Um media kit é o documento que faz uma marca te levar a sério antes mesmo da primeira conversa. Para um criador de UGC no Brasil, é a diferença entre mandar mensagens no escuro e apresentar uma oferta clara que um gerente de marketing possa aprovar internamente. Você não precisa de uma audiência enorme. Você precisa provar que sabe produzir conteúdo que vende um produto. Este guia mostra o que é um media kit de UGC, o que colocar dentro dele, como apresentá-lo e como usá-lo para conquistar trabalhos mais bem pagos em reais.
O que é de fato um media kit de UGC
Não confunda um media kit de UGC com um de influenciador. Um influenciador vende alcance, então o dossiê dele é cheio de número de seguidores, visualizações de stories e taxas de engajamento. Um criador de UGC vende vídeos: você produz conteúdos que a marca publica nas próprias contas e como anúncios pagos. O tamanho da sua comunidade importa pouco. O que importa é se o seu conteúdo parece natural, se converte e se poupa a marca de uma dor de cabeça de produção.
Por isso o seu dossiê é uma página de venda do seu trabalho, não um print das suas estatísticas. Ele precisa responder às três perguntas que uma marca brasileira se faz nos primeiros segundos: o que essa pessoa grava, se é bom e como eu a contrato. Se uma seção não ajuda a marca a dizer sim mais rápido, corte.
O que incluir
Mantenha o dossiê enxuto, de preferência três a cinco páginas. Este é o núcleo do que todo media kit de UGC no Brasil deveria conter.
- Bio e posicionamento: duas ou três linhas dizendo quem você é, onde mora e que tipo de UGC você faz (anúncios curtos, unboxings, depoimentos, tutoriais).
- Nichos: as duas ou três categorias que você domina, por exemplo beleza, fitness, comida ou produtos para pets, para a marca ver o encaixe na hora.
- Vídeos de exemplo: três a seis dos seus melhores clipes, como links ou miniaturas, mostrando variedade de gancho, luz e formato.
- Marcas anteriores e resultados: logos ou nomes das marcas com quem você trabalhou, mais qualquer resultado concreto que você tenha permissão de compartilhar.
- Pacotes e valores: suas entregas e preços em reais, para a marca conseguir orçar sem uma troca de e-mails.
- Contato e próximo passo: seu e-mail ou WhatsApp, seu perfil de Instagram ou TikTok, e uma frase clara dizendo como te contratar.
Se você ainda não tem marcas no currículo, troque essa seção por dois ou três vídeos feitos por você mesmo para produtos que ama. Uma marca se importa que você grava bem, não que alguém te pagou primeiro.
Como apresentar: PDF, Canva ou link
O caminho mais rápido para a maioria dos criadores brasileiros é o Canva. Ele tem modelos de media kit gratuitos que você adapta às suas cores e fontes em uma tarde. Exporte em PDF para que ele abra limpo em qualquer celular ou notebook.
O PDF é o seu anexo para e-mail e propostas formais. Mas um PDF estático não reproduz vídeo, então junte a ele uma versão em link. Uma página simples no Notion, no Beacons ou em um site pessoal permite embutir vídeo clicável, e você pode atualizar seus valores ou trocar um clipe sem reenviar arquivo. Mantenha os dois: o PDF para registro, o link para interação. Escolha o que preferir, nomeie o arquivo com clareza, por exemplo SeuNome-UGC-MediaKit.pdf.
Definir seus pacotes em reais
Estruture sua oferta em níveis para a marca escolher sem negociar do zero. Um formato comum é um pacote inicial com um vídeo vertical curto, um pacote padrão com um vídeo mais alguns ganchos ou edições extras, e um pacote premium com vários vídeos e os direitos de uso inclusos. Você define os números conforme seu tempo, seu equipamento e o valor que cria, não conforme o que um desconhecido cobra na internet.
Deixe sempre claro se o preço inclui os direitos de uso pago, porque uma marca que roda o seu vídeo como anúncio compra muito mais do que o arquivo bruto. Fature como MEI quando puder, assim você emite nota fiscal, que as marcas maiores no Brasil costumam exigir antes de liberar o pagamento. Mostrar preços limpos em reais sinaliza que você é um profissional e afasta as marcas que buscam trabalho de graça.
Usar o media kit para ganhar melhor
Um media kit só gera dinheiro quando circula. Anexe a cada proposta, coloque o link na sua bio do Instagram, e envie assim que uma marca demonstrar interesse para controlar a conversa antes que perguntem quanto você cobra. Destaque o pacote que combina com o produto dela, e não o mais barato.
Atualize a cada trimestre com seus clipes mais fortes, porque seus primeiros vídeos vão envelhecer rápido conforme você melhora. Quando uma campanha performa, peça permissão para citar o resultado e adicione. Com o tempo o seu dossiê vira um mural de provas cada vez maior que deixa você subir seus valores com confiança. Se você ainda está decidindo se esse caminho é para você, comece aprendendo a ser criador de UGC e depois monte o kit que vende o seu melhor trabalho.
Para continuar lendo
- Como montar um portfólio de UGC no Brasil
- Como fazer vídeos de UGC de unboxing no Brasil
- Como fazer vídeos de UGC de depoimento no Brasil
- Como fazer teste A/B de criativos de UGC no Brasil
- O guia completo de UGC no Brasil
Fontes
- Portal do Empreendedor (MEI), Governo Federal
- Receita Federal do Brasil
- Simples Nacional, portal oficial
Verificado em 26 de agosto de 2026. Limites e alíquotas mudam: se este guia e a fonte oficial divergirem, vale a fonte oficial.



