É a categoria em que o desvio entre a imagem publicitária e a realidade do público é maior, e em que esse desvio custa mais caro.

O corpo comum ganha ao atleta

É o resultado que todas as marcas acabam por observar.

Um atleta profissional produz admiração, não identificação. Quem vê conclui que o resultado vem do corpo mostrado, não do produto.

Uma pessoa de físico comum, filmada num ginásio comum ou em casa, produz o contrário: se ela consegue, eu também.

Escolha portanto o casting pela semelhança com quem compra, não pelo desempenho. É também mais barato, e nota-se nos resultados.

Mostre o uso, não o resultado

É a regra que evita metade das recusas publicitárias.

Um vídeo que mostra uma transformação física promete um resultado, o que é regulado, muitas vezes recusado, e por vezes proibido consoante o produto e a mensagem.

Um vídeo que mostra o uso real não promete nada: como se regula o aparelho, como se dobra o tapete, como se lava a peça, quanto espaço é preciso, que barulho faz.

É menos espetacular e vende mais, porque responde às perguntas que travam a compra.

O treino em casa é o contexto maioritário

É o que as marcas vindas de outros mercados subestimam.

Uma parte importante do público não frequenta ginásio: por custo, por horários, por distância, por segurança no regresso à noite.

Filme portanto num espaço reduzido e real: dois metros quadrados, um tapete, uma parede, uma cadeira. Mostre a arrumação, porque o material tem de desaparecer entre duas sessões.

E mostre o calor: um treino numa divisão sem ar condicionado não se parece com um treino num estúdio ventilado.

Os suplementos exigem uma prudência adicional

É a subcategoria mais regulada, e a mais arriscada.

As alegações de saúde, desempenho, perda de peso ou composição obedecem a regras precisas, e um produto pode estar sujeito a obrigações de registo, rotulagem e menções.

Três proibições práticas: nunca prometer um resultado com números, nunca apresentar um suplemento como substituto de um tratamento ou de uma refeição sem base, nunca improvisar uma posologia.

Estas regras dependem do produto e do suporte, e verificam-se junto das autoridades competentes e com um jurista antes da difusão.

O que o vídeo prova, e o que não prova

PlanoO que estabeleceO que não estabelece
Um movimento completoA boa execuçãoUm resultado físico
Uma peça em esforçoO ajuste e a respirabilidadeUm desempenho
Um acessórioA pegaUm ganho mensurável

O que se combina com o ginásio antes de ir

A janela vazia, a zona autorizada, a música da aparelhagem, o acordo dos presentes e um ponto de água para os planos de recuperação.

O que fica para o profissional de saúde

Um programa, uma carga, um regime alimentar e qualquer efeito anunciado sobre o corpo. O vídeo mostra o gesto e remete para o profissional, a confirmar com um jurista.

O plano que falta sempre

Um só, e custa trinta segundos.

A arrumação do material, filmada por inteiro: o tapete enrolado, o elástico enrolado, o espaço que ocupa num armário.

É a pergunta feita nos comentários em cada publicação, e ninguém lhe responde em vídeo.

Junte, enquanto a câmara está a filmar, a montagem à saída da caixa e o peso real do objeto levantado com uma mão. Esses três planos fazem descer as devoluções com mais segurança do que qualquer argumento.