a particularidade local, e muda a mensagem.

Grande parte das compras faz-se em prestações mensais. A pergunta do espectador não é portanto apenas «este produto serve-me», é «vou querer continuar a pagar este objeto daqui a oito meses».

Três consequências. A durabilidade torna-se um argumento central, não um detalhe. A prova de uso ao longo do tempo conta mais do que a novidade. E o vídeo tem de mostrar o que se guarda, não o que se experimenta.

Junte a prudência: o montante, o número de prestações e as condições vêm do vendedor e caducam. Não se filmam, mostram-se em sobreposição.

Onde a colocar e que duração

Três regras simples.

No topo da ficha, visível sem rolar, com uma imagem de capa que mostre o produto em uso.

Sem som ao arrancar, em ciclo curto, com legendas legíveis. O visitante que quer som liga-o.

E uma duração curta para o primeiro vídeo, uns trinta segundos, completada mais abaixo por uma versão longa para quem ainda hesita. É a segunda que converte os cestos maiores.

A que deve responder

Quatro informações, por esta ordem.

A escala real, mostrada com um objeto conhecido ou uma pessoa.

O material e o acabamento, filmados de perto, com o som do contacto.

O que está na caixa, pousado, com o que não está incluído.

E o prazo, dito em voz alta, distinguindo a expedição da entrega.

Esses quatro pontos cobrem quase todas as perguntas públicas de uma ficha média.

O erro mais frequente

Reutilizar tal e qual o vídeo publicitário.

Uma criatividade publicitária é feita para atrair quem não procurava nada. Um vídeo de ficha de produto dirige-se a quem já procura e quer verificar.

Os dois não se parecem: um começa com um gancho, o outro começa com a informação. Um pode ser espetacular, o outro tem de ser verificável.

A boa prática é gravar os dois na mesma sessão, com o mesmo produto e a mesma luz, e depois montá-los de forma diferente.

O que o vídeo deve dizer no lugar do texto

Pergunta do visitanteO plano que respondeDuração
Que tamanho tem mesmoO objeto seguro na mão4 s
Como se usaO gesto completo, sem corte10 s
Como é ao toqueUm grande plano da matéria5 s

O que se produz para um catálogo inteiro sem lhe dedicar um mês

Um cenário único, um enquadramento fixo, um vídeo de vinte segundos por referência. A montagem parte de um modelo idêntico para todos.

O que se verifica na página antes de publicar

O peso do ficheiro, a ausência de arranque automático e a presença de legendas. Um vídeo que abranda a página faz perder mais do que convence.

O detalhe que tranquiliza

Não custa nada e ninguém o faz.

Mostre o produto ao fim de várias semanas de uso, no mesmo vídeo ou num segundo colocado logo abaixo. O objeto lavado, arrumado, um pouco marcado, ainda a funcionar.

Num mercado em que se paga em prestações, essa sequência vale todos os argumentos de venda: prova que o objeto ainda estará lá na última prestação.

Junte por fim o que o vendedor faz quando surge um problema: troca, peça, reparação. É a parte que ninguém filma e que toda a gente verifica antes de confirmar uma encomenda que a compromete por um ano.