As marcas brasileiras estão cada vez mais afiadas na mídia paga de social. Uma tática separa as melhores das demais: rodar os anúncios a partir do perfil do próprio criador, e não do perfil da marca. Isso é o whitelisting (ou allowlisting). No TikTok ele ganha a forma dos Spark Ads, e no Meta a dos partnership ads. Este guia explica o que são, por que superam os anúncios feitos pelo perfil da marca no Brasil, como configurar as permissões, e como isso muda o que você paga aos criadores e os direitos de que precisa.

O que são de fato o whitelisting e os Spark Ads

O whitelisting acontece quando um criador autoriza a sua marca a rodar anúncios pagos pelo perfil social pessoal dele. O anúncio mostra o @ do criador, a foto, o número de seguidores e as curtidas e comentários que a publicação já tem, mas quem controla a segmentação, a verba e a otimização é você. No TikTok isso é feito com os Spark Ads, que transformam uma publicação orgânica já existente (ou uma que o criador autoriza) em anúncio. No Meta (Instagram e Facebook) o equivalente são os partnership ads, antigos anúncios de conteúdo de marca, em que o criador marca a sua empresa como parceira e concede a permissão de anúncio. Nos dois casos o criador continua dono do perfil. Você aluga o direito de anunciar a partir dele por um período definido.

Por que o anúncio pelo perfil do criador supera o da marca

No Brasil, onde os feeds correm rápido e o público ignora na hora o que soa corporativo, um anúncio com o nome e o rosto de uma pessoa real parece indicação, e não outdoor. Vários fatores jogam a seu favor. O anúncio herda a prova social do criador: os seguidores, os comentários que a publicação já acumulou, a sensação de que existe um humano de verdade por trás. Parece nativo porque é nativo, começou como uma publicação comum. E o algoritmo costuma premiar esse formato com atenção mais barata, porque o espectador fica mais tempo antes de perceber que é anúncio. Para o consumidor brasileiro, que valoriza calor humano e a indicação sincera entre amigos, um perfil conhecido baixa a guarda que um logotipo de marca levanta.

Como configurar as permissões

A configuração é rápida quando você conhece o passo a passo. No TikTok, peça ao criador para ativar a autorização de Spark Ads na conta dele. Ele gera um código de vídeo nas Creator Tools ou nas configurações de anúncio e envia para você, e você cola esse código no TikTok Ads Manager para rodar a publicação como Spark Ad. No Meta, o criador adiciona a sua marca como parceira de negócios naquela publicação e liga a opção que permite você impulsioná-la, e depois você encontra essa publicação no Gerenciador de Anúncios em partnership ads e monta a campanha em torno dela. Alguns pontos para acertar antes de lançar:

  • Combine a janela de autorização desde o começo, por exemplo sessenta ou noventa dias, e anote o vencimento
  • Confirme se você pode veicular para público frio ou apenas fazer retargeting
  • Peça ao criador para manter a publicação original no ar durante toda a campanha, porque apagá-la derruba o anúncio
  • Tenha a permissão e as datas por escrito, não só num áudio de WhatsApp
  • Defina quem dá a palavra final sobre os comentários e se o criador vai ajudar a responder

Como isso afeta os valores e os direitos do criador

O whitelisting é um direito separado do conteúdo em si, e os criadores brasileiros cada vez mais cobram assim. Quando você encomenda um vídeo UGC, compra o arquivo e, em geral, o direito de publicá-lo pelo seu próprio perfil. Anunciar pelo perfil do criador pede mais: acesso à audiência e ao nome dele. Então conte com uma taxa de whitelisting além do custo de produção, muitas vezes cobrada por mês ou por campanha, atrelada à janela de autorização. Quanto mais longa a janela e mais ampla a segmentação, maior a taxa. E é justo. O criador está emprestando a confiança que construiu. Deixe o escopo no contrato: quais plataformas, por quanto tempo, se o anúncio pode ser editado e o que acontece se você quiser prorrogar. Termos vagos são a origem das brigas, principalmente quando um anúncio whitelistado performa bem e você quer mantê-lo no ar.

Como começar no Brasil

Comece pequeno e valide o mecanismo antes de escalar. Escolha dois ou três criadores cuja audiência combine com o seu comprador, passe um briefing para publicações de estilo orgânico que você possa whitelistar, e rode essas peças contra o seu criativo habitual pelo perfil da marca para enxergar a diferença no custo por resultado. Mantenha as janelas de autorização curtas no início e renove os vencedores. Acompanhe os comentários, porque um anúncio whitelistado é um canal de mão dupla e as perguntas vão cair na publicação do criador. Bem feito, isso transforma um bom vídeo em um anúncio que leva a credibilidade de uma pessoa real a um público frio, exatamente o que o brasileiro responde. Para o passo a passo completo de briefing, preços e medição do conteúdo de criador, leia o nosso guia de UGC para marcas e planeje a sua primeira campanha whitelistada com termos claros.

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