A Flandres não tem capital.
Nenhuma cidade concentra o dinheiro, as agências e as decisões como fazem Lisboa ou Paris. O que existe em vez disso é uma rede de cidades médias, nenhuma dominante, a maioria a cerca de uma hora umas das outras.
Essa ausência decide quase tudo na forma de trabalhar cá.
Uma rede em vez de um centro
| A cidade | O que lá está | O primeiro cliente a contactar |
|---|---|---|
| Antuérpia | A moda, o porto, uma indústria criativa a sério | As marcas de moda e os seus fornecedores |
| Gante | As universidades, a tecnologia, a alimentação | Empresas em crescimento que recrutam sem parar |
| Lovaina | A investigação e a biotecnologia | Empresas técnicas que precisam de se explicar |
| Kortrijk e a Flandres Ocidental | A produção, o mobiliário, o têxtil | Exportadores sem vídeo na língua do comprador |
| Bruges | O turismo e os ofícios do património | Hotelaria e restauração, fora de época |
| Hasselt | O comércio e os serviços regionais | Comércio local com orçamento a sério |
Nenhuma destas cidades é grande o suficiente para dela se viver sozinha. Todas juntas sobram.
O que isso muda para um criador
Cobre uma região, não uma cidade
O reflexo vindo de outros mercados é mudar-se para onde estão os clientes. Cá esse sítio não existe, por isso o gesto útil é o contrário: fique onde está, diga com clareza que cidades cobre, e trate uma hora de estrada como parte da oferta e não como um problema.
O passa-palavra vai depressa e longe
Como o tecido empresarial é denso e interligado, um trabalho bem feito em Kortrijk sabe-se em Gante mais cedo do que se imagina. O contrário é igualmente verdade, e é por isso que cá a pontualidade pesa mais do que o portefólio.
A conta empresa familiar
O melhor tipo de cliente na Flandres é a empresa familiar, e há muitas mais do que a sua visibilidade sugere. Exportam, têm orçamentos a sério, e quem responde ao seu email é muitas vezes o proprietário ou alguém a um passo.
Decidem numa conversa em vez de num trimestre, pagam a horas, e ficam anos. Quase nunca recebem uma abordagem de um criador, porque toda a gente escreve às marcas que já reconhece.
Por onde começar
Escolha duas cidades a menos de uma hora, aprenda o que lá se fabrica, e escreva a três empresas familiares em cada. Não às agências, não às marcas conhecidas. Às empresas cujo nome nunca viu e cujos produtos usou sem saber.
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Perguntas frequentes
É preciso viver em Antuérpia?
Não. A Flandres não tem centro, por isso cobrir duas ou três cidades vale mais do que estar numa.
Que tipo de cliente é o melhor cá?
Os exportadores familiares. Decidem depressa, pagam a horas, e ninguém lhes escreve.
Até onde vale a pena deslocar-se?
Cerca de uma hora cobre quase toda a região, e dizê-lo com clareza faz parte da oferta.