Ali as festas caem em pleno verão, e a época prolonga-se até aos Reis. Duas diferenças que tornam inutilizável quase todo o conteúdo de Natal importado.

Uma consoada a trinta graus

É o ponto de partida de tudo, e não é cosmético.

A refeição faz-se tarde, muitas vezes lá fora, num calor que decide os produtos consumidos: bebidas frias, gelados, carnes grelhadas, saladas, ventoinhas, piscinas insufláveis.

Um cenário de neve, uma camisola, uma lareira ou uma luz de inverno não criam nenhuma identificação. Pelo contrário, assinalam que a marca fala de outro sítio.

A regra de produção é portanto simples: filme no exterior, com luz quente de fim de dia, com roupa leve e transpiração visível. É isso que as pessoas vão ver em casa nessa mesma noite.

O que isso muda concretamente

Quatro decisões de rodagem decorrem da estação.

Os produtos alimentares filmam-se à temperatura real de consumo, o que implica outra preparação e tomadas curtas.

A maquilhagem e os cuidados têm de contar com o calor, senão o resultado filmado não se parece com o real.

A roupa e os acessórios mostram-se usados lá fora, não em interior climatizado.

E os objetos eletrónicos ou os brinquedos têm de ser testados em condições de verão: sol direto, areia, água, pó.

O calendário real

Três janelas, e a terceira é quase sempre ignorada.

A primeira começa muito antes de dezembro, quando as pessoas comparam, procuram ideias e registam preços.

A segunda é a semana anterior à consoada, quando a compra se decide depressa e a disponibilidade conta mais do que o argumento.

A terceira vai de 26 de dezembro a 6 de janeiro, sustentada pelos Reis. É uma janela distinta, com produtos próprios, muitas vezes brinquedos e prendas para crianças, e com muito menos concorrência.

O conteúdo dessa terceira vaga filma-se ao mesmo tempo que o resto, não em janeiro.

O que se segue imediatamente

Dois períodos que as marcas deixam vazios.

O arranque de janeiro, com os preparativos do regresso às aulas e o material de férias.

E as próprias férias, que deslocam o público para a costa e mudam os usos: produtos de praia, transporte, conservação, proteção solar.

Uma marca que prolonga a campanha duas semanas depois dos Reis encontra-se sozinha perante um público disponível.

Um calendário que começa em setembro

MomentoO que se procuraO que se entrega
Setembro e outubroAs ideias, sem urgênciaAs seleções filmadas
NovembroA comparação de preçosAs demonstrações
DezembroA entrega a tempoAs mensagens sobre os prazos

O que a estação impõe à filmagem

Aqui o período cai no verão: um vídeo filmado no interior com cenário invernal soa falso. Filmar o calor, a mesa lá fora, a luz longa do fim de tarde.

O que se verifica antes da última semana

A data limite de encomenda, o stock e o prazo real. Passado esse ponto, um vídeo que vende um presente não entregável a tempo vira-se contra a marca.

O criador a escolher

Dois critérios, e a audiência não é um deles.

A pessoa tem de viver a época tal como ela é ali: calor, deslocação, família alargada, orçamento apertado e muitas vezes repartido.

E tem de aceitar filmar cedo, em outubro ou novembro, para um conteúdo difundido seis semanas depois.

Junte uma regra contratual: compre os direitos até ao fim de janeiro no mínimo. Uma campanha de festas que para a 25 de dezembro deixa a segunda metade da época sem conteúdo.

Verifique por fim as menções aplicáveis às promoções e aos preços anunciados, que obedecem às suas próprias regras, antes da difusão.

Fontes

Verificado em 4 de setembro de 2026. Limites e alíquotas mudam: se este guia e a fonte oficial divergirem, vale a fonte oficial.