Em agosto vai parecer que o seu negócio está a afundar.

As mensagens param, os orçamentos ficam sem resposta, as faturas dormem, e um criador no primeiro ou segundo ano conclui que alguma coisa se estragou nele. Quase nada se estragou. O mês está a fazer cá o que faz todos os anos.

Nada desapareceu, mudou de sítio

O trabalho não está cancelado. Está à espera de que alguém volte e o aprove, o que vai acontecer, em setembro, à pressa.

A cadeia de aprovação esvazia antes do cliente

Esta é a parte que vale a pena saber, porque explica os tempos.

O seu contacto muitas vezes ainda está à secretária. O que desapareceu é tudo o que está à volta: quem assina, quem verifica, quem com um único comentário desbloqueia o briefing. Um orçamento enviado na primeira semana de agosto aterra numa fila onde falta sempre alguém, e fica lá, sem que ninguém o tenha achado mau.

É por isso que um silêncio de agosto não lhe diz nada sobre a qualidade da sua proposta, e é por isso que insistir com mais força não produz movimento nenhum.

Baixar preços em agosto é o erro caro

Lá para a terceira semana calma chega a tentação: baixar o preço, lançar uma promoção, aceitar um trabalho abaixo do seu valor só para ter trabalho.

É o pior mês para o fazer. Está a dar desconto a clientes que voltavam de qualquer forma, num mercado suficientemente pequeno para o número circular, e ensinou um preço mais baixo a quem teria pago o mais alto em setembro. O mês acaba de qualquer maneira. O preço não.

O que vê em agostoO que significa de factoO que fazer
Nenhuma resposta aos orçamentosFalta quem aprova, não o contactoReenviar na primeira semana de setembro
Uma fatura por pagarOs ciclos de pagamento estão magros este mêsPedir a data, não o dinheiro
Uma marca que se cala a meio do trabalhoAlguém da cadeia está de fériasPerguntar uma vez quem mais pode aprovar
Um pedido novo, estranhamente urgenteAlguém a substituir, com um prazo em cimaAceitar, e orçar normalmente
Nada de nada durante duas semanasO mês, não vocêNada, e é essa a parte difícil

A quarta linha é a que se perde. Agosto produz um pequeno número de trabalhos mesmo urgentes vindos de quem está a substituir, e vale a pena estar disponível para eles.

Para que serve agosto de facto

Para duas coisas, e são os trabalhos para os quais nunca há tempo.

O primeiro é o seu próprio material: as peças de portefólio, o vídeo por iniciativa própria para uma empresa que quer, o perfil em que não toca desde que o escreveu. Esse trabalho não tem prazo em altura nenhuma do ano, e é por isso que nunca acontece, e agosto é o único mês em que nada lhe faz concorrência.

O segundo é a administração que vai adiando. Os comprovativos, as faturas bem arrumadas, a conversa com o contabilista que anda a empurrar. Fazê-lo agora não lhe custa nada, porque a alternativa era olhar para uma caixa de correio vazia.

Depois esteja pronto para setembro, que chega sem avisar e pede tudo ao mesmo tempo.

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Perguntas frequentes

Devo tirar férias também?

Deve, e tire-as em agosto em vez de ficar zangado com o silêncio. Um mês sem trabalho é má altura para descansar mal, e setembro não vai deixar espaço.

E se um cliente se calou mesmo de vez?

Vai saber na segunda semana de setembro, não antes. Tudo o que concluir em agosto é um palpite feito sem informação.

É igual em todo o Portugal?

O padrão é nacional, e é mais marcado onde os seus clientes são empresas com vários aprovadores. Se trabalha sobretudo com negócios geridos pelo dono, o mês é mais calmo mas menos absoluto, porque não há ninguém por quem esperar.