Como as marcas no Brasil usam UGC diferente no topo, meio e fundo do funil, com formatos para cada etapa.

As três missões do UGC

Três intenções, com o que cada uma deve cumprir.

Atrair a atenção de quem não procurava nada.

Responder à dúvida de quem hesita entre várias opções.

E tornar segura a decisão de quem já quer comprar.

Existe uma quarta missão, quase sempre esquecida: tranquilizar depois da compra, o que reduz as devoluções e prepara a recompra.

Topo do funil: ganhar a atenção

Seis formatos que funcionam nesta etapa.

O problema nomeado, em que o vídeo descreve uma situação antes de mostrar um produto.

O uso inesperado, que surpreende e faz ver até ao fim.

A demonstração imediata, em que o resultado aparece no primeiro segundo.

O conteúdo útil sem marca, que presta serviço e se partilha.

A comparação com o método habitual, sem nomear concorrentes.

E o formato cultural ou regional, que funciona particularmente bem no Brasil porque cria um reconhecimento imediato.

O apelo à ação desta etapa é fraco e único: seguir, guardar, ou simplesmente ver o que se segue.

Meio do funil: responder à dúvida

Seis formatos, para quem compara.

A resposta a uma objeção precisa, a mais rentável de todas.

O teste ao longo do tempo, uma semana ou um mês de uso real.

A escala e a matéria, mostradas de perto, com um objeto de referência.

A comparação entre duas referências da mesma marca, que ajuda a escolher.

A demonstração completa, sem corte, do gesto mais duvidoso.

E a opinião matizada, em que se diz para quem o produto não é feito.

O apelo à ação aqui convida a informar-se, não a comprar: ver a ficha, comparar, ler as opiniões.

Fundo do funil: tornar a compra segura

Seis formatos, para quem já decidiu mas ainda hesita.

A prova de entrega: o que chega realmente, em que estado, em quantos dias.

O conteúdo da caixa, com o que é preciso comprar à parte.

A resposta ao motivo de devolução mais frequente da referência.

A prova de preço, mostrando o que o produto substitui.

A garantia e o serviço pós-venda, explicados de forma simples.

E a urgência factual: data limite de encomenda para receber a tempo.

O apelo à ação é direto e único: encomendar, com uma ligação que leva exatamente ao sítio certo.

Depois da venda, o que quase ninguém aproveita

Cinco formatos que rendem sem custar caro.

O arranque correto, que reduz as devoluções por mau uso.

A manutenção, que aumenta a duração e portanto a satisfação.

Os usos secundários, que dão a sensação de ter comprado bem.

O convite a deixar uma opinião, feito por uma pessoa e não por um email automático.

E o produto complementar, apresentado no momento em que a confiança é máxima.

Como repartir um orçamento

Cinco princípios de repartição.

Nunca pôr mais de metade do orçamento num só andar.

Começar pelo meio do funil, o mais rentável e o mais rápido de medir.

Produzir várias variantes de abertura para o topo, que se gasta mais depressa.

Reservar uma parte para o fundo, muitas vezes descurado quando transforma vendas quase ganhas.

E guardar uma reserva para o pós-venda, cujo efeito se vê nas devoluções e não nas vendas.

O que o vídeo faz em cada patamar

PatamarO papel do vídeoO indicador que conta
A descobertaParar o deslizarA retenção aos 3 segundos
A consideraçãoLevantar uma objeção precisaO clique para a ficha
A decisãoTranquilizar no último momentoA taxa de adição ao carrinho
Depois da compraReduzir as devoluçõesA taxa de devolução de produto

O patamar que toda a gente esquece

O último. Um vídeo que explica como usar o produto depois de o receber faz baixar as devoluções, e é uma poupança direta que ninguém mede.

O que se reutiliza de um patamar para outro

A mesma filmagem, montada três vezes. O custo de produção divide-se sem mudar um único plano, e é esse o cálculo que torna rentável um dispositivo desde a primeira campanha.

Fazer o briefing para que cada etapa receba o que precisa

Seis elementos a escrever em cada briefing.

O andar visado, nomeado explicitamente.

A objeção única a tratar.

O apelo à ação, um só, tratado acima.

O público visado: quem não conhece, quem compara, ou quem vai comprar.

A duração, mais curta no topo e mais longa no meio.

E o sítio onde o vídeo será difundido, que muda o ritmo e o enquadramento.

Uma última referência: no Brasil, a maioria das campanhas falha não porque os vídeos sejam maus, mas porque ocupam todos o mesmo andar. Repartir três vídeos por três intenções custa o mesmo e cobre todo o percurso.